Segurança cibernética na era da IA é essencial para empresas latino-americanas


Estudo encomendado pela Dell Technologies aponta que 93% dos entrevistados consideram a resiliência cibernética uma prioridade crítica para os negócios, mas 56% dizem que as lideranças superestimam a preparação das empresas para ataques. Os dados, de uma pesquisa com organizações de países que incluem Brasil e México, foram apresentados em meio à expansão da inteligência artificial (IA), que amplia recursos de proteção e também a exposição a riscos digitais.

Para Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies para a América Latina, a segurança precisa deixar de ser tratada apenas como uma tarefa da área de tecnologia. Na avaliação do executivo, ataques podem interromper operações, comprometer informações estratégicas e afetar a confiança dos clientes, o que torna o tema parte das decisões de negócio.

IA amplia oportunidades e riscos

A inteligência artificial pode ajudar a identificar vulnerabilidades, reconhecer comportamentos suspeitos e acelerar a resposta a incidentes. Ao mesmo tempo, a expansão da IA generativa e dos agentes autônomos permite que sistemas acessem informações, executem tarefas e tomem decisões em velocidade superior à capacidade de supervisão humana em tempo real.

Esse avanço exige que a segurança seja considerada desde o início dos projetos, em vez de ser incorporada apenas depois da implementação. A governança deve estabelecer a quais informações os agentes podem ter acesso, quais ações podem realizar e em que situações precisam de aprovação humana.

Controles de identidade, registros que permitam rastrear decisões e revisões periódicas de permissões também fazem parte dessa proteção. Segundo Gonçalves, a automação pode acelerar a identificação de ameaças, mas profissionais ainda precisam definir prioridades, avaliar riscos e estabelecer limites para a atuação dos sistemas.

A pesquisa indica que 39% das organizações latino-americanas têm alto nível de automação na resposta a incidentes. O dado reforça, na análise do executivo, que o uso de tecnologia precisa estar associado à experiência e ao julgamento das equipes, e não substituir a capacidade humana de decisão.

Risco cibernético chega aos conselhos

O tema também envolve a alta administração. De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados na América Latina afirmam que os conselhos de administração ainda tratam os riscos cibernéticos principalmente como uma questão de tecnologia da informação (TI).

Gonçalves argumenta que as consequências de um ataque podem ultrapassar os limites de um departamento e afetar a continuidade dos negócios. Por isso, a segurança deve ser considerada em decisões sobre investimentos, inovação e sustentabilidade das operações.

A diferença entre a percepção de preparo e a capacidade real de resposta é outro ponto de atenção. Embora 93% dos entrevistados vejam a resiliência como prioridade, mais da metade afirma que as lideranças superestimam o nível de preparação das empresas. Para o executivo, reduzir essa distância requer transformar a preocupação em medidas que mantenham as operações em funcionamento.

Recuperação também exige planejamento

Prevenir ataques não elimina a possibilidade de incidentes. Na América Latina, 78% das organizações reconhecem que criminosos direcionam cada vez mais ações aos sistemas de backup, usados para manter cópias de dados. Ainda assim, 66% priorizam a prevenção em detrimento da preparação para recuperação.

O levantamento também mostra que 70% das organizações não conseguem cumprir de forma consistente todos os seus acordos de nível de serviço críticos, compromissos que estabelecem padrões para a prestação de serviços. Os indicadores apontam desafios para restabelecer atividades e atender obrigações depois de uma interrupção.

Uma estratégia de resiliência, segundo Gonçalves, deve integrar prevenção, proteção de dados, infraestrutura segura e recuperação operacional. Isso inclui manter ambientes de recuperação protegidos, testar periodicamente os procedimentos e garantir cópias confiáveis das informações essenciais. A capacidade de retomar as atividades com rapidez e segurança é parte da resposta a um ataque, além da tentativa de evitá-lo.

Na era da IA, a integridade e a disponibilidade dos dados também afetam o funcionamento dos modelos e sistemas inteligentes. Informações comprometidas, corrompidas ou indisponíveis podem prejudicar decisões automatizadas e interromper processos. Por isso, o executivo defende que a modernização da infraestrutura e o fortalecimento da segurança sejam tratados como iniciativas complementares.

Para Gonçalves, a segurança deve ser vista como uma condição para adotar novas tecnologias com confiança. A abordagem, segundo ele, depende de infraestrutura resiliente, governança integrada, processos definidos e profissionais preparados para responder a mudanças e ameaças.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Como usar inteligência artificial para comprar um imóvel

Empresas argentinas estão usando inteligência artificial (IA) para organizar anúncios, identificar informações inconsistentes e agilizar o atendimento no mercado...

Quem leu, também se interessou