Preço do minério de ferro sobe com recuperação da produção siderúrgica


Os contratos futuros de minério de ferro avançaram nesta quinta-feira, 29 de outubro, e alcançaram o maior patamar em quase duas semanas. A alta foi sustentada pela recuperação da produção nas siderúrgicas chinesas e pelo aumento das taxas de frete, mas ficou limitada por restrições à fabricação de aço na província de Hebei.

O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, com vencimento em janeiro, subiu 2,4%, para 682 iuanes por tonelada, equivalente a US$ 102,30. Em Cingapura, o contrato de referência para dezembro avançava 1,51%, a US$ 91,60 por tonelada. Os dois papéis atingiram o nível mais alto desde 19 de outubro.

Produção chinesa voltou a crescer

Na China, a produção média diária de metal quente aumentou pela segunda semana consecutiva. O volume subiu 3.700 toneladas, ou 0,16%, e chegou a 2,36 milhões de toneladas, segundo dados do Shanghai Metals Market (SMM). A elevação ocorreu com a retomada das operações de altos-fornos após períodos de manutenção.

Os altos-fornos são equipamentos usados na produção de metal quente, etapa ligada à fabricação de aço. Entre as 242 usinas acompanhadas pela SMM, a taxa de operação desses equipamentos avançou 0,14 ponto percentual em relação à semana anterior, para 87,3% em 28 de outubro.

Analistas da SMM disseram que a recuperação da produção e o aumento das compras podem continuar dando suporte aos preços do minério. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma ressalva: as aquisições seguem concentradas nas necessidades das usinas, diante das limitações de oferta e de margem.

Esse quadro combina maior atividade nas siderúrgicas com cautela na reposição de minério. A retomada dos altos-fornos contribuiu para elevar a demanda pelo insumo, mas, conforme os analistas, as compras não indicam uma procura sem restrições. A evolução dos preços dependerá, portanto, tanto da continuidade da recuperação produtiva quanto dos limites enfrentados pelas usinas para adquirir minério.

Fretes mais caros dão suporte aos preços

O transporte marítimo também influenciou o mercado. Em 28 de outubro, aumentaram as tarifas de duas rotas usadas para levar minério à China, de acordo com dados da consultoria Mysteel. No trajeto Capesize C5, da Austrália para a China, o frete subiu US$ 0,26, para US$ 14,10 por tonelada.

Na rota C3, do Brasil para a China, a tarifa avançou US$ 0,55, para US$ 34,58 por tonelada. Fretes mais altos tendem a sustentar o preço do minério no destino, segundo a informação divulgada. Assim, além da produção das siderúrgicas, o custo do transporte aparece como um fator de apoio às cotações na China.

Os valores das duas rotas não são iguais: o frete informado para o trajeto brasileiro ficou acima do registrado na rota australiana. A notícia não atribui a diferença a uma causa específica, mas aponta que as altas nas duas tarifas contribuíram para o ambiente de valorização dos contratos futuros.

Restrições em Hebei limitam avanço

O movimento de alta foi moderado pelas medidas ambientais que restringem a produção de aço em Hebei. As limitações já afetaram a atividade siderúrgica na cidade de Handan e podem alcançar usinas de Tangshan, importante polo siderúrgico da província, segundo analistas da SMM.

Hebei aplica controles à produção de aço entre 25 e 31 de outubro. Caso a poluição piore, as medidas mais rigorosas estão previstas para 15 de novembro, de acordo com uma nota de analistas da GF Futures. A possibilidade de restrições adicionais representa um limite à recuperação da produção que vinha sustentando a procura por minério.

O mercado acompanha, assim, forças em sentidos diferentes. A retomada dos altos-fornos e a elevação dos fretes favoreceram os preços, enquanto os controles ambientais em Hebei reduziram o impulso das cotações. A extensão do suporte da demanda dependerá da continuidade da produção chinesa e do alcance das medidas sobre as siderúrgicas da província.

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