Protestos por salários em Bangladesh ameaçam entregas para H&M e Zara


Fábricas de vestuário de Bangladesh retomaram brevemente a produção nesta segunda-feira, 2 de novembro, depois de uma paralisação generalizada no domingo, mas novos confrontos entre trabalhadores e policiais levaram centenas de unidades a interromper as atividades novamente. Os protestos, motivados por reivindicações salariais, ameaçam atrasar remessas e abalar a confiança de compradores internacionais em um período importante para os pedidos de exportação da primavera e do verão.

Os trabalhadores pedem que o salário mínimo mensal passe de 12.500 para 30.000 takas, o equivalente a US$ 243. A mobilização incluiu bloqueios de estradas, danos a fábricas e confrontos com a polícia nos principais distritos industriais. Segundo as informações divulgadas por autoridades policiais e representantes do setor, 679 fábricas suspenderam a produção.

Paralisações atingem centros industriais

Na capital, Daca, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que tentavam bloquear estradas. De acordo com as autoridades, os trabalhadores atiraram tijolos e pedras contra os policiais. Distúrbios também foram registrados em Ashulia e Gazipur, dois centros industriais localizados nos arredores da capital.

Autoridades policiais e do setor afirmaram que manifestantes incendiaram um veículo da polícia e vandalizaram várias fábricas. Os episódios desta segunda-feira ocorreram após os protestos e fechamentos de unidades no domingo. Mesmo depois da retomada temporária da produção, a continuidade dos atos levou novas fábricas a parar.

A paralisação pode afetar o fluxo de mercadorias em um momento sensível para a indústria, quando são produzidos pedidos destinados às coleções de primavera e verão. A notícia dos protestos também levantou preocupações sobre a confiança dos compradores, entre eles marcas como H&M, Zara, Walmart e Primark. A fonte não informa o volume de pedidos afetados nem o tamanho de eventuais atrasos.

Salário mínimo em discussão

O governo formou no domingo uma comissão salarial de seis integrantes para analisar as reivindicações. A iniciativa ocorreu em meio à inflação persistente e ao aumento do custo de vida, fatores que reforçaram a mobilização por uma remuneração maior. O grupo deverá avaliar a demanda dos trabalhadores, mas não foram informados prazo para a análise nem uma decisão sobre o novo valor.

Babul Akhter, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Têxteis e Industriais de Bangladesh e representante dos trabalhadores na comissão, afirmou que o país tem um dos salários mais baixos do mundo no setor têxtil. Ele defendeu que os donos de fábricas negociem preços melhores com compradores internacionais caso não consigam pagar mais aos empregados.

“Não podem construir um negócio às custas de trabalhadores mal remunerados”, disse Akhter. A declaração relaciona a reivindicação salarial às condições comerciais entre fabricantes e compradores, mas a reportagem não apresenta valores negociados nem posicionamentos das marcas citadas.

Peso do setor para a economia

Bangladesh é o segundo maior exportador de vestuário do mundo, atrás apenas da China. As confecções respondem por mais de 80% das receitas de exportação do país, empregam cerca de 4 milhões de pessoas e representam aproximadamente 10% da produção econômica.

Esse peso ajuda a explicar por que a interrupção das fábricas repercute além dos locais de trabalho. A suspensão da produção pode pressionar prazos de entrega para compradores internacionais, enquanto a instabilidade pode afetar a percepção sobre a capacidade de fornecimento do país. Por enquanto, porém, não há estimativa divulgada de perdas ou de impacto financeiro decorrente das paralisações.

Os protestos mantêm em evidência duas questões simultâneas para a indústria: a demanda dos trabalhadores por salários maiores e a continuidade das operações nas fábricas. A comissão criada pelo governo abriu um canal para discutir os salários, enquanto os novos confrontos mostram que a paralisação ainda não foi resolvida.

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