A Nutrien registrou lucro por ação abaixo das expectativas no terceiro trimestre, em meio à redução das vendas de fertilizantes nitrogenados e ao aumento dos custos de produção. A empresa, maior produtora mundial de potássio, informou na quinta-feira que lucrou 61 centavos por ação, ante previsão de 80 centavos dos analistas.
Crédito limita compras no Brasil
Na teleconferência de resultados, a companhia afirmou que agricultores com dificuldades financeiras estão adiando a compra de fertilizantes nitrogenados. O movimento é especialmente visível no Brasil, onde, segundo a Nutrien, o crédito disponível para os produtores se esgotou e contribuiu para a queda das vendas desses insumos e de outros produtos.
A empresa também reduziu as vendas no varejo brasileiro. A decisão busca concentrar os esforços em produtores considerados de alta qualidade e diminuir o risco de crédito, conforme explicou a companhia. A Nutrien informou ainda que revisa seu negócio de varejo no país e espera chegar a conclusões até o fim do ano.
O quadro mostra como a capacidade de financiamento dos agricultores influencia as vendas de insumos. No caso brasileiro, a companhia relacionou diretamente a retração comercial ao esgotamento do crédito. Ao mesmo tempo, afirmou que espera que a demanda chinesa permaneça firme, associando essa expectativa à necessidade de garantir a segurança alimentar.
Custos pressionam as margens
A queda nas vendas de fertilizantes nitrogenados se somou à alta dos custos de produção, incluindo os de enxofre. Embora os preços dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados estejam elevados, o gás natural e o enxofre também ficaram mais caros, restringindo as margens desses produtos. A fonte não detalha o impacto financeiro de cada custo sobre o resultado trimestral.
A pressão não se limita à Nutrien. A empresa descreveu desafios de produção que afetam o setor global de fertilizantes e afirmou que os custos têm levado algumas companhias a reduzir a produção. Para a fabricante, essa combinação de menores vendas em determinadas linhas e despesas maiores prejudicou a lucratividade no trimestre.
Em contraste com o cenário dos nitrogenados, a Nutrien disse que a demanda mundial por potássio, seu principal produto, continua alta. A empresa não apresentou, no relato dos resultados, números de vendas ou de preços que permitam comparar o desempenho desse segmento com o dos demais fertilizantes.
Fechamentos e revisão de operações
A Nutrien anunciou que fechará sua mina e unidade de processamento de fertilizantes fosfatados na Flórida no primeiro semestre de 2027. A decisão foi atribuída à baixa rentabilidade da operação e ao esgotamento das reservas. A companhia, porém, pretende manter e reinvestir em seu complexo de fosfato em Aurora, na Carolina do Norte, considerado mais eficiente. A empresa também vinha avaliando a venda dessa unidade.
Outro encerramento já concluído foi o de uma fábrica de fertilizantes nitrogenados em Trinidad. A Nutrien apontou incertezas no fornecimento de gás natural e problemas relacionados às taxas portuárias como motivos para fechar a unidade.
Na teleconferência, a companhia também informou que planeja encerrar operações em mais três Estados e que avalia outras medidas de racionalização. A declaração não identifica quais Estados serão afetados. A revisão do negócio de varejo no país deve ser concluída até o fim do ano, segundo a empresa.
Produção norte-americana como vantagem
O presidente e diretor executivo da Nutrien, Ken Seitz, afirmou que a localização da produção na América do Norte oferece uma vantagem em relação a regiões como a Europa, onde os custos do gás natural são muito mais altos. “As vantagens competitivas são extraordinárias”, disse. Segundo Seitz, essa condição dá à empresa confiança para investir e ampliar a produção.
A Nutrien espera que agricultores dos Estados Unidos recuperem, nas semanas seguintes, o atraso nas aplicações de fertilizantes de outono. A companhia relacionou a expectativa à melhora recente das condições climáticas e à necessidade de repor os nutrientes dos solos, empobrecidos pela safra deste ano. A previsão contrasta com a postergação de compras observada entre agricultores financeiramente pressionados, sobretudo no Brasil.

