Empresas da B3 perdem R$ 963 bi na semana pós-eleição; VAMO3 e MGLU3 caem mais de 50%


O Ibovespa caiu 18,12% na semana encerrada em 30 de outubro, na maior baixa semanal desde março de 2020, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A reação refletiu a revisão das expectativas para os juros e as contas públicas do Brasil, além de um ambiente externo de maior aversão ao risco.

O recuo foi o quinto maior registrado em uma semana desde o Plano Real, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. As empresas listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado no período, enquanto o dólar subiu mais de 9% e atingiu a maior cotação de 2026.

Queda apagou ganhos acumulados no ano

O valor de mercado conjunto das companhias brasileiras negociadas na Bolsa passou de R$ 5,684 trilhões em 23 de outubro para R$ 4,721 trilhões em 30 de outubro, uma redução de 16,94%, de acordo com a Elos Ayta. A perda equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 734 bilhões. A consultoria calcula que a Bolsa perdeu, em uma semana, o equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões.

A forte desvalorização praticamente eliminou a alta acumulada pelo mercado acionário brasileiro em 2026 até 23 de outubro. Entre o fim de 2025 e aquela data, o valor de mercado das empresas havia aumentado R$ 972 bilhões, de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões. Desse avanço, R$ 378 bilhões tinham sido registrados depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

O desempenho semanal levou o Ibovespa a encerrar outubro com queda de 9,88%. O movimento ocorreu após a mudança nas expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e fiscal, com reflexos também nas projeções para os juros.

Dólar avança e exportadoras sobem

O dólar terminou a semana com valorização superior a 9%, na maior cotação do ano. Com alta de 5,20% em outubro, a moeda passou a acumular ganho de 0,81% em 2026.

Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, atribuiu a queda do real principalmente ao posicionamento dos investidores antes da eleição. Segundo ele, parte do mercado apostava “unilateralmente” na vitória da oposição e esperava que, a partir de 2027, houvesse um ajuste fiscal robusto. A mudança no resultado eleitoral levou esses investidores a rever posições e buscar proteção.

Entre as 76 ações que compõem o Ibovespa, poucas fecharam a semana no campo positivo. As maiores altas foram de empresas exportadoras: Suzano avançou 17,05%, WEG subiu 13,74% e Embraer ganhou 13,41%. Também tiveram variações positivas, mas menores, TIM, com alta de 1,26%; Vale, com 0,24%; e Gerdau, com 0,04%.

Ações ligadas ao mercado interno lideram perdas

Na outra ponta, ações que haviam subido até 23 de outubro, em meio à queda dos juros futuros e à expectativa de ajuste fiscal, registraram algumas das maiores baixas da semana. Vamos recuou 62,87%, Magazine Luiza caiu 58,16% e Cosan perdeu 55,19%. C&A, Hapvida, Cyrela e MRV também tiveram perdas superiores a 50%.

Outras quedas expressivas foram as de Cogna, de 49,03%; Localiza, de 46,87%; Azzas 2154, de 43,85%; B3, de 43,17%; e Assaí, de 42,61%. Os recuos alcançaram diferentes setores, incluindo varejo, educação, saúde, construção, serviços financeiros e energia.

Lucas Castro, sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, afirmou que o mercado ainda procura um novo equilíbrio diante das incertezas sobre a política econômica brasileira a partir do próximo ano. Para ele, o resultado eleitoral provocou uma reprecificação dos ativos, intensificada pelo encerramento de posições de investidores que esperavam a vitória da oposição. Esse movimento, segundo Castro, contribuiu para a saída de recursos e para a mudança das expectativas sobre os juros.

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