O ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, afirmou nesta quinta-feira que Nova Délhi não aceitará comprometer os interesses de agricultores ou de outros grupos no acordo comercial em negociação com os Estados Unidos. O governo indiano está perto de concluir a primeira fase do pacto, mas enfrenta críticas de organizações rurais preocupadas com a entrada de produtos agrícolas norte-americanos.
Em um evento em Nova Délhi, Goyal disse que os indianos poderão comemorar quando os detalhes do acordo forem divulgados. “Tenho a coragem de convicção para anunciar com ousadia que, assim que os detalhes do acordo comercial com os EUA forem divulgados, o povo da Índia comemorará o fato de que nenhum interesse sensível de nossos agricultores ou de qualquer parte interessada foi comprometido”, afirmou.
Críticas de grupos agrícolas
A negociação gerou oposição de representantes do setor agrícola, que temem que o governo esteja acelerando o processo e conceda aos Estados Unidos acesso ao mercado indiano para uma série de produtos. As críticas se concentram na possibilidade de redução das tarifas elevadas que a Índia aplica a itens agrícolas importados.
No início deste mês, a Samyukt Kisan Morcha (SKM), coalizão que reúne mais de 100 grupos de agricultores, afirmou que o acordo colocava “os agricultores à venda”. A organização citou milho, amêndoas, nozes, maçãs e óleo de soja entre os produtos que poderiam ser afetados pela eliminação de tarifas.
Os grupos rurais também questionam a falta de informações detalhadas sobre os termos negociados. Desde a divulgação da estrutura do acordo, organizações agrícolas têm pedido repetidamente ao governo que apresente mais dados sobre o pacto antes de sua conclusão.
Preocupação com preços e renda rural
Uma das preocupações manifestadas pelos agricultores é que o acordo permita a importação de produtos norte-americanos subsidiados. Na avaliação dos grupos, a chegada desses itens poderia pressionar os preços no mercado interno e prejudicar a renda da população rural.
O receio envolve a concorrência entre os produtos importados e a produção local, em um cenário no qual, segundo as organizações, as tarifas atualmente aplicadas pela Índia protegem determinados setores agrícolas. A possível redução dessas barreiras tornou-se um dos pontos centrais da contestação ao acordo, embora os termos finais ainda não tenham sido divulgados.
A SKM anunciou que organizará novas manifestações em novembro para protestar contra o pacto e exigir sua revogação. O comunicado da coalizão não detalhou o formato ou os locais dos atos. A mobilização aumenta a pressão sobre o governo indiano enquanto as negociações avançam.
Acordo ainda não foi assinado
Índia e Estados Unidos divulgaram em fevereiro a estrutura do acordo. O anúncio reduziu as tarifas punitivas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a maioria dos produtos indianos, mas não significou a assinatura do pacto. Os dois países ainda trabalham para superar obstáculos antes de concluir a primeira fase.
A distinção entre a estrutura divulgada e um acordo formal é relevante para o debate em curso: os termos ainda não foram apresentados integralmente, e o pacto não está assinado. Por isso, agricultores e outros grupos aguardam esclarecimentos sobre as condições comerciais e seus possíveis efeitos.
Goyal, por sua vez, disse que a Índia terá uma forte vantagem quando o acordo for fechado e reiterou que o governo não comprometerá interesses considerados sensíveis. A declaração busca responder às críticas antes da divulgação dos detalhes, mas não especifica quais produtos terão alterações tarifárias nem quais serão as condições finais para o comércio agrícola entre os países.

