Os mercados internacionais apresentavam sinais mistos na manhã desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, enquanto investidores acompanhavam resultados de empresas brasileiras e indicadores de commodities. Entre os destaques corporativos estavam os balanços da Ambev, Petrobras, Motiva e Intelbras, além de anúncios da Raízen e da Dexco.
Mercados e commodities têm variações distintas
Às 7h47, o índice DAX, da Alemanha, subia 0,73%, e o FTSE 100, de Londres, avançava 0,24%. Na Ásia, onde os pregões já haviam terminado, o Nikkei 225, do Japão, ganhou 1%, enquanto o índice de Xangai recuou 0,82% e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,59%.
O petróleo Brent, referência para os preços da Petrobras, perdia 1,18%, cotado a US$ 113,9. O bitcoin futuro recuava 1,67%, a US$ 80.170, e o contrato de ouro para dezembro de 2026 caía 0,31%, a US$ 4.038 por onça-troy.
Na bolsa de Dalian, na China, o contrato futuro de minério de ferro fechou a sessão diurna em alta de 2,40%, a 682 iuanes, equivalentes a US$ 102,3. A cotação pode influenciar as ações da Vale e da CSN Mineração, embora o preço ainda pudesse oscilar nas horas seguintes, segundo o informe.
Em Nova York, às 7h45, os contratos futuros mostravam desempenho desigual: o Dow Jones subia 0,07%, o S&P 500 recuava 0,27% e o Nasdaq perdia 0,85%.
Ambev e Petrobras divulgam números do trimestre
A Ambev registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,393 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço refletiu o crescimento do Ebitda — indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — e a redução das despesas financeiras líquidas, parcialmente compensados por maior gasto com imposto de renda. Já o lucro líquido foi de R$ 4,36 bilhões, queda anual de 10,2%.
O Ebitda orgânico ajustado da cervejaria cresceu 8,9%, para R$ 7,27 bilhões, e a receita líquida orgânica aumentou 7,6%, para R$ 21,59 bilhões. O conselho também aprovou um programa para recomprar até 190 milhões de ações ordinárias. A maior parte dos papéis deverá ser cancelada; os remanescentes poderão ficar em tesouraria, ser vendidos ou destinados a planos de remuneração em ações. O programa termina até 28 de abril de 2028.
A Petrobras informou produção própria de petróleo, líquidos de gás natural (LGN) e gás natural de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no trimestre. O volume superou o recorde anterior, de 3,33 milhões de barris diários, registrado no segundo trimestre de 2026. A produção cresceu 5,3% ante o trimestre anterior e 11,7% na comparação anual.
A estatal atribuiu o resultado à maior eficiência operacional em oito anos, ao aumento gradual da produção das plataformas P-78 e P-79, em Búzios, e ao alcance da capacidade máxima prevista do FPSO Alexandre de Gusmão, em Mero. FPSO é uma unidade flutuante que produz, armazena e transfere petróleo. No trimestre, 12 novos poços produtores entraram em operação: seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos.
As vendas de derivados no mercado interno somaram 1,854 milhão de barris por dia, alta trimestral de 6,4%. As vendas de diesel avançaram 14,4%, favorecidas pelo plantio da safra de verão e pela maior atividade industrial. As de querosene de aviação subiram 9,9%.
Resultados, ajustes e mudanças empresariais
A Motiva teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões, crescimento anual de 9,8%. O lucro atribuído aos controladores foi de R$ 3,4 bilhões, impulsionado principalmente pela venda da plataforma de aeroportos ao grupo mexicano Asur. A operação foi avaliada em R$ 12,2 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões foram recebidos em pagamento e o restante correspondeu à transferência de dívidas. O Ebitda ajustado cresceu 13,4%, para R$ 2,52 bilhões, e a receita líquida ajustada avançou 13,6%, para R$ 3,80 bilhões.
A Intelbras apurou lucro líquido de R$ 177 milhões, alta de 19,7% em um ano e de 11,8% ante o trimestre anterior. A receita operacional líquida aumentou 4,6% na comparação anual, para R$ 1,176 bilhão. Já a Dexco estimou impacto negativo não recorrente de aproximadamente R$ 190 milhões no Ebitda do trimestre, sem efeito caixa, em baixas contábeis relacionadas à otimização de sua estrutura industrial e de seu portfólio. A empresa informou que detalhará os ajustes nas demonstrações financeiras previstas para 4 de novembro.
A Raízen fechou uma transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Receita Federal para débitos de R$ 22,4 bilhões. Desse total, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade econômica da companhia e R$ 5,7 bilhões, de seus acionistas controladores. Para a parcela da Raízen, foram concedidos R$ 8,5 bilhões em descontos sobre multas e juros. O saldo de R$ 8,2 bilhões será quitado com R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais e pagamento à vista de R$ 2,5 bilhões. A empresa afirmou que o acordo é uma das condições para a reestruturação financeira prevista em seu plano de recuperação extrajudicial.
O Banco do Brasil comunicou a renúncia de Carla Nesi ao cargo de vice-presidente de negócios de varejo, com efeito a partir de 29 de outubro. Francisco Augusto Lassalvia, vice-presidente de negócios de atacado, assumirá as atribuições até a eleição de um substituto pelo conselho. A CSN, por sua vez, informou que uma reação química durante o descarregamento de ferro-gusa na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, provocou emissão de fumaça. A empresa disse que não houve vítimas, danos ambientais ou impacto na produção.
Agenda de pagamentos e balanços
A Iguatemi paga nesta quinta-feira a quarta parcela de um dividendo anunciado em dezembro de 2025, no valor de R$ 0,07 por ação. A data de corte foi 15 de outubro. Para depois do fechamento do mercado, estão previstos os resultados de Vale e Multiplan.

