Vendas da Apple superam estimativas, mas China segue como ponto fraco


A Apple informou nesta segunda-feira que sua receita cresceu 12%, para US$ 114,5 bilhões, no quarto trimestre fiscal, encerrado em 26 de setembro, superando ligeiramente as estimativas de Wall Street. O resultado veio apesar de as vendas na Grande China terem ficado abaixo do esperado e mostrou desempenho desigual entre as áreas de negócio da companhia.

iPhone sustenta o crescimento

A receita total superou a previsão média de US$ 113,5 bilhões feita por analistas consultados pela Bloomberg. A empresa havia projetado crescimento entre 9% e 11%. Ainda assim, o avanço desacelerou em relação à alta de 16% registrada no trimestre encerrado em junho.

O iPhone, principal fonte de receita da Apple, teve alta de 17%, para US$ 57,6 bilhões, acima da estimativa média de US$ 56,5 bilhões. O resultado indica que a companhia conseguiu manter o desempenho da linha mesmo com mudanças no calendário de lançamentos deste ano.

Em setembro, a Apple apresentou apenas os modelos iPhone 18 Pro. O iPhone 18 tradicional e o iPhone Air estão previstos para o primeiro semestre de 2027. Já o iPhone Duo, aparelho dobrável da empresa, chegou ao mercado em 23 de outubro, depois do encerramento do trimestre divulgado.

As vendas na Grande China aumentaram 21%, para US$ 17,5 bilhões. Apesar do crescimento, o valor ficou mais de US$ 1 bilhão abaixo das expectativas dos analistas. A região foi, assim, um dos pontos de atenção do balanço, que também mostrou resultados mais fracos para iPads e dispositivos vestíveis.

Serviços e computadores avançam

A divisão de Serviços, que reúne ofertas como App Store, iCloud, Apple TV e streaming de música, cresceu 9,8%, para US$ 31,6 bilhões, em linha com as projeções do mercado. O lucro por ação, indicador que divide o lucro da empresa pelo número de ações, foi de US$ 2,10. A estimativa era de US$ 2.

A receita dos computadores Mac subiu 24%, para US$ 10,8 bilhões, acima da previsão média de US$ 9,7 bilhões. A empresa começa a entregar em 6 de novembro o MacBook Pro com tela sensível ao toque, um iMac atualizado e uma nova versão básica do MacBook Pro.

A Apple também planeja renovar outros computadores nos próximos meses. Segundo a Bloomberg News, a companhia prepara um novo MacBook Neo e uma nova geração do MacBook Air para o início do próximo ano. A empresa espera manter o ritmo de crescimento da divisão Mac com os lançamentos.

iPad e vestíveis ficam abaixo das estimativas

A receita do iPad foi de US$ 6,23 bilhões, abaixo da estimativa de US$ 6,9 bilhões. Um novo iPad mini deve chegar ao mercado neste trimestre. Para o próximo ano, a companhia prevê renovar o iPad Air, o tablet de entrada e o iPad Pro.

A divisão de dispositivos vestíveis, casa e acessórios registrou US$ 8,3 bilhões em receita, queda de 7,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado também ficou abaixo da expectativa de US$ 9 bilhões. Durante o trimestre, a Apple lançou os AirPods 5 e dois novos modelos de smartwatch, mas as atualizações foram descritas como relativamente modestas.

Mercado acompanha novos produtos

O balanço foi o primeiro divulgado sob o comando do novo presidente-executivo, John Ternus. Ele assumiu o cargo em 1º de setembro e ficou responsável pelo último mês do trimestre fiscal. Desde então, supervisionou o lançamento do iPhone Duo dobrável, do MacBook Pro com tela sensível ao toque e do hub doméstico HomeView. Nenhum dos três produtos estava à venda antes do início do trimestre atual, que termina em dezembro.

As ações da Apple subiam menos de 1% nas negociações após o fechamento do mercado, depois da divulgação dos resultados. Até o encerramento do pregão de segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 24% em 2026.

A empresa costuma apresentar uma projeção de receita para o trimestre em andamento durante a teleconferência de resultados. Investidores acompanharão as indicações sobre a contribuição do iPhone dobrável nas vendas de fim de ano e sobre quando a oferta do aparelho poderá acompanhar a demanda.

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