Os contratos futuros de milho e trigo subiram com força em agosto e setembro, mas recuaram rapidamente em outubro, reforçando a volatilidade característica das commodities. Para investidores que buscam exposição ao agronegócio ou proteção contra a inflação, há alternativas como fundos negociados em bolsa (ETFs), ações de empresas do setor e contratos futuros, cada uma com riscos e funcionamento próprios.
Segundo o CME Group, os preços agrícolas costumam avançar durante o verão no Hemisfério Norte, quando os estoques diminuem antes das safras de outono. Neste ano, porém, as altas foram atipicamente fortes: em agosto, os futuros de milho com vencimento em dezembro subiram 16,8%, e os de trigo avançaram 18,3%. No mesmo mês do ano anterior, o milho havia ganhado cerca de 1%, enquanto o trigo caiu.
Custos mais altos do diesel para agricultores, gargalos comerciais e expectativas de oferta menor, em parte por questões climáticas, impulsionaram os preços no fim do verão. Em outubro, a tendência se inverteu. O milho passou a sofrer pressão de uma colheita maior que a esperada, do avanço dos trabalhos no campo e de estimativas de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que não acompanhavam os dados efetivos de vendas. No trigo, a fraqueza da demanda externa pesou sobre as cotações.
Alternativas para investir no agronegócio
ETFs de ações agrícolas e papéis de companhias do setor dão exposição indireta aos preços dos grãos, mas se comportam como ações: suas cotações também dependem das compras e vendas de investidores. Fundos imobiliários voltados a terras rurais, conhecidos como Farmland REITs, podem oscilar bastante e exigem conhecimento sobre valores de terras, arrendamentos e safras.
Os contratos futuros, negociados diretamente ou por meio de ETFs, são uma opção mais complexa e podem concentrar maior risco de perda patrimonial. Para investidores pessoa física que ainda não conhecem a dinâmica desses mercados, ações de empresas agropecuárias e ETFs de renda variável são apontados como alternativas mais adequadas.
Fundos e empresas ligados às safras
Entre os fundos do setor estão o VanEck Agribusiness ETF (MOO), o iShares MSCI Agriculture Producers ETF (VEGI) e o Invesco DB Agriculture Fund (DBA). MOO e VEGI investem em ações; o DBA opera com contratos futuros. Os dados informados para os fundos mostram diferenças de custos, tamanho e composição.
O MOO tinha valor patrimonial por cota de US$ 81,29, retorno total de 13,8% em um ano e taxa líquida de 0,56%. Seu patrimônio era de US$ 1,1 bilhão, distribuído por 55 ativos, e o rendimento de distribuição era de 2,2%. Lançado em 2007, investe em empresas de diferentes portes ligadas à agricultura, a serviços relacionados e a máquinas agrícolas. Companhias dos Estados Unidos representam 50,8% da carteira, que tem Deere & Co. e Bayer entre as maiores posições.
O VEGI, lançado em 2012, tinha valor patrimonial por cota de US$ 44,67 e retorno de 18,01% em um ano. A taxa líquida era de 0,39%, o patrimônio somava US$ 167 milhões e a carteira reunia 125 ativos. Cerca de 66% dos papéis eram de empresas sediadas nos Estados Unidos. A Deere respondia por 29,33% da carteira, e a Vylor, por 9,48%, o que representa concentração relevante em uma companhia.
O DBA tinha valor patrimonial por cota de US$ 28,12, retorno de 8,8% em um ano e taxa líquida de 0,83%. Com patrimônio de US$ 1,3 bilhão, mantinha posições em 14 ativos e rendimento de distribuição de 3,24%. O fundo investe em futuros e derivativos de mais de dez produtos agropecuários, entre eles gado vivo, soja, milho e trigo. As posições são lastreadas em caixa e títulos públicos americanos de curto prazo.
Entre as ações, a Deere fabrica equipamentos agrícolas e florestais. A empresa registrou receita de US$ 47,9 bilhões nos últimos 12 meses e lucro por ação de US$ 17,99. O avanço dos preços agrícolas pode elevar vendas e lucros, mas juros, comércio exterior, clima e ciclos de renovação de máquinas também afetam o desempenho.
A Nutrien atua na produção e venda de fertilizantes. Sua receita nos últimos 12 meses foi de US$ 27,3 bilhões, e o lucro por ação, de US$ 5,01. A companhia ampliou dividendos por sete anos consecutivos e gera mais de US$ 2 bilhões anuais em fluxo de caixa livre, segundo os dados apresentados. Já a Vylor vende sementes geneticamente modificadas de milho, soja e outras culturas e licencia tecnologias genéticas. A receita depende das condições dos produtores: margens favoráveis podem sustentar a compra de produtos tecnológicos, enquanto períodos difíceis podem levá-los a buscar insumos mais baratos.
Riscos e exposição à inflação
Os preços das commodities podem reagir a políticas comerciais, condições macroeconômicas, clima e especulação financeira. Tarifas e barreiras sanitárias alteram fluxos de importação e exportação; secas ou chuvas excessivas afetam o tamanho das safras; e negociações em bolsa podem provocar variações sem correspondência imediata com o mercado físico.
Embora commodities possam funcionar como proteção contra a inflação, seus preços não avançam necessariamente no mesmo ritmo que o índice geral. Oferta e demanda podem prevalecer sobre a pressão inflacionária. O aumento dos custos de cultivo, colheita, armazenamento e transporte também pode levar agricultores a reajustar preços, enquanto milho e trigo são usados em alimentos processados e rações.
Nos futuros, os contratos têm prazos curtos, geralmente de um a seis meses. Para manter uma posição, o investidor precisa fazer a rolagem: vender o contrato próximo do vencimento e comprar outro mais longo. ETFs podem executar esse processo automaticamente, mas os custos podem reduzir o retorno em relação ao preço físico das safras. Uma exposição moderada, como 5% da carteira, é citada como forma de buscar participação no setor sem submeter todo o patrimônio às oscilações das commodities.