Kassab diz que Lula deve formar e empoderar dupla econômica como Palocci e Meirelles


O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva precisará montar uma equipe econômica com dois nomes fortes, nos moldes da parceria entre Antonio Palocci e Henrique Meirelles no primeiro mandato do petista. Em entrevista ao programa Canal Livre, exibida neste domingo, 1º de novembro, Kassab condicionou uma eventual participação do partido na base aliada a um governo que dialogue com o centro político e apresente diretrizes claras para a economia.

Kassab defende dupla na economia

Palocci foi ministro da Fazenda e Meirelles presidiu o Banco Central (BC), a autoridade monetária do país, no primeiro governo Lula. Para Kassab, uma equipe com funções bem definidas pode conduzir a política econômica e contribuir para o equilíbrio das contas públicas e a confiança do mercado.

“Ele (Lula) ganhou assumindo alguns compromissos no campo social. Eu acho que não adianta, ele vai cumprir e é importante que cumpra. Mas ele tem que encontrar, para conduzir a política econômica, uma dupla como foi a dupla Palocci e Meirelles”, disse Kassab.

O dirigente afirmou que o PSD não deve ser considerado parte da base governista sem que o governo também se volte ao centro. Segundo ele, enviou uma mensagem a Lula para cumprimentá-lo pela vitória e pretende apresentar essa posição quando for chamado para conversar.

“Se ele fizer um governo também voltado ao centro, ele terá a chance maior de ser bem sucedido”, declarou Kassab. O PSD tem 43 deputados na Câmara, onde é a quarta maior bancada partidária. O partido perdeu cinco representantes nas eleições gerais deste ano, passando de 48 para 43.

Fazenda e Planejamento no centro da equipe

Na avaliação de Kassab, Lula deve delegar responsabilidades a dois nomes: um no Ministério do Planejamento, com atenção às despesas e à identificação de cortes, e outro na Fazenda, responsável por conduzir a política econômica e tranquilizar o mercado.

“É fundamental que o Lula empodere duas pessoas: no Planejamento, que saiba entender os gastos para fazer os cortes, e na Fazenda, que saiba tranquilizar o mercado”, afirmou. Kassab também defendeu que os responsáveis pela área econômica tenham autonomia para buscar equilíbrio fiscal, expressão usada para indicar uma situação mais controlada entre receitas e despesas do governo.

Entre os nomes cotados para o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula estão Rafael Fonteles, governador do Piauí pelo PT, e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República. Alckmin também chefiou o Ministério da Indústria e Comércio de 2023 ao início de 2026. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem mandato na instituição até dezembro de 2028.

Kassab disse que o apoio do PSD dependerá também das propostas do governo. Ele citou reformas estruturais, em especial mudanças eleitorais e no Judiciário, e defendeu que Lula deixe claras as linhas mestras da política econômica.

Ajuste fiscal e articulação no Congresso

O presidente do PSD afirmou que a confiança de investidores depende da perspectiva de equilíbrio fiscal e de redução dos juros. “O mercado são as pessoas que têm recursos, que estão no Brasil e querem ficar, ou que estão lá fora e querem vir. Mas se elas não tiverem a segurança que vai ter aqui uma queda de juros, a promoção num equilíbrio fiscal, num ajuste fiscal, vão embora e os outros não virão”, avaliou.

Kassab também defendeu que o ajuste das contas seja feito sem elevar impostos. Para isso, disse, o governo deveria reduzir gastos, subsídios e privilégios. “É o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária”, afirmou.

O dirigente classificou o cenário atual como mais desfavorável do que o de 2003, quando Lula iniciou seu primeiro mandato. Na avaliação dele, a escolha dos ministros da Fazenda e do Planejamento será determinante para o governo. Kassab disse que os dois cargos são “os pilares principais de um governo para dar certo”.

A composição da base no Congresso também será um desafio para Lula. O PL terá 121 deputados e 28 senadores, apesar da derrota de Flávio Bolsonaro. Para avançar com sua agenda, o governo precisará do apoio de partidos do Centrão, que, segundo a notícia, tendem a receber novamente ministérios.

A entrevista de Kassab foi ao ar no Canal Livre às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band.

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