A PRIO registrou lucro líquido de US$ 517 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 468% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado por maior produção de petróleo, custos menores e condições comerciais melhores, enquanto a geração de caixa e a redução da dívida ampliaram a atenção dos investidores à possibilidade de remuneração aos acionistas.
Em relatório divulgado na quarta-feira (4), os analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi, da XP, afirmaram que os resultados operacionais superaram as expectativas. A instituição manteve recomendação de compra para as ações da petroleira, negociadas sob o código PRIO3, e fixou preço-alvo de R$ 78. O valor representa potencial de valorização de 25% em relação à cotação de R$ 62,30 considerada no relatório.
Receita e produção avançam
A receita líquida da PRIO chegou a US$ 1,37 bilhão entre julho e setembro, crescimento de 146% na comparação anual e de 12% ante o segundo trimestre de 2026. O Ebitda ajustado, indicador de desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou US$ 1,07 bilhão, alta de 235% em um ano.
O Ebitda ficou 11% acima da estimativa da XP, de US$ 966 milhões. Segundo Cardoso e Sozzi, a diferença positiva refletiu principalmente receitas mais fortes e despesas operacionais menores. O avanço da produção também contribuiu para o desempenho financeiro.
A companhia produziu, em média, 185,9 mil barris de petróleo por dia no trimestre. Um dos fatores que sustentaram o volume foi Wahoo, que teve seu primeiro trimestre completo com os quatro poços produtores em operação.
Além de produzir mais, a PRIO reduziu o custo de extração, conhecido no setor como *lifting cost*. O indicador caiu para US$ 7,90 por barril, US$ 1 abaixo do registrado no trimestre anterior. Os analistas da XP esperam que os ganhos de eficiência em Peregrino e a contribuição maior de Wahoo ajudem a manter os custos em trajetória de queda nos próximos trimestres.
Geração de caixa e dívida menor
O fluxo de caixa livre ao acionista, medida do dinheiro que pode ficar disponível depois dos investimentos e de outros compromissos da empresa, alcançou US$ 781 milhões no trimestre, segundo cálculo da XP. A estimativa desconsidera as variações do capital de giro. O montante equivale a um rendimento de geração de caixa de 8,7% no período, ou cerca de 35% em termos anualizados.
Esse percentual não corresponde a dividendos anunciados nem significa que a empresa distribuirá esse valor aos acionistas. É uma medida da geração de caixa em relação ao valor de mercado da companhia. A decisão sobre o uso dos recursos cabe à PRIO, e o relatório da XP não confirma uma nova distribuição de dividendos.
A melhora financeira também permitiu reduzir a dívida líquida em US$ 586 milhões, para US$ 3,46 bilhões. A alavancagem — relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses — recuou de 1,5 vez para 1,1 vez. Para os analistas, a velocidade de redução do endividamento continuará no radar do mercado.
Recompra e expectativa de remuneração
A PRIO destinou US$ 71 milhões à recompra de ações durante o trimestre. A operação reduz a quantidade de papéis em circulação, mas não equivale ao pagamento de dividendos. O relatório da XP aponta que, com a geração de caixa em alta e a dívida em queda, a possibilidade de algum anúncio de remuneração aos acionistas ganha relevância, sem afirmar que ele ocorrerá.
O desempenho operacional e a redução dos custos devem continuar entre os pontos acompanhados pelos investidores nos próximos meses. A XP espera que a empresa siga se beneficiando da eficiência nas operações e da queda do custo de extração. Ao mesmo tempo, os analistas destacam que o ritmo de desalavancagem e a destinação do caixa serão fatores importantes para avaliar os próximos passos da companhia.
Assim, os números do terceiro trimestre combinam lucro maior, produção elevada e redução do endividamento. Embora esses fatores fortaleçam a capacidade financeira da PRIO, a empresa ainda não anunciou novos dividendos. A recompra realizada no período é a única medida de retorno aos acionistas mencionada no relatório.

