A primeira edição da Cúpula Forbes Menos de 30 reuniu, nesta quinta-feira (29), Duda Franklin, CEO e fundadora da Orby, e Renata Goldfarb, fundadora da Teach Tribe, para discutir como a inteligência artificial (IA) pode afetar empresas, ciência e trabalho. No painel “IA First”, as empresárias falaram sobre aplicações da tecnologia, formação de trabalhadores e oportunidades para profissionais e empreendedores.
O evento foi realizado no JW Marriott, em São Paulo, com patrocínio da Omoda e Jaecoo e da Johnny Walker e parceria oficial da MCI. A conversa foi mediada por Pablo Marques, editor de tecnologia e marketing da Forbes.
Aplicações dentro e fora das empresas
As trajetórias das duas participantes refletem diferentes frentes de atuação com IA. Duda direciona seu trabalho ao desenvolvimento de dispositivos que interagem com o sistema nervoso humano e ajudam a ensinar o corpo a se movimentar. Renata, por sua vez, concentra sua atuação em ensinar pessoas e empresas a usar a tecnologia.
Duda contou que o interesse pelo empreendedorismo começou cedo, ligado à vontade de criar produtos. “Comecei a estudar finanças e economia muito cedo. Minha mãe me dava livros sobre o tema, e lembro de pensar: ‘Eu quero abrir uma empresa, quero criar um produto que marque uma geração. Eu vou conseguir, e ainda vou para a lista da Forbes’”, afirmou.
Na avaliação de Renata, a IA pode aumentar a eficiência e ajudar empresas a direcionar melhor o tempo e o capital humano. Para aproveitar esse potencial, porém, é preciso identificar quais tarefas podem ser executadas pela tecnologia e em quais situações ela oferece vantagens.
“Hoje faz parte do processo desenhar e entender onde a IA é mais inteligente, mais barata e toma decisões melhores do que um humano. Tornar isso um processo é muito importante”, disse Renata. A avaliação, segundo ela, deve fazer parte da organização do trabalho, em vez de se limitar à adoção pontual de ferramentas.
Na Orby, a tecnologia já é usada em áreas que exigem agilidade, como controle fabril, pesquisa e desenvolvimento e setor financeiro, relatou Duda. Ela também apontou a integração da IA a dispositivos físicos como uma frente em desenvolvimento. Segundo a empresária, no Vale do Silício há discussões sobre o uso de modelos de IA em interfaces neurais, veículos autônomos e robôs humanoides para fábricas ou residências.
Capacitação acompanha a adoção
O avanço da automação, na visão das participantes, precisa vir acompanhado de mudanças na gestão de pessoas. Renata defendeu que empresas orientem e capacitem os trabalhadores durante a implementação da tecnologia, em um período de adaptação a novas formas de trabalho.
“Hoje estamos aprendendo e nos adaptando a um novo formato de trabalho. O caminho passa por transparência, capacitação e diferenciar o que as pessoas sabem do que acham que sabem”, afirmou. A recomendação destaca a necessidade de compreender as habilidades existentes nas equipes e oferecer formação para o uso das ferramentas.
A discussão também abordou como profissionais e empreendedores podem se posicionar no setor. Renata recomendou experimentar as ferramentas, começar por problemas concretos e avaliar qual é o papel adequado da IA em cada processo. A adoção, disse, deve ser acompanhada pela medição do retorno do investimento.
“Quanto mais adoção, mais sobe o custo de tokens. Isso não é ruim, mas você precisa saber o que o processo te devolve. Ou seja, ter a habilidade de medir”, afirmou. Tokens são unidades usadas no processamento de informações por modelos de IA; na fala de Renata, o ponto central foi comparar o custo crescente de uso com o resultado obtido.
Estudo e experimentação
Duda também recomendou que profissionais estudem a tecnologia para entender como aplicá-la em empresas e desenvolver produtos. “Estudem para tomar para vocês o conhecimento, para entender como aplicar a tecnologia na empresa de vocês e como desenvolver produtos a partir dela. Aprofundem-se e criem a opinião de vocês”, disse.
As duas participantes defenderam a experimentação como parte da busca por usos práticos. Duda sugeriu que empreendedores conheçam o mercado e as necessidades dos consumidores antes de testar ferramentas. “Essa é a beleza e a arte da tecnologia: poder testar e criar coisas. Entenda o mercado, a dor do consumidor, experimente a ferramenta e tenha muito sucesso”, afirmou.

