Latam Airlines lucra US$ 441 milhões no 3º trimestre


A Latam Airlines registrou lucro líquido de US$ 441 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 16,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu apesar da pressão do combustível sobre os custos: a receita operacional cresceu 18,4%, enquanto o Ebitda ajustado — indicador do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — recuou 4,7%, para US$ 1,095 bilhão.

Combustível pressiona margens

A despesa com querosene de aviação aumentou 60,9% na comparação anual, para US$ 1,57 bilhão. O preço médio por barril, já consideradas as operações de proteção contra oscilações de preços, subiu 52,1%, para US$ 167. O consumo de combustível cresceu 5,8%.

A companhia estimou que a alta do combustível teve impacto de cerca de US$ 520 milhões em relação ao terceiro trimestre de 2025. Segundo a empresa, aproximadamente 80% desse efeito foi repassado por meio das receitas.

O aumento dos custos contribuiu para a queda das margens. A margem do Ebitda ajustado recuou 5,8 pontos percentuais, para 24% no fim de setembro. O resultado operacional ajustado caiu 17,9%, para US$ 573 milhões, e sua margem passou de 18,1% para 12,5% em um ano.

As despesas operacionais ajustadas somaram US$ 3,995 bilhões, crescimento de 26,5%. Além do querosene, a valorização de cerca de 5,7% do real na comparação anual afetou os custos. O custo unitário de passageiros sem combustível subiu 3,5%, para 4,6 centavos de dólar por assento-quilômetro. De acordo com a Latam, sem o efeito cambial, esse indicador teria ficado praticamente estável.

Receita de passageiros cresce

A receita operacional totalizou US$ 4,567 bilhões. A receita com passageiros avançou 17,8%, para US$ 3,998 bilhões, impulsionada por tarifas mais altas. A receita por passageiro-quilômetro cresceu 11,7%, enquanto a receita por assento disponível aumentou 9,4%. No segmento premium, o avanço foi de 23%.

A capacidade, medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK, na sigla em inglês), aumentou 7,7%. A demanda, calculada em passageiros-quilômetros pagos (RPK), subiu 5,5%. Como a capacidade cresceu mais do que a demanda, a taxa de ocupação caiu de 85,4% para 83,7%.

O lucro líquido também foi favorecido por despesas financeiras menores. Os gastos com juros caíram 29%, para US$ 183 milhões. A comparação com o terceiro trimestre de 2025 inclui uma despesa não recorrente de US$ 105 milhões relacionada à reestruturação da dívida concluída em julho daquele ano.

O resultado financeiro líquido foi negativo em US$ 118,4 milhões, ante um saldo negativo de US$ 238,2 milhões um ano antes. A redução das despesas abaixo do resultado operacional ajudou o lucro a crescer mesmo com a queda do resultado operacional ajustado.

Caixa e projeções para 2026

A Latam encerrou setembro com liquidez de US$ 4,446 bilhões. Desse total, US$ 2,871 bilhões estavam em caixa e US$ 1,575 bilhão correspondiam a linhas de crédito rotativo não utilizadas. O montante equivale a 26,4% da receita dos 12 meses anteriores.

A dívida líquida, incluindo arrendamentos, era de US$ 6,4 bilhões. A alavancagem, relação entre a dívida e a capacidade de geração de resultados da empresa, permaneceu estável em 1,5 vez.

A companhia revisou suas projeções para 2026. A estimativa de receita passou para uma faixa de US$ 17,6 bilhões a US$ 17,8 bilhões, ante previsão anterior de US$ 17,3 bilhões a US$ 17,7 bilhões. Já a projeção de Ebitda ajustado foi reduzida de US$ 4,1 bilhões a US$ 4,4 bilhões para US$ 3,9 bilhões a US$ 4,05 bilhões.

A estimativa para a margem operacional ajustada também caiu: antes entre 12% e 13%, agora está entre 10,5% e 11,5%. A revisão considera preços mais altos do combustível no quarto trimestre. A Latam passou a projetar o barril a US$ 180, ante US$ 130 na estimativa anterior.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Paes aciona o TRE-RJ e pede a cassação da chapa de Douglas Ruas

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) pediu à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Douglas...

Quem leu, também se interessou