Eleitores nos EUA votam propostas para proibir data centers


Eleitores de municípios de vários Estados americanos votarão em propostas que podem proibir, limitar ou estabelecer novas regras para a construção de centros de dados. Ohio concentra o maior número de iniciativas, com 21, em meio à expansão desses empreendimentos e à preocupação com consumo de energia, ruído e efeitos sobre as contas de eletricidade.

Ohio reúne 21 propostas

O Estado já abriga 154 centros de dados em operação, outros 27 em construção e 57 em planejamento. Em 13 municípios, os eleitores decidirão sobre propostas para proibir instalações. Algumas, porém, se aplicam apenas a empreendimentos classificados como de “alto impacto” ou com demanda superior a 25 megawatts.

Monroe e Sprigg, duas comunidades rurais do sul de Ohio, votarão regras de zoneamento voltadas à preservação do caráter agrícola das regiões. Na prática, as medidas impediriam a construção de centros de dados. As localidades estão entre as possíveis áreas para grandes projetos, incluindo um terreno de cerca de 4,05 milhões de metros quadrados avaliado para receber uma instalação da Amazon Web Services.

Em Wilmington, quatro propostas tratam do zoneamento de terrenos específicos e poderiam permitir o avanço de um projeto. A votação ocorre após a Suprema Corte de Ohio manter a decisão do conselho eleitoral do condado de barrar um referendo com restrições mais amplas. Em Ashville, a população decidirá se impede a construção de uma instalação cujas obras já começaram. No vilarejo de Perry, a proposta exige garantias financeiras dos desenvolvedores e limites de ruído como condição para receber incentivos fiscais.

Em Illinois, seis municípios votarão propostas para orientar decisões locais sobre a aprovação ou a construção de novos centros de dados. Já Bloomington decidirá se adota uma moratória integral para novos projetos. No início do ano, a cidade e a vizinha Normal suspenderam por seis meses instalações com consumo superior a 5 megawatts.

Votações em outros Estados

Em Janesville, Wisconsin, os eleitores decidirão se projetos com investimentos acima de US$ 450 milhões, cerca de R$ 2,3 bilhões, em uma antiga fábrica de autopeças precisarão da aprovação da maioria da população. A votação definirá, na prática, se o terreno poderá receber um centro de dados. A antiga fábrica da General Motors fechou em 2008, durante a crise da indústria automobilística, e deixou uma área contaminada. A cidade não conseguiu dar novo uso ao imóvel, e a possibilidade de instalar um centro de dados provocou reação contrária entre moradores.

Em Kansas, El Dorado e Emporia votarão propostas para proibir instalações classificadas como de “alto impacto”. Ottawa decidirá sobre restrições a empreendimentos de “alto consumo de serviços públicos”, definidos como aqueles com demanda acima de 25 megawatts. No Maine, municípios votarão moratórias. Peru e Wells decidirão sobre suspensões de 180 dias; outra localidade analisará uma proibição de seis meses para novas instalações e ampliações. North Berwick votará uma proposta para barrar centros de dados com área superior a 2.323 metros quadrados.

Também haverá votações na Califórnia, Flórida, Nevada, Nova Jersey e Dakota do Norte. Alhambra, na Califórnia, decidirá sobre a proibição de centros de dados. Em Edgewater, na Flórida, uma moratória aprovada pela Câmara Municipal será submetida aos eleitores para inclusão na carta municipal, documento que estabelece as regras de funcionamento do governo local. Boulder City, em Nevada, votará sobre a construção de novas instalações em uma área que já abriga projetos de energia solar.

Em Downe Township, Nova Jersey, a consulta indicará se os moradores apoiam a construção de centros de dados, sem propor uma proibição. Em Harwood, Dakota do Norte, a população decidirá se projetos industriais, incluindo essas instalações, terão de passar por análise adicional e ao menos uma audiência pública antes da aprovação.

Consumo de energia impulsiona reação

A expansão da infraestrutura para empresas de inteligência artificial aumentou a relevância política dos centros de dados. As críticas se concentram no consumo de eletricidade, no possível efeito sobre as contas dos moradores, no ruído e na falta de transparência em processos de aprovação. No Maine, cidades como Bangor já adotaram moratórias. Uma suspensão estadual aprovada pela Assembleia Legislativa foi vetada pela governadora Janet Mills em abril.

Pesquisas citadas no levantamento mostram resistência à instalação dessas estruturas. Uma sondagem da NBC realizada em setembro apontou que 69% dos entrevistados seriam contrários a um novo centro de dados em suas comunidades. Em pesquisa divulgada pelo Politico em outubro, 65% dos eleitores democratas e 36% dos republicanos se opunham a esses projetos.

O debate também chegou ao Congresso. Em março, o senador independente Bernie Sanders e a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez defenderam uma moratória nacional e apresentaram um projeto para suspender novas construções até a aprovação de leis de proteção contra riscos da inteligência artificial. Em julho, Nova York se tornou o primeiro Estado americano a estabelecer uma suspensão temporária de novos projetos por ordem executiva da governadora Kathy Hochul.

O presidente Donald Trump criticou a moratória de Nova York e afirmou que centros de dados geram empregos e arrecadação de impostos. Também sugeriu que as empresas paguem dividendos a moradores próximos e, em outubro, disse que exigiria que grandes projetos produzissem a própria eletricidade. O texto não detalha como essa exigência seria fiscalizada.

No Texas, o governador Greg Abbott suspendeu em setembro a emissão de licenças para novos centros de dados enquanto o Estado realiza uma auditoria sobre consumo de energia. Segundo o U.S. Data Center Map, o Texas tem 314 instalações em operação, com demanda conjunta de 10,5 gigawatts, além de 73 projetos em construção e 174 planejados. A Pensilvânia também avalia restrições. Quando os projetos planejados forem concluídos, os centros de dados do Estado poderão consumir 23,4 gigawatts, segundo a mesma base.

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