O Uruguai retomou na sexta-feira (6) as importações de carne de aves e outros produtos avícolas do Brasil, mas manteve a proibição para mercadorias provenientes de Santa Catarina. A decisão encerrou a última suspensão que abrangia todo o território brasileiro após a identificação de um foco da doença de Newcastle no estado. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ainda há restrições de dez países às exportações catarinenses.
Retomada não inclui Santa Catarina
A medida uruguaia vale para produtos avícolas brasileiros, com exceção dos originários de Santa Catarina. A retomada, portanto, remove a restrição de abrangência nacional, mas não libera integralmente as exportações do setor para o país vizinho. O veto estadual permanece entre as limitações comerciais adotadas após o registro da doença.
O foco foi identificado em outubro, em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A ocorrência levou diversos países a restringir a importação de carne de aves e outros produtos brasileiros. No início da crise, Uruguai, México e Malásia adotaram medidas que alcançavam todo o Brasil, embora cada país tenha definido regras diferentes para os produtos afetados.
Com a decisão anunciada na sexta-feira, o Uruguai deixou de manter uma suspensão nacional. A Malásia também passou a limitar suas restrições a Santa Catarina, depois de reconhecer a regionalização sanitária — abordagem que restringe medidas à área afetada, em vez de aplicá-las a todo o país. O México suspendeu a importação de diversas categorias de produtos avícolas.
Produtos atingidos variam por país
A suspensão mexicana abrange carne de aves, miúdos, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves vivas. No caso uruguaio, a proibição temporária incluía a entrada e o trânsito de aves suscetíveis à doença, além de seus produtos e subprodutos. O país previa exceções para mercadorias submetidas a tratamentos capazes de inativar o vírus.
As diferenças nas regras significam que a retomada das importações por um país não representa, necessariamente, a liberação de todos os itens avícolas ou de todas as regiões brasileiras. No caso do Uruguai, a restrição permanece vinculada à origem catarinense. Já as medidas mexicanas citadas na notícia abrangem várias categorias de produtos, enquanto a Malásia restringiu o alcance geográfico de suas limitações.
Entre os mercados que ainda impõem restrições a produtos de Santa Catarina estão China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai e Uzbequistão. Também há medidas dos integrantes da União Econômica Eurasiática: Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. O levantamento do Mapa informa que dez países mantêm limitações, embora a relação citada inclua esses mercados e os cinco integrantes do bloco.
Impacto potencial sobre os embarques
O Mapa estima que as restrições ainda em vigor podem afetar cerca de 15 mil toneladas de produtos avícolas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de aproximadamente 500 mil toneladas. A estimativa considera o impacto potencial das limitações, e não uma redução efetivamente registrada nas exportações.
Os números mostram que o volume sujeito às restrições representa uma parcela da média exportada pelo país, mas a retomada uruguaia não encerra as limitações impostas a Santa Catarina. A abrangência das medidas varia entre os mercados e os produtos, conforme as regras adotadas por cada destino. Por isso, o efeito comercial depende de quais mercadorias e regiões permanecem impedidas de acessar cada país.
Doença afeta aves e exige controle
A doença de Newcastle é viral e atinge principalmente aves. Pode causar problemas respiratórios, digestivos e neurológicos, além de elevada mortalidade nos plantéis. O controle exige medidas de biossegurança, vigilância epidemiológica e restrições à circulação de animais e produtos provenientes das áreas afetadas.
Essas medidas sanitárias ajudam a explicar por que as limitações podem variar conforme a origem dos produtos e o tratamento a que foram submetidos. No caso uruguaio, a fonte prevê exceções para mercadorias tratadas para inativar o vírus, enquanto a restrição a Santa Catarina segue em vigor. A retomada nacional, assim, convive com controles dirigidos à área onde o foco foi identificado.

