Bruno Menezes, diretor de novos negócios e comercialização da PRIO, afirmou que a prorrogação até o fim de 2026 da alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo prejudica o setor e aumenta a incerteza para as empresas. Durante a Conferência MBA Brasil 2026, em Chicago, ele disse que a companhia questiona a cobrança na Justiça por considerá-la inconstitucional, mas avaliou que o país ainda oferece oportunidades para quem está preparado.
Previsibilidade para o setor
Na avaliação de Menezes, empresas de petróleo e energia precisam conhecer as regras que orientam suas atividades. Mudanças na tributação, disse, dificultam o planejamento dos negócios. “Quando muda é ruim. O imposto agora de exportação atrapalha todo mundo. E por isso estamos questionando na Justiça, porque julgamos inconstitucional”, afirmou durante um painel do evento.
A alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo foi prorrogada pelo governo até o encerramento de 2026. A medida atinge as empresas que vendem o produto ao exterior. A PRIO está entre as companhias que contestam a cobrança judicialmente, segundo o executivo. Ele não detalhou, no painel, o andamento do questionamento nem os possíveis efeitos financeiros para a empresa.
Além da tributação, Menezes mencionou o licenciamento ambiental como uma área em que a regulação é necessária, mas precisa ocorrer com maior rapidez. Para ele, a demora na análise de projetos pode reduzir investimentos e afetar diferentes grupos, incluindo trabalhadores, acionistas e o próprio governo.
“Quando tem um governo moroso, seja quem for que está sentado na cadeira, você reduz investimento, atrapalha progresso, não ganha sociedade, que perde a geração de empregos, nem o acionista, nem o próprio governo”, declarou. A fala associa a velocidade dos processos de licenciamento às decisões de investimento e à geração de empregos, sem defender a ausência de regras ambientais.
Incerteza também pode abrir espaço
Apesar das críticas à instabilidade regulatória, o diretor afirmou que a volatilidade e a incerteza podem criar oportunidades para empresas preparadas. Ele descreveu o ambiente brasileiro como marcado por dificuldades, mas disse que esse cenário também permite que companhias com disposição para assumir riscos avancem.
Como exemplo, Menezes citou a trajetória da PRIO. Segundo ele, em 11 anos a companhia passou de uma posição “irrelevante” para a de segunda maior operadora de petróleo do Brasil, atrás apenas da Petrobras. O executivo afirmou não saber se uma evolução semelhante seria possível em outros países.
A declaração indica como a empresa vê sua expansão no setor, mas não veio acompanhada de indicadores sobre produção, receita ou participação de mercado. Menezes usou o crescimento da PRIO para defender que a combinação de preparação e coragem pode permitir que empresas aproveitem oportunidades mesmo em um ambiente de regras sujeitas a mudanças.
Margem Equatorial e produção futura
O executivo também abordou a exploração da Margem Equatorial, região que pode se tornar uma nova fronteira de produção de petróleo no Brasil. Para Menezes, o potencial da área ganha relevância diante da perspectiva de que os campos atualmente em operação são finitos e de que a produção brasileira começará a cair a partir de 2030.
Ele afirmou que a Margem Equatorial poderia se tornar um novo pré-sal, desde que a exploração tenha sucesso, e mencionou a Guiana como referência. Na avaliação do diretor, o desenvolvimento de novas áreas ajudaria o Brasil a continuar relevante no mercado global e a se posicionar como produtor confiável. A possibilidade, porém, foi apresentada como condicionada ao resultado das atividades na região.
Menezes participou da quinta edição da Conferência MBA Brasil, realizada em Chicago nos dias 6 e 7 de novembro de 2026. O encontro reúne executivos de empresas brasileiras e internacionais para discutir perspectivas de negócios em diferentes setores da economia e do empreendedorismo.

