Minério de ferro atinge menor nível em dois anos com temor sobre demanda da China


Os preços do minério de ferro recuaram nesta terça-feira, 27 de outubro, e chegaram ao menor nível em mais de dois anos, diante da preocupação com a demanda na China, principal consumidora da commodity. A perspectiva de menor consumo de aço e de aumento da oferta de minério no quarto trimestre pressionou as cotações nos mercados de Dalian e Cingapura.

Cotações atingem mínimas desde 2024

O contrato mais negociado de minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, fechou o pregão diurno em queda de 0,9%, a 664 iuanes por tonelada, equivalente a US$ 99,55. Durante a sessão, o preço chegou a 660 iuanes, o menor patamar desde 24 de setembro de 2024.

Em Cingapura, o contrato de referência para novembro recuava 0,93%, para US$ 89,65 por tonelada. Mais cedo, a cotação havia caído a US$ 89,25, nível mais baixo desde 23 de setembro de 2024. Os dois contratos refletiram a avaliação de que a procura chinesa pode perder força enquanto a disponibilidade da matéria-prima aumenta.

A pressão sobre o minério está ligada à atividade siderúrgica. A demanda por aço enfraqueceu sazonalmente, e as margens estreitas das usinas têm limitado a produção de metal quente, um material intermediário produzido nos altos-fornos. Esse volume costuma servir como indicador da demanda por minério de ferro, porque a matéria-prima é usada na produção siderúrgica.

Consumo de aço perde força

O consumo de aço costuma diminuir no quarto trimestre na China. Segundo a explicação apresentada por analistas, as temperaturas mais baixas no norte do país dificultam obras ao ar livre, reduzindo uma fonte de demanda pelo metal. Com menos necessidade de aço e margens apertadas para as siderúrgicas, a produção de metal quente também fica limitada.

Jiang Mengtian, analista da consultoria Horizon Insights, relacionou a fraqueza sazonal da demanda e as margens persistentemente estreitas à limitação da produção de metal quente. Ao mesmo tempo, a expectativa de maior oferta de minério no quarto trimestre prejudica o sentimento do mercado e contribui para a queda dos preços.

Chu Xinli, analista da corretora China Futures, afirmou que a fraqueza no mercado de aço se estendeu às matérias-primas. Segundo ele, as siderúrgicas adotaram cautela na reposição de insumos, em meio aos estoques elevados de minério nos portos e à expectativa de aumento da oferta.

Essa cautela afeta as compras imediatas das usinas: com volumes estocados nos portos e previsão de mais minério disponível, há menos pressão para repor matéria-prima. A combinação de menor disposição para comprar e perspectiva de oferta maior reforça o movimento de baixa observado nas bolsas.

Previsão para 2026 é reduzida

As perspectivas também levaram analistas da BMI a revisar para baixo sua projeção para o preço médio do minério de ferro em 2026. A estimativa passou de US$ 99 para US$ 95 por tonelada, uma redução de US$ 4 em relação à previsão anterior.

De acordo com os analistas da BMI, os embarques e a produção de minério aumentaram de modo geral ou permaneceram praticamente estáveis na maioria das grandes empresas. As mineradoras, segundo eles, buscam manter os níveis de produção. Esse comportamento contribui para a expectativa de oferta mais ampla, justamente em um período em que os sinais de demanda na China estão mais fracos.

Assim, a queda das cotações reúne fatores dos dois lados do mercado: a atividade siderúrgica enfrenta limitações, enquanto a oferta de minério tende a crescer. Os preços registrados em Dalian e Cingapura atingiram referências não vistas desde setembro de 2024, e a revisão da BMI aponta uma expectativa média mais baixa para 2026.

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