O Futuro da SanCor: Desafios e Oportunidades na Falência da Cooperativa
A falência da histórica cooperativa argentina SanCor marca o início de uma nova era para seus ativos. Com a situação de insolvência, o leilão de seus bens atraiu a atenção de dez empresas, que adquiriram o edital com as diretrizes necessárias para participar dessa disputa. Entre os interessados, estão seguradoras, grupos de laticínios, investidores financeiros e empresas regionais, o que revela um panorama promissor no mercado.
O Que Está em Jogo?
SanCor, um nome emblemático no setor de laticínios argentino, enfrentou graves dificuldades financeiras ao longo dos últimos anos. O processo de falência, coordenado por Ignacio Martín Pacheco Huber e Lucila I. Prono, gerou um movimento considerável no mercado, ultrapassando as expectativas iniciais. Com inscrições de empresas reconhecidas, o edital tornou-se um campo de batalha para a aquisição dos ativos da cooperativa.
Empresas Interessadas
As companhias que mostraram interesse na aquisição incluem:
- SanCor Seguros
- PDA Punta del Agua
- Milkaut SA
- L3N SA/Adecoagro
- Jewell Especialidades SA/Grupo Ceibos
- Finances and Management SA
- Fidulac
- Failar SA/Tarantela
- Elcor/La Tonadita
- Foods Fransro SRL
Essas empresas representam uma diversidade de perfis e capacidades financeiras, refletindo a relevância do setor de laticínios e sua capacidade de recuperação no país.
A Importância da Milkaut e Adecoagro
Entre os participantes do leilão, a Milkaut desponta como uma das maiores potências, com vasta experiência e uma operação sólida na província de Santa Fé. A empresa não só é crucial para a produção de laticínios na região, mas também possui um bom histórico de exportação.
A L3N SA, vinculada ao grupo Adecoagro, também se destaca. Adecoagro é uma figura importante no agroindustrial argentino e está listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), aumentando ainda mais as expectativas em relação à revitalização da SanCor.
O Impacto da Diversidade
A variedade de perfis que se manifestou no edital é um aspecto notável, como enfatizado pelos administradores do processo. Eles afirmaram que o leilão atraiu operadores de laticínios estabelecidos, investidores com conhecimentos financeiros avançados e especialistas regionais que compreendem o contexto local e suas necessidades.
Essa diversidade amplia as possibilidades de recuperação da cooperativa e promete um futuro mais estável para os credores e comunidades que historicamente dependeram da SanCor.
Questões Cruciais para os Credores
O processo de falência da SanCor é crucial não apenas para os investidores, mas também para os credores e para as localidades que se sustentaram com a atividade da cooperativa ao longo dos anos. A reativação das fábricas por novos operadores pode resultar na revitalização de empregos diretos e indiretos, além de fortalecer as relações comerciais prejudicadas pela crise.
O Caminho até a Falência
A crise da SanCor chegou à justiça em 14 de fevereiro de 2025, com um pedido de recuperação preventiva no Juizado Cível e Comercial da 4ª Vara de Rafaela. A cooperativa, com sede em Sunchales, ficou incapaz de honrar suas dívidas, levando à decisão judicial que buscava organizar seu passivo e proteger os postos de trabalho. O processo, no entanto, evidenciou rapidamente a magnitude da deterioração dos ativos.
No total, foram registrados mais de 1.500 pedidos de verificação de créditos. As dívidas acumuladas (comerciais, financeiras, fiscais e trabalhistas) ultrapassaram US$ 86 milhões (aproximadamente R$ 473 milhões). A cooperativa que já processou mais de 3 milhões de litros de leite por dia agora lidava com um cenário muito diferente.
Do Mercado Próspero à Queda Vertiginosa
A SanCor chegou ao auge ao processar uma quantidade significativa de leite por dia, mas, devido à crise e ao processo de reestruturação, perdeu grande parte da sua importância no mercado. Das 14 fábricas que operava, restaram apenas cinco, e até o final de 2024, a capacidade de processamento foi reduzida a menos de 500 mil litros diários.
O portfólio da cooperativa incluía seis unidades de negócios: creme de leite, doce de leite, leite, fórmulas infantis, manteiga e queijos. Destes, os queijos eram a linha de produtos mais significativa, representando a maior diversidade em marcas e produtos.
O Desfecho da Falência
Em 22 de abril de 2026, o juiz Marcelo Gelcich decretou a falência da SanCor Cooperativas Unidas Limitada. Essa decisão permitiu a continuidade temporária das operações e abriu o caminho para a venda de seus ativos. O edital da licitação foi aprovado, estipulando uma oferta mínima conjunta de US$ 52,1 milhões (aproximadamente R$ 286,6 milhões) para as fábricas e ativos intangíveis.
As propostas devem ser apresentadas até as 9h do dia 20 de julho, com a abertura dos envelopes marcada para uma hora depois. Esta etapa é crucial para o futuro da cooperativa e pode representar um novo começo, tanto para os trabalhadores quanto para os fornecedores que dependem de sua operação.
Reflexões Finais
A falência da SanCor é um reflexo do cenário desafiador enfrentado por muitos no setor agroindustrial. No entanto, com o interesse de diversos players do mercado, existe a esperança de uma recuperação que não só restaure a cooperativa, mas também reforce a cadeia produtiva de laticínios na Argentina.
Convido você, leitor, a refletir sobre como a SanCor poderá reintegrar-se ao mercado e o impacto que isso terá em comunidades ao redor do país. Quais são suas expectativas para o futuro da cooperativa e do setor de laticínios? Compartilhe sua opinião!


