A RD Saúde, dona das redes Raia e Drogasil e negociada na B3 pelo código RADL3, teve lucro líquido ajustado de R$ 439,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu o crescimento das vendas e a redução das despesas financeiras, apesar da pressão sobre as margens da companhia.
Receita e vendas avançam
A receita líquida somou R$ 11,4 bilhões entre julho e setembro, avanço anual de 7,8%. O Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — alcançou R$ 1,024 bilhão, crescimento de 14,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
Mesmo com o avanço do Ebitda, a margem Ebitda recuou 0,1 ponto porcentual, para 7,8%. A empresa atribuiu a pressão aos investimentos feitos no fim de 2025 em remuneração e benefícios dos funcionários. A margem indica a parcela da receita que se converte em Ebitda e permite acompanhar a evolução do resultado operacional em relação às vendas.
As vendas mesmas lojas, que consideram unidades em operação nos períodos comparados, cresceram 10,1%. Nas lojas maduras, com mais de três anos de funcionamento, a alta foi de 8,4%. Esse desempenho ficou 5,6 pontos porcentuais acima do reajuste de preços de medicamentos autorizado neste ano, segundo os dados divulgados pela companhia.
O lucro ajustado também foi afetado pela venda da 4Bio. Sem considerar os efeitos dessa operação, o avanço anual teria sido de 20,1%, e a margem líquida teria aumentado 0,1 ponto porcentual. A margem líquida relaciona o lucro à receita e mostra quanto da receita permanece como resultado após as despesas.
Medicamentos de marca e canais digitais
As vendas de medicamentos de marca cresceram 19,8%. A categoria inclui tratamentos à base de GLP-1, sigla para uma classe de medicamentos usada em tratamentos de diabetes e obesidade. A RD Saúde relacionou parte do avanço ao lançamento de novos produtos com semaglutida.
De acordo com a empresa, esses lançamentos ampliaram o acesso aos tratamentos. O aumento do volume vendido compensou a redução dos preços médios. A companhia também afirmou que o fornecimento ainda enfrenta restrições: “ainda observamos um abastecimento limitado da indústria para essas novas marcas”.
Os canais digitais continuaram a crescer. A receita bruta nessa frente chegou a R$ 3,8 bilhões, alta de 27,2% em um ano. As vendas online representaram 29,4% do faturamento do varejo, aumento de 2,7 pontos porcentuais na comparação anual. O dado mostra a participação das vendas digitais no negócio de varejo da empresa, enquanto o valor de receita indica o montante bruto registrado por esse canal.
Investimentos, caixa e dívida
Os investimentos totalizaram R$ 418,3 milhões no trimestre, crescimento de 13,9% ante igual período do ano passado. No mesmo intervalo, o fluxo de caixa livre caiu de R$ 615,6 milhões para R$ 160,2 milhões. Esse indicador mostra os recursos que restam após os desembolsos necessários para a operação e os investimentos considerados pela empresa.
A dívida líquida ajustada encerrou setembro em R$ 2,9 bilhões, recuo de 15,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A redução da dívida ocorreu em um trimestre em que a companhia registrou crescimento de receita e de Ebitda, mas também elevou os investimentos e teve queda no fluxo de caixa livre.
Os resultados combinam, portanto, expansão das vendas e melhora do lucro ajustado com pontos de pressão sobre a rentabilidade e a geração de caixa. A margem Ebitda diminuiu ligeiramente, e o fluxo de caixa livre ficou abaixo do registrado um ano antes. Por outro lado, a dívida líquida ajustada terminou setembro menor na comparação anual, enquanto as vendas digitais e as de medicamentos de marca avançaram.