Na próxima quarta-feira, dia 9, o novo CEO da Apple, João Ternus, levará ao palco do evento intitulado Surpresa e brilho a apresentação de três novos modelos de iPhones. Todo lançamento de smartphone, não importa a marca, provoca mudanças significativas no mercado global. Três novidades se destacam nesse evento: a adoção de inteligência artificial de forma mais abrangente, a introdução de um smartphone dobrável e uma nova abordagem para a estratégia de lançamentos da linha do iPhone.
Inteligência Artificial no iPhone
A Apple acaba de fortalecer seu sistema operacional iOS 26 com a integração do Google Gêmeos, o que, ao mesmo tempo, coloca a gigante da tecnologia em uma posição sobre a concorrência no modelo de base, sem abrir mão da segurança de sua nuvem privada. Essa mudança representa um passo significativo na maneira como a Apple se relaciona com a inteligência artificial.
Desde a introdução da assistente virtual Siri no iPhone 4S em 2011, a Apple tem buscado inovações nessa área. No entanto, só em 2024 a empresa adicionou recursos de inteligência artificial baseados em LLM à Siri, como parte da esperada Inteligência da Apple, apresentada na WWDC 2024. Desde essa atualização, a Apple ainda enfrenta desafios para oferecer uma inteligência artificial integrada ao nível dos seus concorrentes da Android.
Com o lançamento da nova versão do iOS 26 e a série iPhone 18 Pro, a Apple planeja utilizar a tecnologia Gêmeos do Google em certos aspectos do pacote de inteligência da empresa. Enquanto essa tecnologia opera nos servidores da Apple, assegurando a privacidade que os usuários esperam, ela, de certa forma, abre espaço para que o Google consolide sua posição no campo da inteligência artificial móvel. Isso pode ser considerado um ponto crucial para o Google, estabelecendo sua trajetória na corrida pela IA.
Esse movimento não é inédito para a Apple, que já utilizou soluções do Google anteriormente, como sua ferramenta de busca. Em lugar de desenvolver um mecanismo próprio, a Apple escolheu se manter dependente do Google como padrão para as buscas no iPhone, o que acaba gerando um custo significativo para a gigante da busca. Estaremos assistindo se essa mesma dinâmica ocorrerá com inteligência artificial, à semelhança do que ocorreu no setor de busca.
iPhone Ultra: A Chegada do Dobravel
A presença do iPhone Ultra dobrável marca a entrada da Apple no segmento de aparelhos ultra-premium, confirmando a viabilidade comercial das tecnologias de telas flexíveis que estão se espalhando pelo globo. Isso é especialmente notável após a Samsung ter lançado o primeiro smartphone dobrável acessível ao público em 2019 com seu Galaxy Fold.
Desde então, a expectativa em torno do iPhone dobrável nunca diminuiu. Com o iPhone Ultra, seguimos um mantra usual sobre a Apple: a marca pode não ser a pioneira, mas quando finalmente aponta a sua direção, a execução tende a ser superior. Isso é um reflexo do ecossistema robusto que a Apple construiu ao longo dos anos, gerando uma base fiel de usuários que aguardam ansiosamente por inovações. Afinal, muitos estão esperando por um smartphone dobrável no ecossistema Apple desde 2019.
Independentemente da quantidade de unidades disponíveis inicialmente, o iPhone Ultra terá seu valor reconhecido. Sua entrada no mercado não só oficializa a presença da Apple neste novo segmento de dispositivos como também cria um burburinho significativo na mídia e nas publicações online, impulsionando todo o mercado de dispositivos dobráveis.
Enquanto isso, a Samsung trabalha para garantir que seu Galaxy Z Fold 8, modelo que apresenta um design amplo igual ao do iPhone Ultra, esteja disponível em níveis globais. O mercado de telefones dobráveis estava esperando ansiosamente pela influência da Apple; agora que chegou, vamos observar como essa novidade se posiciona frente a um veterano já consolidado.
Divisão do Lançamento do iPhone 18 Pro
A Apple decidiu segmentar a geração do iPhone 18 em modelos Pro, a serem lançados no final de 2026, e versões mais básicas, que chegarão em 2027. Essa estratégia garante que as vendas de final de ano se concentrem em segmentos mais robustos, enquanto protege as versões básicas da concorrência.
Um dos pontos mais interessantes desse lançamento não é apenas o que será disponibilizado, mas o que não será. A primeira onda a chegar inclui os modelos iPhone 18 Pro, 18 Pro Max e Ultra, focados no público que busca especificações mais avançadas e um preço mais elevado. Com a aproximação do quarto trimestre, a estratégia da Apple para maximizar vendas e receitas assume uma importância crucial no atual cenário econômico.
