Os mercados globais apresentavam movimentos mistos nesta terça-feira, 27 de outubro, enquanto investidores acompanhavam balanços corporativos e o início da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. No Brasil, o governo anunciou a renovação por um mês da subvenção ao diesel, e indicadores da construção civil mostraram alta de custos e avanço moderado da confiança do setor.
Bolsas têm desempenho desigual
Na Ásia-Pacífico, as ações de tecnologia avançaram com o otimismo em torno do pedido de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Anthropic. O desempenho das bolsas, porém, foi variado: o Nikkei, do Japão, subiu 1,73%, e o ASX 200, da Austrália, ganhou 0,46%. Na direção oposta, o índice Shanghai SE recuou 1,33%, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,73%, e o Nifty 50, da Índia, perdeu 0,21%.
Na Coreia do Sul, a bolsa acionou um mecanismo de compra conhecido como sidecar, que interrompe temporariamente a negociação programada, em meio à forte alta das ações locais. Na China, os lucros industriais cresceram no mês passado no ritmo mais forte desde junho. O avanço da manufatura ligada à inteligência artificial compensou o efeito da demanda interna persistentemente fraca, segundo as informações divulgadas.
Na Europa, as bolsas também operavam sem direção única. O STOXX 600 avançava 0,18%, o DAX, da Alemanha, subia 0,39%, o CAC 40, da França, ganhava 0,50%, e o FTSE MIB, da Itália, tinha alta de 0,24%. O FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,62%. As ações do HSBC caíam mais de 6% em Hong Kong depois de o banco divulgar resultados abaixo das estimativas. A instituição anunciou ainda um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão até o fim do ano.
Fed e balanços ficam no radar
Os contratos futuros dos principais índices de Nova York registravam leves altas. O Dow Jones futuro subia 0,24%, o S&P 500 futuro avançava 0,17% e o Nasdaq futuro tinha alta de 0,27%. Os investidores aguardavam a divulgação de resultados de empresas como Coca-Cola, Robinhood e Boeing nesta terça-feira. Microsoft, Alphabet e Amazon devem apresentar balanços ainda ao longo da semana.
A reunião de dois dias do Fed começa nesta terça-feira, e a decisão sobre os juros está prevista para quarta-feira, 28. A expectativa é de manutenção das taxas, mas os investidores buscam indicações sobre a possibilidade de uma nova alta até o fim do ano. Na negociação de contratos futuros de Fed Funds, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% era de 90%.
Na sessão anterior, os índices de Wall Street fecharam em alta, em um movimento de recuperação após uma semana de perdas. O Dow Jones subiu 0,28%, para 52.363,84 pontos; o S&P 500 avançou 0,70%, a 7.676,81 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,83%, aos 26.169,38 pontos. A queda dos preços do petróleo e dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos, acompanhou a recuperação dos mercados.
Diesel e construção no Brasil
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou que o governo renovará nesta terça-feira, por mais um mês, a subvenção de R$ 2,12 ao diesel. Segundo a pasta, o impacto previsto é igual ao da medida atual e será coberto por receitas extraordinárias do petróleo.
O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) subiu 0,35% em outubro, após variação de 0,25% no mês anterior. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 6,75%, acima dos 6,58% registrados até outubro de 2025. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST), do FGV IBRE, avançou 0,2 ponto no mês, para 90,7 pontos. Na média móvel trimestral, recuou 0,6 ponto, para 91,0.
Dólar, juros futuros e ações
O dólar comercial encerrou a sessão anterior em alta de 8,25% diante do real, após o resultado das eleições no Brasil. A moeda também subiu frente a outras divisas de países desenvolvidos: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar, avançou 0,17%, para 101,98 pontos. A cotação de venda da moeda norte-americana ficou em R$ 5,403, e a de compra, em R$ 5,402. Durante o pregão, a mínima foi de R$ 5,392 e a máxima, de R$ 5,605.
Os contratos de juros futuros, conhecidos como DI, fecharam em alta por toda a curva. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2027 ficou em 13,723%, com variação de 0,248 ponto percentual. Para janeiro de 2028, a taxa foi de 14,905%, com variação de 2,080 pontos. Nos vencimentos de 2029 a 2035, as taxas ficaram entre 15,185% e 15,250%.
Entre as ações, a maior queda foi a de Magazine Luiza (MGLU3), que recuou 58,23%, para R$ 5,30. VAMOS (VAMO3) caiu 56,79%, e Hapvida (HAPV3), 54,93%. Na ponta positiva, Suzano (SUZB3) subiu 10,08%, para R$ 47,40, enquanto Embraer (EMBJ3) avançou 8,89%, a R$ 96,20. Banco do Brasil (BBAS3) foi o papel com mais negócios, 401.904, e caiu 29,33%.

