ONU eleva previsão para a produção global de cereais


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetou, nesta sexta-feira, que a produção mundial de cereais chegará a 2,999 bilhões de toneladas em 2026. A estimativa supera em 20 milhões de toneladas a previsão do mês anterior e representa o segundo maior volume já registrado.

Na safra 2026/27, porém, o comércio internacional de cereais deve recuar 3,3%, para 507,7 milhões de toneladas. A redução está relacionada principalmente à expectativa de menos embarques de trigo pelos principais exportadores, devido a limitações de oferta ou a dificuldades logísticas. Ao mesmo tempo, os estoques globais devem crescer 17,2 milhões de toneladas, ou 1,8%.

Produção chega perto de 3 bilhões de toneladas

A nova projeção da FAO indica uma revisão para cima em relação ao cálculo divulgado no mês anterior, quando a produção global de cereais para 2026 foi estimada em 2,979 bilhões de toneladas. A diferença entre as duas estimativas é de 20 milhões de toneladas. Apesar do ajuste, a organização descreveu o aumento como ligeiro.

O volume previsto, de 2,999 bilhões de toneladas, é o segundo maior já registrado. A informação aponta para uma produção global elevada, mas a previsão, por si só, não significa que os cereais estarão igualmente disponíveis para comércio em todos os mercados. A projeção de produção para 2026 e a estimativa de comércio para a safra seguinte medem aspectos diferentes: uma trata do volume produzido; a outra, das quantidades negociadas entre países.

A FAO não detalhou, na previsão divulgada, quais cereais ou regiões explicam a revisão da produção. Também não apresentou informações adicionais sobre os fatores que levaram ao aumento em relação ao cálculo anterior. Assim, o dado divulgado permite comparar o total projetado com a estimativa do mês passado e com os recordes históricos, mas não identifica a contribuição de cada produto ou país.

Comércio de cereais deve encolher

Para a safra 2026/27, o comércio mundial de cereais está estimado em 507,7 milhões de toneladas, uma queda de 3,3%. Em termos absolutos, isso corresponde a aproximadamente 17,3 milhões de toneladas a menos do que o volume implícito na previsão anterior à redução. A FAO atribui a maior parte da retração esperada à diminuição dos embarques de trigo.

A previsão envolve todos os principais exportadores de trigo, que devem enviar volumes menores ao mercado internacional. A organização associa essa redução a restrições de abastecimento ou a problemas logísticos. A divulgação não especifica quais exportadores serão afetados por cada tipo de limitação, nem quantifica separadamente a queda prevista para o trigo.

A combinação de produção global próxima de 3 bilhões de toneladas e comércio em baixa mostra que o tamanho da safra total não determina, sozinho, o volume negociado entre países. Mesmo com uma produção elevada, obstáculos de oferta ou transporte podem limitar os embarques, segundo os fatores apontados pela FAO. Para quem acompanha o mercado, a previsão destaca a diferença entre o volume disponível no conjunto da produção e a parcela que deve circular internacionalmente.

Estoques crescem com acúmulo de trigo

Os estoques globais de cereais devem aumentar 17,2 milhões de toneladas, alta de 1,8%. De acordo com a FAO, o avanço reflete em grande parte estoques mais elevados de trigo na Rússia e na Ucrânia. Interrupções nas exportações desses países estão contribuindo para o acúmulo de produtos.

O aumento dos estoques, portanto, ocorre ao mesmo tempo que a previsão de redução do comércio. No caso citado pela organização, a dificuldade de exportar contribui para que mais trigo permaneça acumulado na Rússia e na Ucrânia. A informação não indica quanto do crescimento total dos estoques virá de cada país, nem detalha a distribuição dos volumes entre outros cereais.

Os números divulgados pela FAO reúnem três movimentos distintos para o período: produção global ligeiramente maior que a estimada no mês anterior, comércio internacional menor na safra 2026/27 e crescimento dos estoques, impulsionado em grande parte pelo trigo acumulado na Rússia e na Ucrânia. As projeções não apresentam uma avaliação sobre preços ou sobre efeitos para consumidores e produtores.

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