O preço do tomate acumulou alta de 58,70% no Brasil entre janeiro e outubro de 2026, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço foi impulsionado por problemas climáticos, redução da área cultivada e atraso na maturação dos frutos, fatores que limitaram a oferta mesmo em uma época do ano em que os preços costumam perder força.
A sequência de aumentos foi expressiva: o tomate subiu 37,76% em setembro e teve nova alta de 24,54% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, indicador que antecipa a inflação oficial. O impacto no orçamento varia conforme a região. No acumulado até setembro, a alta chegou a 93,61% em Belo Horizonte e a 92,20% em Curitiba. Recife teve a menor variação entre as cidades citadas, de 10,39%.
Clima prejudicou lavouras e colheita
O aumento contraria o padrão esperado para o período, quando a entrada da safra de inverno e a melhora da oferta costumam reduzir a pressão sobre as cotações. Em 2026, chuvas acima do esperado e períodos de temperaturas mais baixas afetaram o desenvolvimento das plantações em importantes regiões produtoras. A umidade também dificultou o acesso às lavouras e as operações de colheita.
João Paulo Deleo, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), explicou que a produção de tomate tem volatilidade porque depende da área plantada, do calendário de cultivo, da produtividade e das condições meteorológicas. Neste ano, a combinação desses fatores foi desfavorável.
Dias nublados e chuvosos reduziram a fotossíntese das plantas e contribuíram para o desenvolvimento de frutos menores. Já as temperaturas baixas retardaram a maturação, atrasando a chegada do produto ao mercado. Com menos tomate colhido, a oferta disponível cai e os preços tendem a reagir.
Os dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) mostram a pressão também no atacado. Em setembro, o setor de legumes do entreposto registrou alta de 12,05%, enquanto o tomate Carmem avançou 58,88%. A companhia associou o movimento às oscilações climáticas na transição entre inverno e primavera.
Menor área plantada limita oferta
Além das condições do tempo, a área dedicada ao cultivo também diminuiu nas regiões acompanhadas pelo Cepea. O recuo foi de 5,4% em 2026 e chegou a 16,3% em dois anos. A redução ocorreu, em parte, após prejuízos registrados em safras anteriores.
Com uma área menor, problemas de produtividade podem ter efeito mais intenso sobre o volume colhido. Essa combinação ajuda a explicar por que a recuperação da oferta não acompanhou a demanda do mercado. Em outubro, o volume de tomate comercializado na Ceagesp cresceu em relação a setembro, mas ainda ficou cerca de 33% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.
Os preços médios de diferentes variedades no atacado paulista também refletiram a escassez. Em outubro, o quilo do Carmem custou R$ 7,59, alta de 30% ante setembro e de 134,3% na comparação com outubro de 2025. O Pizzadoro chegou a R$ 7,19 por quilo e o Débora, a R$ 6,02.
Novas colheitas podem recompor oferta
A alta não significa necessariamente que o tomate permanecerá caro durante todo o verão. Por ter ciclo relativamente curto, a cultura pode responder à recuperação da produção em prazo menor do que lavouras de ciclo mais longo. A Ceagesp avalia que a entrada de novas colheitas tende a favorecer a recomposição da oferta e uma possível estabilização dos preços.
Essa perspectiva depende, porém, da sazonalidade e das condições climáticas. Mudanças nos padrões de chuva e temperatura associadas ao El Niño podem manter a volatilidade da produção agrícola nos próximos meses. No caso do tomate, alterações no ritmo de maturação ou na produtividade podem afetar rapidamente o volume disponível em feiras, supermercados e sacolões.

