O Ibovespa futuro abriu em queda nesta terça-feira (3), enquanto o dólar futuro avançou, em meio à cautela dos investidores com o cenário político e econômico e à volta dos negócios no Brasil após o fim de semana prolongado. No primeiro boletim Focus após as eleições, as projeções para inflação, juros e câmbio subiram, enquanto as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) recuaram em parte dos anos considerados.
Contratos começam o dia em direções opostas
Às 9h01, o contrato futuro do Ibovespa recuava 1,14%, aos 168.550 pontos. O mini-índice com vencimento em dezembro caía 1,41%, aos 167.945 pontos. Já o dólar futuro avançava 1,23%, cotado a 5.538,50 pontos, e o minidólar com vencimento em novembro subia 1,24%, a 5.539,50.
Os contratos refletem as negociações de ativos para liquidação futura e podem indicar as expectativas dos investidores antes da abertura do mercado à vista. Na sexta-feira (30), o Ibovespa fechou em baixa de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, com volume de R$ 41,80 bilhões. Na semana, o índice acumulou perda de 18,12%, após recuar em todos os pregões. Em 2026, porém, ainda registrava alta de 4,22% até aquele fechamento.
O dólar comercial encerrou a sexta-feira a R$ 5,444, com valorização de 1,10% no dia e avanço de 9,15% na semana. O movimento ocorreu apesar da queda do índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana ante divisas de países desenvolvidos. O indicador recuou 0,13%, para 101,91 pontos.
Focus eleva estimativas de inflação e juros
As projeções reunidas pelo relatório Focus apontaram aumento da inflação esperada em todos os anos até 2029. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, a estimativa para 2026 passou de 5,19% para 5,22%. Para 2027, subiu de 4,34% para 4,76%; para 2028, de 3,75% para 4%; e, para 2029, de 3,50% para 3,98%.
O mercado também passou a prever uma taxa básica de juros mais alta. A projeção para a Selic no fim de 2026 avançou de 13,25% para 13,50%. Para 2027, foi de 11,75% para 12,50%; para 2028, de 10% para 11%; e, para 2029, de 10% para 10,25%.
As estimativas para o dólar também subiram. A expectativa para 2026 foi de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, passou de R$ 5,15 para R$ 5,40; para 2028, de R$ 5,20 para R$ 5,40; e, para 2029, de R$ 5,28 para R$ 5,45. No caso do PIB, a previsão de crescimento caiu de 1,80% para 1,76% em 2026, de 1,31% para 1,20% em 2027 e de 1,81% para 1,80% em 2028. Para 2029, permaneceu em 2%.
A confiança empresarial também mostrou fraqueza: o índice calculado pelo FGV IBRE recuou 0,3 ponto em outubro, para 89,8 pontos. Na média móvel trimestral, caiu 0,6 ponto, segunda baixa consecutiva.
Exterior adiciona cautela aos mercados
O ambiente internacional também pesava sobre os ativos. As bolsas europeias operavam em baixa, com ações de tecnologia entre as principais perdas, em meio às preocupações com as perspectivas para inteligência artificial e à escalada das tensões no Oriente Médio. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda; a bolsa japonesa não abriu por causa de um feriado nacional.
Nos Estados Unidos, os índices futuros tinham desempenho misto antes das eleições de meio de mandato, que podem alterar o controle do Congresso. As pesquisas apontavam vantagem democrata na disputa pela Câmara, enquanto a corrida pelo Senado seguia indefinida. A cautela também vinha de uma nova onda de vendas de ações de tecnologia e da reação à projeção de margem da Apple, considerada decepcionante pelo mercado.
O petróleo subia após notícias de um ataque dos Estados Unidos à ilha iraniana de Qeshm e declarações de uma autoridade do Irã de que um acordo para encerrar a guerra ainda estava distante. O barril do WTI avançava 1,21%, a US$ 97,63, e o Brent subia 0,93%, a US$ 105,75. O minério de ferro negociado em Dalian, na China, caiu 0,74%, para 671 iuanes, equivalentes a US$ 100,93, pressionado pelo aumento da oferta e pela demanda fraca.
No Brasil, investidores também aguardavam a reunião de política monetária do Banco Central, em um cenário de preocupação com a política fiscal e com o efeito da inflação sobre os juros. Na abertura, os contratos de juros futuros avançaram em boa parte dos vencimentos, enquanto a taxa para janeiro de 2027 recuou 0,002 ponto percentual, para 13,637%.