A produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27, que vai de abril a março, deve somar 38,42 milhões de toneladas, queda de 5% em relação ao ciclo anterior. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira pela consultoria Datagro e considera uma menor parcela da cana-de-açúcar destinada à fabricação do produto. Para o etanol, a projeção é de alta: a produção total, feita a partir de cana e milho, deve crescer 10,4%, para 37,2 bilhões de litros.
Açúcar terá menor produção
A previsão da Datagro aponta redução de 5% no volume de açúcar fabricado no Centro-Sul. O principal fator indicado pela consultoria é a diminuição da alocação de cana para a produção do adoçante. Em outras palavras, a estimativa considera que uma parcela menor da matéria-prima será direcionada às usinas de açúcar.
Com a projeção de 38,42 milhões de toneladas e a queda informada de 5%, o volume do ciclo anterior pode ser estimado em cerca de 40,44 milhões de toneladas. Esse cálculo é aproximado e serve apenas como referência para comparar os dois períodos. A Datagro não informou, no texto divulgado, qual será a produção de açúcar de cada unidade ou quanto da redução decorrerá de fatores específicos além da mudança na destinação da cana.
O número se refere à safra 2026/27, período que começa em abril e termina em março. A janela de referência é relevante para a leitura dos dados porque não coincide com o ano-calendário. Assim, a projeção apresentada compara ciclos agrícolas, e não necessariamente a produção entre janeiro e dezembro.
Etanol deve avançar
Na direção oposta à do açúcar, a produção total de etanol deve aumentar. A previsão é de 37,2 bilhões de litros na safra 2026/27, considerando tanto o combustível produzido a partir da cana quanto o feito com milho. O crescimento estimado é de 10,4% ante o ciclo anterior.
Segundo a Datagro, a expansão do setor de etanol de milho e a maior participação da cana na fabricação do biocombustível sustentam a alta. A expressão “mix de cana” diz respeito à parcela da matéria-prima destinada a cada produto. Neste caso, a consultoria prevê que uma fatia maior da cana será usada para produzir etanol, ao mesmo tempo que a produção do combustível de milho também se expandirá.
Com base no avanço de 10,4%, o volume total de etanol do ciclo anterior pode ser calculado em aproximadamente 33,7 bilhões de litros. Assim como no caso do açúcar, trata-se de uma estimativa derivada dos percentuais e volumes divulgados, não de um número apresentado diretamente pela consultoria.
Projeções apontam destinos diferentes para a cana
As estimativas combinam uma queda na produção de açúcar com uma expansão do etanol. A diferença acompanha a mudança prevista na distribuição da cana entre os dois produtos, além do crescimento da fabricação de etanol de milho. Os números indicam, portanto, perspectivas distintas para os segmentos na mesma safra, sem que a projeção para um deles determine, por si só, o resultado do outro.
Para acompanhar a previsão, os dados centrais são o volume estimado de cada produto e a variação em relação ao ciclo anterior: 38,42 milhões de toneladas de açúcar, com recuo de 5%, e 37,2 bilhões de litros de etanol, com aumento de 10,4%. A estimativa da Datagro não apresenta, no material divulgado, projeções de preços, exportações ou efeitos sobre o abastecimento. Por isso, os números descrevem a expectativa de produção para a safra, sem indicar por si mesmos como esses mercados vão se comportar.

