A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o Wegovy em comprimidos, da Novo Nordisk, para tratar obesidade e sobrepeso em adultos. A decisão pode ampliar o mercado brasileiro de medicamentos que atuam no GLP-1, hormônio ligado à regulação do apetite, e aumentar a concorrência para a Hypera, segundo avaliação do Goldman Sachs. A farmacêutica prevê iniciar as vendas no país no primeiro semestre de 2027.
O comprimido é o primeiro agonista do GLP-1 por via oral aprovado no Brasil especificamente para o controle crônico do peso. Para o Goldman, a nova apresentação pode atrair pessoas que evitam tratamentos com injeções e, assim, expandir o grupo de pacientes que considera usar esse tipo de medicamento.
O banco cita como referência a estreia do Wegovy oral nos Estados Unidos. No primeiro trimestre após o lançamento, o produto chegou a cerca de 1,3 milhão de prescrições, um dos lançamentos mais rápidos da última década no país, segundo o relatório.
Semavy tem vantagens no curto prazo
Apesar da entrada de um novo concorrente, o Goldman manteve sua projeção de vendas de aproximadamente R$ 353 milhões para a Semavy, caneta emagrecedora da Hypera, em 2027. O valor corresponde a cerca de 3,8% da receita bruta estimada da companhia.
Os analistas apontam que a Semavy teve um início forte no Brasil, com cerca de 93 mil unidades vendidas no primeiro mês. Entre os fatores que podem sustentar a posição do produto, o banco menciona a força de vendas médica da Hypera, sua experiência no relacionamento com prescritores e preços mais acessíveis.
O relatório compara os preços mensais nos Estados Unidos: o Wegovy em comprimidos custa entre US$ 150 e US$ 300, enquanto a Semavy é comercializada por um valor equivalente a aproximadamente US$ 60 a US$ 85. Para o Goldman, essa diferença pode ajudar a manter a competitividade da Hypera.
Concorrência pode pesar nos próximos anos
O Goldman vê pouco impacto imediato da aprovação sobre a Semavy, mas avalia que o Wegovy oral pode reduzir o ritmo de crescimento do produto da Hypera ao longo dos próximos anos. A preocupação é que o comprimido atraia parte dos novos pacientes que poderiam iniciar um tratamento com uma caneta injetável.
Na análise do banco, a disputa tende a ocorrer principalmente pela conquista de novos usuários, e não pela migração de pacientes que já usam medicamentos injetáveis. A conveniência da apresentação oral pode influenciar pessoas resistentes às injeções a entrar no mercado de tratamentos com GLP-1.
Essa possibilidade amplia o mercado potencial, mas também cria uma concorrência adicional por pacientes. O relatório, porém, não prevê uma substituição direta dos usuários atuais de canetas pelo Wegovy em comprimidos. A avaliação é de que o novo produto pode atrair um público que ainda não utiliza esses tratamentos.
Goldman mantém recomendação de compra
Mesmo com a perspectiva de maior concorrência, o Goldman Sachs manteve recomendação de compra para as ações da Hypera, negociadas sob o código HYPE3, e preço-alvo de R$ 26 para os próximos 12 meses. O cálculo considera uma avaliação por fluxo de caixa descontado, com crescimento perpétuo de 4,5% e custo médio ponderado de capital de 14%.
Entre os riscos citados pelo banco estão uma desaceleração das vendas, o aumento da concorrência em medicamentos genéricos e de prescrição, gastos maiores com pesquisa e desenvolvimento e um crescimento abaixo do esperado para lançamentos recentes.
Na avaliação dos analistas, o desempenho inicial da Semavy e as vantagens competitivas da Hypera ainda sustentam uma perspectiva positiva para a ação. A aprovação do Wegovy oral acrescenta um concorrente relevante, mas o Goldman considera que o impacto sobre a empresa deve se tornar mais perceptível no médio prazo, à medida que a nova opção chegar ao mercado brasileiro.

