Ação da Tenda (TEND3) cai 17,7% após resultados fracos no 3º trimestre


As ações da Tenda (TEND3) caíram 17,72% nesta quinta-feira (5) e fecharam cotadas a R$ 16,25, a maior baixa do Ibovespa na sessão. A reação ocorreu após a construtora divulgar resultados negativos no terceiro trimestre de 2026 (3T26), com margens abaixo do esperado e lucro líquido inferior às projeções de analistas.

Lucro ficou abaixo das estimativas

O JPMorgan classificou o trimestre como muito fraco. A Tenda registrou lucro líquido recorrente de R$ 106 milhões, sem considerar uma perda de R$ 49 milhões ligada à marcação a mercado de uma operação de troca de ações, conhecida como share swap. O resultado recorrente ficou 30% abaixo da estimativa do banco e 40% abaixo do consenso do mercado.

Segundo o JPMorgan, as margens brutas menores que o previsto ajudam a explicar a diferença. A pressão veio de fatores como preços, composição do portfólio de produtos, redução dos recebíveis sem garantia após a entrega dos imóveis — chamados de pro-soluto —, inflação, descontos e cancelamentos de contratos.

A XP Investimentos também avaliou os resultados como fracos, sobretudo por causa da queda das margens brutas. A corretora observou que parte da pressão pode diminuir com a saída de descontos antigos no Rio de Janeiro e de cancelamentos associados à greve. A administração da Tenda, por sua vez, já indicou melhora nos repasses, nos preços e nas margens de vendas.

Apesar desses sinais, a XP considera desafiador o lucro necessário no quarto trimestre para cumprir a projeção da empresa. Com o guidance — a estimativa divulgada pela própria companhia — mantido para 2026, a Tenda teria de obter lucro líquido ex-swap entre R$ 180 milhões e R$ 240 milhões no 4T26. No trimestre anterior, o resultado nessa base foi de R$ 106,5 milhões.

Meta anual exige avanço no 4º trimestre

Para alcançar o limite inferior de sua projeção de lucro líquido para 2026, de R$ 600 milhões, a Tenda precisa registrar R$ 180 milhões no último trimestre do ano. Antes da divulgação do balanço, o JPMorgan estimava lucro de R$ 174 milhões para o período, valor abaixo do necessário para chegar a esse piso anual.

O Itaú BBA também destacou a deterioração das margens. A margem bruta ajustada do negócio principal recuou 5,3 pontos percentuais entre o segundo e o terceiro trimestre, passando de 39,9% para 34,6%. A queda trimestral foi influenciada, entre outros fatores, pela redução de 2,9 pontos percentuais nas margens de vendas novas.

O banco citou preços menores após cortes nos recebíveis pro-soluto pós-entrega e descontos no Rio de Janeiro. Nesse mercado, a concessão mais rigorosa de financiamentos imobiliários pela Caixa Econômica Federal (CEF) também entrou entre os fatores apontados. Mix de produtos, ausência de reconhecimento de economias de custos, provisões adicionais e cancelamentos completaram a lista de pressões sobre as margens.

Analistas mantêm recomendações, com ressalvas

O Goldman Sachs observou que a receita da Tenda superou sua expectativa, mas os custos ao longo da operação reduziram as margens de lucro bruto e contribuíram para um resultado líquido abaixo das estimativas. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 29. O Itaú BBA também reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 58.

O JPMorgan igualmente manteve recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 52,50. Na avaliação do banco, a TEND3 negocia a 2,9 vezes o múltiplo preço/lucro (P/L) projetado para 2027. O indicador compara o preço da ação com o lucro esperado. Para Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), a faixa citada pelo JPMorgan vai de 4,2 a 5,7 vezes.

Já o Bradesco BBI apontou riscos de revisão para baixo nas estimativas de 2027, diante da compressão das margens e da desaceleração das vendas. O banco também avaliou que a redução do pro-soluto após a entrega, embora prudente do ponto de vista de crédito, limita o mercado que a construtora pode atender e tende a manter pressão sobre as ações no curto prazo.

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