O Ibovespa Futuro caía 19,85% por volta das 9h36 desta segunda-feira (26), aos 166.790 pontos, depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) em uma virada eleitoral que contrariou as expectativas dos investidores. No exterior, o fundo negociado em bolsa EWZ também recuava com força no pré-mercado, enquanto o dólar futuro avançava na B3.
Reação dos ativos brasileiros
Às 5h34, no horário de Brasília, o EWZ caía 26,04%, cotado a US$ 31,30. O fundo é o principal ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos e replica o índice MSCI Brazil. ETF é a sigla em inglês para fundo negociado em bolsa, que acompanha um índice ou uma carteira de ativos.
Na B3, o dólar futuro subia 9,16%, a R$ 5,43. Os contratos futuros são instrumentos negociados para refletir expectativas de preços em uma data adiante; neste caso, a cotação apontava uma forte valorização da moeda americana no início do pregão.
William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, afirmou que a vitória de Lula frustraria as expectativas de reformas que poderiam melhorar as finanças públicas e fortalecer as perspectivas de crescimento. Segundo ele, o aumento dos riscos fiscais e a desvalorização do real também podem pesar sobre os juros.
Jackson acrescentou que cortes nas taxas em duas reuniões ainda neste ano pareciam menos prováveis. A avaliação relaciona a perspectiva para a política monetária aos riscos fiscais e ao comportamento da moeda, sem indicar uma decisão já tomada pelo Banco Central.
Projeções para a economia
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou redução da estimativa para o dólar no fim de 2026: de R$ 5,13 para R$ 5,05. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o valor dos bens e serviços produzidos no país, caiu de 1,83% para 1,80%.
A expectativa para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou de 5,22% para 5,19%. Já a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 13,25% ao ano pela segunda semana consecutiva.
As estimativas do Focus são projeções do mercado, não resultados já observados. A queda na previsão de crescimento e as revisões para dólar, inflação e juros compõem o quadro de expectativas divulgado pelo Banco Central, em meio à forte reação dos ativos brasileiros à eleição.
Mercados globais e decisões de juros
O cenário internacional também mantinha os investidores cautelosos. A semana concentrava expectativas pelas decisões de juros nos Estados Unidos, na zona do euro e no Japão, além da temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicavam alta moderada. Por volta do horário informado na notícia, o Dow Jones Futuro avançava 0,32%, o S&P 500 subia 0,21% e o Nasdaq tinha valorização de 0,31%. Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam sem uma direção única, com atenção às decisões dos bancos centrais e à Quinta Reunião Plenária da China.
Petróleo e minério de ferro
Os preços do petróleo recuavam enquanto investidores avaliavam dois fatores: a ameaça de novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e o risco de que valores elevados reduzissem a demanda. Na sexta-feira, Trump disse que os Estados Unidos poderiam realizar outra operação militar contra o Irã. Teerã ameaçou retaliar, incluindo com ataques a cabos submarinos.
Na China, as cotações do minério de ferro fecharam perto da estabilidade. Investidores ponderavam a demanda sazonalmente mais fraca no país e as apostas em novos estímulos de Pequim para impulsionar a segunda maior economia do mundo.

