Os ETFs de renda fixa atrelados à Selic reúnem títulos públicos em uma carteira negociada na Bolsa e têm sido usados por investidores na gestão de caixa e em aplicações conservadoras. Entre as opções estão LTBX11, LFTB11, CDIB11 e AUPO11, que combinam papéis pós-fixados com títulos ligados à inflação, mas seguem índices e cobram taxas diferentes.
ETF é a sigla em inglês para fundo negociado em Bolsa. Em vez de comprar cada título individualmente, o investidor adquire cotas de um fundo que busca acompanhar um índice de referência. Embora a maior parte da carteira desses quatro produtos esteja em títulos ligados à taxa básica de juros, a composição também pode provocar oscilações nas cotas e diferenças de desempenho em relação à Selic ou ao CDI, o Certificado de Depósito Interbancário.
Como funcionam os ETFs ligados à Selic
As carteiras são compostas principalmente por Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), conhecidas como Tesouro Selic. A remuneração desses títulos acompanha a taxa básica de juros. Os quatro ETFs analisados também mantêm uma parcela em NTN-Bs, títulos públicos indexados ao IPCA, o índice oficial de inflação do país. Esses papéis, chamados de Tesouro IPCA+, têm preços que podem variar quando mudam as taxas de juros reais do mercado.
A parcela de NTN-Bs também ajuda a alongar o prazo médio da carteira. Essa estrutura pode permitir que o fundo se enquadre na alíquota mais baixa de Imposto de Renda prevista para ETFs de renda fixa. Nesse tipo de fundo, a tributação depende do prazo médio de repactuação da carteira, e não do período pelo qual o investidor manteve as cotas. A alíquota pode ser de 25%, 20% ou 15%; a menor se aplica quando esse prazo médio supera 720 dias.
Os fundos não têm come-cotas, mecanismo de antecipação periódica do Imposto de Renda. Também não há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os rendimentos na negociação das cotas. O Imposto de Renda é retido na fonte. Ainda assim, a presença de NTN-Bs significa que esses ETFs não são equivalentes a uma aplicação composta apenas por Tesouro Selic: as cotas podem oscilar com as condições do mercado.
Taxas e composição dos quatro produtos
Os quatro fundos investem em títulos públicos federais, acumulam os rendimentos na própria carteira e têm liquidação da venda em D+1, ou seja, no dia útil seguinte. As diferenças aparecem nos índices de referência, na proporção de títulos e nos custos anuais.
- LTBX11, da XP Asset: acompanha o índice Teva ITBR Selic Target 760. A carteira tem cerca de 92% em LFTs e 8% em NTN-Bs. A taxa anual é de 0,14%. O fundo começou a ser negociado em março de 2026.
- LFTB11, da Investo: segue o MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration Index, com prazo-alvo de aproximadamente 760 dias. Cerca de 90,91% da carteira está em LFTs e 9,09% em NTN-Bs. A taxa anual é de 0,19%, a maior entre os quatro.
- CDIB11, da Itaú Asset: acompanha o Teva ITBR Selic IPCA Target 800, que busca manter o prazo médio da carteira próximo de 800 dias. A taxa total é de 0,14% ao ano, composta por 0,01% de administração e 0,13% de gestão.
- AUPO11, do BTG Pactual Asset: segue o Índice Teva ITBR Liquidez e combina LFTs e NTN-Bs. Sua taxa anual é de 0,1225%, a menor entre os produtos comparados.
Os prazos-alvo de 760 dias dos índices do LTBX11 e do LFTB11 diferem dos 800 dias buscados pelo CDIB11. Já o índice do AUPO11 não usa um prazo-alvo fixo igual ao dos outros: considera a volatilidade histórica das NTN-Bs para definir o prazo da carteira e busca manter o enquadramento tributário entre os rebalanceamentos.
O que considerar antes de escolher
A taxa anual, sozinha, não determina qual fundo terá melhor resultado. Cada ETF segue regras próprias de composição e rebalanceamento, que podem influenciar a rentabilidade, a volatilidade e a proximidade dos retornos em relação ao CDI. O prazo-alvo também não garante que um produto vá render mais do que os demais.
Para comparar as opções, o investidor pode observar a proporção de títulos indexados à inflação, os custos totais e o funcionamento do índice de referência. A liquidez das cotas no mercado secundário também deve entrar na análise. Apesar de todos os fundos informarem liquidação em D+1, esse prazo não elimina as variações de preço durante a negociação.
Os ETFs oferecem uma forma de acessar uma carteira de títulos públicos sem administrar individualmente vencimentos e substituições de papéis. A decisão entre LTBX11, LFTB11, CDIB11 e AUPO11 depende das características que o investidor prioriza, considerando custos, liquidez, tributação e risco de mercado.