Iochpe-Maxion (MYPK3) dispara na B3 após resultado forte e melhora operacional no 3T


As ações da Iochpe-Maxion (MYPK3) subiam 7,70% na quinta-feira (5), cotadas a R$ 9,23 às 12h58, após a fabricante de rodas e componentes automotivos divulgar resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) com avanço da receita e expansão da margem operacional. Analistas destacaram o desempenho, embora tenham avaliado de formas diferentes o peso de despesas e provisões no resultado final.

Receita supera projeções

A receita líquida cresceu 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 4% acima da estimativa do Bradesco BBI e 7% acima do consenso do mercado. Em base neutra de câmbio, que desconsidera o efeito das variações cambiais na comparação, a alta foi de 22%.

O avanço foi impulsionado pelo desempenho na América do Norte, onde houve recuperação dos veículos comerciais, e na Ásia. Para o Bradesco BBI, os números refletem uma entrega operacional forte e perspectivas construtivas para os mercados internacionais. A análise foi assinada por Daniel Federle e Lucas Marquetti.

O EBITDA ajustado, indicador de desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 22,6% na comparação anual, incluindo o resultado de equivalência patrimonial. O valor ficou 6% acima das projeções do BBI, e a margem correspondente atingiu 10,9%. A margem mede a parcela da receita que se converte nesse resultado operacional.

Provisões pesam no resultado final

Apesar da evolução operacional, a Iochpe-Maxion encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 16 milhões. Segundo as avaliações citadas, o resultado foi afetado por despesas relacionadas à gestão de passivos e por uma provisão para uma multa antitruste na Alemanha. O valor da provisão ficou abaixo do que o mercado temia, reduzindo, na avaliação do BBI, uma fonte de incerteza que pesava sobre as ações.

O JPMorgan teve uma leitura mais cautelosa do trimestre. O banco classificou o resultado como fraco e informou que o EBITDA reportado foi de R$ 386 milhões, entre 14% e 16% abaixo de suas estimativas e do consenso. A margem reportada ficou em 8,8%, pressionada por R$ 94 milhões em eventos não recorrentes, explicados principalmente por provisões de R$ 89 milhões.

Na conta do JPMorgan, sem esses efeitos, o EBITDA recorrente teria sido de R$ 481 milhões, 5% acima da projeção do banco, com margem de 10,9%. A diferença entre os números reportados e recorrentes mostra o impacto das despesas extraordinárias sobre o balanço do trimestre, embora a medida recorrente não altere o prejuízo líquido divulgado pela companhia.

Analistas veem sinais distintos

O Bradesco BBI considera que a tese de investimento na empresa está mais atraente, apoiada pela avaliação das ações, pela recuperação das margens e pela redução da incerteza em torno da multa na Alemanha. O relatório não detalha o valor da provisão nem o montante da penalidade.

O Citi também chamou atenção para o ritmo operacional e para tendências favoráveis de volume, que, na avaliação do banco, podem sustentar o crescimento nos próximos trimestres. A análise ressalta esse potencial mesmo diante de um resultado que ficou abaixo do esperado.

Já o JPMorgan apontou que a ação negocia a 2,9 vezes o valor da firma sobre o EBITDA estimado para 2027. Essa relação, conhecida pela sigla EV/EBITDA, compara o valor da empresa com sua geração operacional de caixa e é usada para avaliar o preço do papel em relação ao resultado esperado. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13.

A reação positiva das ações ocorreu, assim, em meio a duas leituras sobre o balanço: de um lado, crescimento da receita e margem recorrente acima das estimativas; de outro, prejuízo líquido e EBITDA reportado pressionados por provisões e outros itens não recorrentes. A redução da incerteza sobre a multa na Alemanha também foi apontada pelo BBI como um fator relevante para a avaliação do papel.

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