Seis ações de dividendos são as mais indicadas para renda após eleições


As carteiras de ações para novembro de 2026 mostram preferência por empresas com receitas previsíveis e capacidade de manter a distribuição de proventos, em meio à incerteza sobre as contas públicas e à perspectiva de juros elevados por mais tempo. A Petrobras lidera as recomendações de dez bancos e corretoras consultados, enquanto Allos, Axia Energia, Copel, Itaú e Vivo também aparecem entre as mais indicadas.

A Petrobras recebeu sete recomendações, seguida pela Allos, com seis. Axia Energia, Copel, Itaú e Vivo tiveram cinco indicações cada. A Vale apareceu em quatro carteiras, mas deixou a lista do Itaú BBA. O levantamento inclui carteiras de Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos.

Juros e cautela nas carteiras

O desempenho recente do mercado ajuda a explicar a busca por companhias consideradas mais defensivas. O Índice Dividendos (IDIV), que reúne ações de empresas pagadoras de proventos, caiu 9,87% em outubro. No mesmo período, o Ibovespa recuou 9,88%.

As mudanças nas recomendações também refletem essa preocupação. O BTG Pactual retirou B3, Compass e Cury de sua carteira e incluiu Caixa Seguridade, Vivo e Ultrapar. O Itaú BBA substituiu B3 por TIM. Segundo o banco, a alteração reduz a exposição da carteira à atividade do mercado de capitais.

A Genial afirmou que, com os juros elevados, passou a priorizar empresas que pagam proventos com o caixa gerado pelo próprio negócio e têm pouca ou nenhuma dívida. A estratégia busca reduzir a dependência de financiamento e de condições favoráveis no mercado.

Entre as ações mais recomendadas, os dividend yields dos últimos 12 meses — indicador que compara os proventos pagos com o preço da ação — eram de 12,25% para Petrobras, 14,06% para Allos, 3,39% para Axia Energia, 8,11% para Copel, 8,09% para Itaú e 8,02% para Vivo. Esses percentuais se referem ao período passado e são diferentes das projeções futuras apresentadas pelos bancos.

Petrobras e Allos concentram expectativas

A Petrobras ocupa o primeiro lugar no ranking pela geração de caixa e pelo histórico de proventos elevados. O BTG Pactual avalia que o resultado da eleição dificilmente mudará a direção estratégica e as perspectivas financeiras da companhia. Para 2027, o banco estima dividend yield entre 10% e 12%, considerando o petróleo Brent entre US$ 70 e US$ 80 por barril.

As projeções para o mesmo ano também são elevadas entre outras instituições: o Itaú BBA calcula retorno de 11,5% em dividendos, e o Santander, de cerca de 11%. O Santander espera que a discussão sobre dividendos extraordinários volte ao centro das atenções com o próximo Plano Estratégico da empresa. O banco, porém, aponta investimentos acima do esperado e possíveis aquisições como riscos para suas estimativas. Para a Genial, uma queda no preço do petróleo, caso os conflitos no Oriente Médio sejam resolvidos, é um dos principais riscos.

A Allos, administradora de shoppings, manteve seis indicações apesar de ter caído 20% em outubro, pressionada pela alta dos juros de longo prazo. As perspectivas de distribuição de proventos sustentam as recomendações: o BTG estima dividend yield próximo de 13% e considera sustentável a política de distribuição nos próximos anos. Para 2027, o Santander projeta 13,7% e o Itaú BBA, 15,1%.

O BTG reconhece o enfraquecimento do consumo e a desaceleração das vendas, mas cita o crescimento real dos aluguéis, a baixa vacância e a inadimplência controlada. O Santander prefere Multiplan e Iguatemi no setor, mas afirma que o retorno elevado em dividendos da Allos deve continuar sendo visto por muitos investidores como um diferencial.

Energia, bancos e telecomunicações

Na Axia Energia, o Santander considera ousada a metodologia de alocação de capital da companhia, que prevê R$ 38 bilhões em dividendos até 2030. A estimativa considera preço de energia de R$ 130 por megawatt-hora (MWh) após 2027. O Andbank projeta dividend yield de 5,1% em 2026 e classificou como misto o resultado do segundo trimestre, com lucro líquido regulatório abaixo das projeções por causa de despesas financeiras maiores.

A Copel recebeu avaliações favoráveis do BTG e do Andbank. O BTG afirma que a empresa mantém os compromissos assumidos desde a privatização e destaca resultados fortes na distribuição, a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade e uma revisão tarifária mais favorável do que a esperada pelo mercado. A estimativa do banco para o dividend yield é de 6,9%. O Andbank também manteve visão positiva após a companhia registrar alta de 21% no Ebitda ajustado do segundo trimestre. Ebitda é o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

Entre os bancos, o Santander considera o Itaú a alternativa defensiva mais natural entre as instituições que acompanha. A Ágora projeta dividend yield de 7,9% em 2026 e avalia que o banco pode se beneficiar da retomada do crédito. Segundo a corretora, o excesso de capital pode ser usado para dividendos extraordinários ou recompra de ações.

A Telefônica Brasil, que opera a marca Vivo, entrou em novembro nas carteiras do BTG, da Ágora e do Andbank. A Ágora destaca a geração de caixa, a baixa sensibilidade ao cenário macroeconômico e o perfil defensivo da empresa diante de juros longos mais altos. O Santander estima que o dividend yield suba de cerca de 5% em 2025 para 9% em 2026 e 11% em 2027. O Andbank cita o compromisso da companhia de distribuir pelo menos 100% do lucro de 2026.

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