Taxas dos DIs recuam com exterior e à espera do Copom


As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) caíram nesta quarta-feira, 4 de novembro, em meio ao recuo dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos após a vitória dos democratas nas eleições legislativas do país. No Brasil, investidores também aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic, prevista para o fim do dia.

No fechamento da tarde, o DI com vencimento em janeiro de 2028 ficou em 14,42%, ante 14,629% no ajuste da sessão anterior. O contrato para janeiro de 2035 recuou para 15,03%, de 15,485%. As taxas dos DIs refletem as expectativas do mercado para os juros em diferentes prazos.

Resultado nos EUA reduz incertezas

Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos na terça-feira. O partido avançou em distritos tradicionalmente conservadores, em um resultado que expressou oposição ao presidente Donald Trump e alterou a composição política do Congresso.

A perspectiva de que Trump terá de negociar com as duas casas legislativas, agora controladas pelos democratas, foi recebida com otimismo por agentes financeiros. A avaliação é que a divisão de poder reduz a possibilidade de mudanças econômicas bruscas e aumenta a previsibilidade sobre as decisões do governo americano.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirmou que a perspectiva de um Congresso dividido foi bem recebida pelos mercados porque diminui as chances de alterações abruptas na política econômica e oferece maior previsibilidade global. Esse alívio contribuiu para a queda dos rendimentos dos Treasuries, os títulos do governo dos Estados Unidos, e se refletiu nos mercados de renda fixa de outros países.

Às 16h47, o rendimento do Treasury de dez anos recuava seis pontos-base, para 4,892%. Um ponto-base corresponde a 0,01 ponto percentual. O título de dez anos é acompanhado por investidores como referência global para decisões de investimento, segundo a notícia.

Mercado espera decisão do Copom

No mercado brasileiro, a atenção também estava voltada para a decisão do Copom. Uma pesquisa da Reuters indicava que o colegiado deveria manter a Selic, interrompendo temporariamente a sequência de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial.

A expectativa de manutenção não significava, por si só, uma definição sobre os próximos passos da política monetária. As projeções citadas apontavam para preocupação com as expectativas de inflação, sobretudo em prazos mais longos. Em relatório, a XP afirmou que a alta dessas expectativas, inclusive para 2029, exigia uma resposta da política monetária para evitar uma piora adiante.

A instituição esperava que o comunicado divulgado após a reunião adotasse um tom mais duro, expressão também conhecida como hawkish, e mantivesse em aberto as decisões das reuniões seguintes. Um tom desse tipo sinaliza maior atenção ao controle da inflação, mas não determina sozinho se os juros subirão ou cairão.

Projeção de juros segue condicionada

A XP projetava que a Selic permaneceria em 13,75% até o fim de 2027. A própria instituição, porém, classificou o cenário futuro como particularmente incerto e vinculou os próximos movimentos à evolução dos ativos financeiros brasileiros e da inflação.

Segundo a análise da XP, o Copom poderia retomar os cortes caso os ativos do país se estabilizassem e as perspectivas inflacionárias melhorassem. Por outro lado, a instituição não descartou uma elevação da taxa básica se os fundamentos econômicos justificassem essa medida. A projeção, portanto, dependia das condições que se formassem nos períodos seguintes.

A queda das taxas dos DIs ocorreu nesse contexto de fatores externos e domésticos. No exterior, o resultado das eleições americanas reduziu a percepção de incerteza sobre mudanças na política econômica. No Brasil, a espera pela decisão do Copom manteve o foco dos investidores sobre a inflação e sobre a trajetória futura da Selic.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Fachin dá prazo de 15 dias para PGR se manifestar sobre indiciamento de Vorcaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR)...

Quem leu, também se interessou