Unimed tem o dobro da participação no mercado de planos de saúde no interior


As cooperativas médicas responderam por 43,3% dos vínculos a planos de assistência médica no interior do Brasil em junho de 2026, o dobro da participação registrada nas capitais, de 21,5%, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para ampliar o atendimento fora dos grandes centros, essas organizações investem em hospitais, clínicas e serviços especializados, embora a menor oferta de profissionais e os custos de operação ainda dificultem a expansão.

Diferença de estrutura entre interior e capitais

Dos 53,05 milhões de brasileiros vinculados a planos de saúde, 32,76 milhões vivem no interior. A presença de redes próprias e de prestadores credenciados pode reduzir a necessidade de pacientes viajarem por horas até as capitais para receber atendimento. A expansão, porém, ocorre em um cenário de desigualdade na distribuição de profissionais e estruturas hospitalares.

O estudo Demografia Médica no Brasil 2025 apontou que, em 2024, as capitais tinham média de 6,97 médicos por mil habitantes, ante 1,90 no interior. Já o Censo Brasileiro de UTIs 2024, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, registrou 25,58 leitos de terapia intensiva por 100 mil habitantes nos municípios que não são capitais, taxa quase três vezes menor que a das capitais.

Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil, afirma que o cooperativismo médico favorece a fixação de profissionais e a oferta de tecnologia no interior. A Unimed, maior sistema de cooperativas médicas do país, está presente em nove de cada dez municípios brasileiros, segundo o executivo.

Investimento depende de equilíbrio financeiro

Em algumas cidades, hospitais, clínicas e laboratórios disponíveis para credenciamento não atendem à demanda dos beneficiários ou não reúnem todos os requisitos exigidos pela ANS. Uma alternativa é construir ou manter estruturas próprias, mas o investimento é mais difícil de sustentar em municípios menores, onde as carteiras de clientes tendem a ser reduzidas.

“Nos municípios de pequeno e médio portes, as carteiras das operadoras são menores, o que reduz a capacidade de arcar com um equipamento de saúde. A inflação médica, pressionada no interior por limitações logísticas e pela menor oferta de fornecedores, amplia o desafio”, disse Abujamra. Ele defende regras estáveis e previsibilidade jurídica, além da incorporação de tecnologias com base em evidências científicas e custo-efetividade.

Antônio Carlos Cardoso, presidente da Unimed Campo Mourão, no Paraná, afirma que uma rede própria permite à cooperativa acompanhar os serviços, avaliar resultados e direcionar tratamentos. A estratégia, no entanto, precisa ser conciliada com os custos de cobertura. Quando a estrutura local não oferece um procedimento previsto na lista obrigatória da ANS, a operadora precisa buscar prestadores na região ou em outros locais.

“É um desafio que precisa estar na balança todos os dias da gestão, porque impacta nos custos da operadora e também no bolso do beneficiário, por meio da mensalidade e da coparticipação”, afirmou Cardoso. Em sistemas integrados, cooperativas também podem recorrer a redes credenciadas e estruturas próprias de outras unidades, conforme as condições do contrato e a cobertura do plano.

Hospitais em construção e novas unidades

Em Campo Mourão, a cooperativa aguarda licenças e alvarás para abrir seu Hospital Regional, projeto planejado em 2014 e que recebeu mais de R$ 80 milhões em investimentos. Com mais de 10 mil metros quadrados, a unidade terá 90 leitos, incluindo dez de terapia intensiva adulta, quatro salas cirúrgicas e um centro oncológico.

Parte do financiamento veio diretamente da construtora e outra parte foi viabilizada pela Credicoamo Cooperativa de Crédito. Segundo Cardoso, também houve recursos dos médicos cooperados e da própria cooperativa. A Unimed Campo Mourão tem mais de 140 médicos cooperados e contratou 80 profissionais para o hospital.

Em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, a Unimed Sul Mineira investiu mais de R$ 200 milhões em um hospital de 22.787 metros quadrados, com previsão de 308 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva adulta, infantil e neonatal. Em setembro de 2026, a cooperativa anunciou vagas para formar as equipes da unidade, que deve começar a operar em breve.

Outros projetos estão em andamento em Barra do Piraí e Itaperuna, no Rio de Janeiro. A Unimed Centro Sul Fluminense informou, em agosto de 2026, que as obras de seu hospital avançavam, com entrega prevista para 2027. Em Itaperuna, a unidade da Unimed Norte Fluminense terá mais de 12 mil metros quadrados e capacidade superior a 100 leitos, além de centro cirúrgico, pronto-socorro e serviços de oncologia, hemodinâmica e diagnóstico por imagem.

Rede cooperativa amplia atendimento

Há também hospitais que já entraram em operação. Em Concórdia, Santa Catarina, a cooperativa local iniciou os atendimentos em fevereiro de 2025, com 32 leitos de internação, dez de hospital-dia, três salas cirúrgicas e laboratório. No mesmo ano, a Unimed Campina Grande inaugurou um hospital viabilizado por um fundo de investimento imobiliário; a Seguros Unimed informou a captação de R$ 101,7 milhões para o empreendimento.

As Unimeds de Londrina e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, também inauguraram hospitais em 2025 e 2024, respectivamente. No total, o Sistema Unimed reúne 176 hospitais próprios, 649 clínicas, 49 centros de diagnóstico, 308 laboratórios, 12 centros de oncologia e 98 estruturas de Atenção Primária à Saúde. Mantém ainda mais de 30 mil estabelecimentos e serviços credenciados e está presente em 92% do território nacional.

O país tem 695 cooperativas da área da saúde, de acordo com o Anuário do Cooperativismo da Organização das Cooperativas Brasileiras. Desse total, 35% oferecem planos médicos e 29,1% prestam serviços médicos.

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