Embraer (EMBJ3) pode ampliar pedidos em US$ 400 milhões


A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira recorde de encomendas de US$ 35,7 bilhões, mas ainda pode ampliar esse total. Em análise divulgada em 26 de outubro, o Banco Safra estimou que a formalização de uma possível venda de três aeronaves KC-390 Millennium à Eslováquia poderia acrescentar cerca de US$ 400 milhões aos pedidos, levando o montante a aproximadamente US$ 36,1 bilhões.

A carteira de pedidos, também chamada de backlog, reúne encomendas e contratos que a fabricante ainda precisa atender. O indicador dá visibilidade sobre negócios futuros, mas não equivale a receitas já faturadas: a conversão dos pedidos em vendas depende da produção, das entregas e da execução dos contratos.

Defesa pode receber novos pedidos

A divisão de Defesa e Segurança registrou US$ 6,1 bilhões em encomendas ao fim de setembro, crescimento de 56% em relação ao mesmo período de 2025. Esse valor ainda não inclui a seleção de três KC-390 pela Eslováquia. Caso a negociação avance até a formalização de um contrato e o pedido seja incorporado à carteira, o Safra calcula que o segmento poderá chegar a cerca de US$ 6,5 bilhões.

A seleção das aeronaves, porém, não representa um contrato definitivo. Por isso, os US$ 400 milhões estimados não fazem parte do total atual da Embraer e permanecem condicionados ao avanço da negociação. A distinção é relevante para a leitura do resultado: a carteira recorde de US$ 35,7 bilhões corresponde a pedidos contabilizados, enquanto o valor adicional é uma possibilidade.

No terceiro trimestre, a companhia também vendeu dois KC-390 à Força Aeroespacial Colombiana. A negociação amplia a presença internacional do modelo, embora o texto da análise do banco não detalhe o valor dessa venda.

Aviação comercial e executiva têm carteiras recordes

A aviação comercial concentra a maior parcela dos pedidos da fabricante, com US$ 15,8 bilhões ao fim do trimestre. O montante representa alta anual de 4%. Entre julho e setembro, a Embraer recebeu 36 pedidos firmes de aeronaves da família E2, feitos por companhias como Grupo Abra, Binter, Luxair e ANA Holdings.

Na aviação executiva, a carteira chegou a US$ 8,2 bilhões, recorde para a divisão e avanço de 12% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Já Serviços e Suporte somou US$ 5,6 bilhões, alta anual de 14%. O crescimento nessa área foi impulsionado por contratos de manutenção e fornecimento de peças para empresas aéreas, entre elas Portugália e Alliance Airlines.

Considerando os diferentes segmentos, o backlog total aumentou 14% em um ano e 3% ante o segundo trimestre de 2026. Foi a oitava alta trimestral consecutiva, com avanços em aviação comercial, aviação executiva, defesa e serviços. A evolução mostra que o recorde não veio de uma única divisão, embora os valores e ritmos de crescimento variem entre elas.

Entregas aumentam 6% no trimestre

A Embraer entregou 66 aeronaves entre julho e setembro, 6% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Foi o maior número já registrado pela companhia em um terceiro trimestre. Do total, 22 eram aviões comerciais, 41 jatos executivos e três aeronaves de defesa.

Nos nove primeiros meses de 2026, as entregas somaram 175 unidades, alta de 14% na comparação anual. A companhia também tem buscado distribuir a produção de forma mais equilibrada ao longo do ano, reduzindo a concentração de entregas nos meses finais.

O aumento das entregas e a carteira recorde oferecem indicações distintas sobre a atividade da fabricante: as entregas mostram aeronaves concluídas e repassadas aos clientes, enquanto o backlog aponta pedidos ainda pendentes. A possível inclusão do negócio com a Eslováquia elevaria a carteira, mas depende da formalização da venda dos três KC-390.

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