A OPEP+ chegou a um acordo em princípio para manter inalteradas em dezembro as metas de produção de petróleo, segundo três fontes a par das discussões. A decisão deve ser debatida neste domingo (1º), em reunião online de sete integrantes do grupo, enquanto os países concentram as negociações nas cotas de 2027.
O entendimento indica que não são esperados novos ajustes na política de produção até o próximo ano. Ainda assim, a definição formal depende da reunião dos principais membros, que também discutirá o cenário de oferta em meio às tensões no Oriente Médio e às limitações que afetaram as exportações de alguns produtores.
Reunião discute metas de dezembro
Participarão do encontro Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. Os sete países integram o grupo que define a política de produção da OPEP+, aliança formada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e por países aliados, entre eles a Rússia.
O plano de manter as metas sem mudanças em dezembro segue a linha da decisão anterior, quando o grupo preservou os níveis de produção diante das incertezas no mercado global. A maioria dos produtores, porém, continua extraindo volumes inferiores às próprias metas. Assim, os limites acordados não correspondem necessariamente à quantidade de petróleo que chega efetivamente ao mercado.
Os membros do Golfo vêm ampliando as exportações, após meses de dificuldades associadas à guerra no Irã e às restrições no Estreito de Ormuz. Essas interrupções também contribuíram para que produtores da região ficassem aquém de suas cotas. A notícia de que as exportações estão aumentando não altera, por si só, as metas oficiais discutidas pela aliança.
Cortes seguem em vigor
Em setembro, a OPEP+ concluiu a reversão gradual de um corte de oferta de 1,65 milhão de barris por dia (bpd), medida acertada inicialmente em 2023. A retirada desse corte foi concluída apesar das interrupções que limitaram a produção e as exportações de países do Golfo.
Há ainda outra rodada de cortes, de cerca de 2 milhões de barris por dia, que abrange a maioria dos integrantes e permanece prevista até o fim de 2026. A discussão sobre a manutenção ou a reversão desses limites está ligada à avaliação da capacidade de produção dos membros, etapa que o grupo pretende concluir durante o quarto trimestre.
A capacidade avaliada servirá de referência para estabelecer os níveis de produção de 2027. Esses parâmetros vão orientar as futuras cotas e ajudar a definir como os cortes ainda em vigor poderão ser retirados. Até que a revisão termine, o grupo não tem a base prevista para estabelecer os novos níveis de referência.
Mercado acompanha tensão no Oriente Médio
A política de produção é acompanhada pelo mercado porque as metas definem os limites acordados entre os integrantes da aliança. A produção efetiva, contudo, também depende das condições de cada país, como mostram os volumes abaixo das cotas registrados por muitos produtores. A retomada das exportações no Golfo pode alterar a oferta disponível, enquanto os cortes mantidos restringem a produção autorizada para parte dos membros.
Os preços internacionais seguem sob pressão das tensões no Oriente Médio. Na sexta-feira (30), o petróleo subiu em meio a ataques e incertezas na região. A decisão sobre dezembro, portanto, ocorre num cenário em que as discussões sobre oferta se combinam com interrupções recentes e com a revisão das capacidades produtivas que deverá embasar as cotas de 2027.