Por outro lado, os modelos voltados diretamente ao consumidor, iPhone 18 e iPhone 18 Air, serão lançados apenas no final de março ou início de abril de 2027, coincidindo com o lançamento do suposto iPhone 18. Esse movimento parece intencional, já que, em 2026, não haverá um modelo voltado para o consumidor; o iPhone 18 Pro básico será a opção de entrada. Isso sugere que a Apple visa, de fato, forçar a venda do modelo Pro até o próximo ciclo de lançamentos.
Em 2027, o cenário mudará novamente, com a Apple lançando uma nova linha direcionada ao consumidor. Essa época do ano, historicamente, se revela um solo fértil para aparelhos Android de gama intermediária e alta. Agora, com novos iPhones se aproximando, a cobertura da mídia e as interações online começarão a aumentar, ofuscando os eventos, como o Mobile World Congress, que ocorre em março em Barcelona.
Assim, a Apple não só garante visibilidade para seus dispositivos de consumo, mas também cria uma vantagem em relação à nova tecnologia dos aparelhos profissionais, ao mesmo tempo em que amplia a frequência de lançamentos e diminui o espaço para que concorrentes gerem cobertura midiática. Essa é, sem dúvida, uma vitória estratégica para a Apple.
Desafios para Desenvolvedores de Aplicativos
Os crescentes custos das matérias-primas, impulsionados pela alta demanda dos data centers de IA e pelas tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, indicam que os preços para a fabricação de hardware da Apple não tendem a cair no curto e médio prazo. Enquanto aumentos de preços podem ajudar a equilibrar os custos, a geração de novas fontes de receita será crucial para manter a lucratividade.
Neste contexto, a App Store surge como um dos pilares que a Apple espera fortalecer para aumentar seus lucros. Recentes mudanças na equipe executiva, como a saída de Phil Schiller, antigo líder da App Store, revelam um potencial conflito de visão sobre o futuro da loja. O novo CEO João Ternus, juntamente com Eddy Cue, que lidera os serviços, podem ter perspectivas distintas sobre como maximizar os lucros da plataforma.
Mark Gurman, em sua newsletter Power On da Bloomberg, mencionou que enquanto Ternus e Cue buscam maneiras de amplificar os lucros da App Store, Schiller, por outro lado, parece preocupado que tais táticas possam afastar desenvolvedores e governos. Embora não existam conflitos explícitos, essa divergência sugere que a Apple pode enfrentar desafios significativos em gerar receitas adicionais sem descontentar a base de desenvolvedores.
Com a Apple ampliando sua estratégia de serviços recorrentes, como aumentos freqüentes em preços de assinaturas e introdução de programas como leasing de iPhones, a App Store está se tornando um foco crítico. Tanto desenvolvedores como usuários devem estar prontos para a pressão que a Apple pode aplicar neste setor.
O Futuro da Indústria de Smartphones
As recentes mudanças da Apple em seu ciclo de produtos, sua dependência de software de terceiros e a elevação dos preços garantem uma defesa sólida contra a tendência de ciclos de atualização cada vez mais curtos no mercado de smartphones.
A geração do iPhone está adentrando um espaço inexplorado, e isso acontece de uma maneira única e inovadora, como somente a Apple sabe fazer. Os consumidores leais ao ecossistema Apple continuam propensos a permanecer, principalmente agora com a chegada dos dispositivos dobráveis. Por outro lado, os fiéis ao Android não verão motivos para trocar de ecossistema, já que mudarem requereria a recompra de aplicativos e novos acessórios e ainda rezar para que seus serviços de assinatura continuem acessíveis. E existe, ainda, um grupo intermediário que pode oscilar entre plataformas, dependendo do humor.
O verdadeiro impacto do evento da Apple em setembro reside em suas implicações para todo o ecossistema de smartphones. A empresa poderá transformar o discurso sobre smartphones medianos, revisitar o conceito de dispositivos dobráveis e permitir que um de seus parceiros consolide sua liderança na corrida da inteligência artificial.
O evento do iPhone transcende a simples apresentação de novos modelos; trata-se de um horizonte onde se definirá quem realmente moldará o futuro dos smartphones.
Durante o mês de setembro, estarei acompanhando momentos na história do iPhone que deixaram marcas profundas. Fique atento à minha série na Forbes, intitulado “30 Dias de iPhone”, para descobrir mais sobre esses momentos impactantes.
Artigo originalmente publicado em Forbes.com


