As ações de varejistas que divulgaram resultados do terceiro trimestre avançavam ou recuavam de forma desigual nesta sexta-feira (6), em meio à avaliação de analistas sobre vendas, margens e lucro. Às 11h35, Lojas Renner (LREN3) subia 4,72%, a R$ 9,98; Assaí (ASAI3 avançava 5,44%, a R$ 8,91; e Grendene (GRND3) ganhava 2,43%, a R$ 3,80. Vivara (VIVA3) caía 2,92%, a R$ 17,67, depois de chegar a recuar cerca de 10% mais cedo, e era a maior baixa do Ibovespa.
Renner combina vendas fracas e margens melhores
A Lojas Renner teve vendas abaixo das projeções de analistas no terceiro trimestre. As vendas mesmas lojas, indicador conhecido pela sigla SSS, recuaram 2,5%. No segmento de vestuário, a queda foi de 1,8%, ante estimativa de recuo de 0,5% da XP Investimentos. O resultado também desacelerou em relação ao avanço de 0,5% registrado no segundo trimestre e ficou abaixo do crescimento de 1% nas vendas de vestuário da C&A.
A XP considerou fracos os resultados, com SSS e lucro líquido inferiores às estimativas. O banco apontou, porém, um desempenho melhor na margem bruta de vestuário, que chegou a 56,5%, aumento de 0,3 ponto percentual em um ano e acima dos 56% da C&A. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado ficou em linha com a projeção da XP. A avaliação atribuiu esse resultado à pressão da desalavancagem operacional, parcialmente compensada por menores provisões de participação nos resultados e incentivos de longo prazo.
Bradesco BBI e Goldman Sachs também descreveram o trimestre como fraco. O BBI relacionou a queda das vendas a um cenário macroeconômico mais difícil e à concorrência mais intensa. A Renner descontinuou suas projeções de crescimento de receita para 2026 e para o período de 2027 a 2030, mas manteve o plano de abrir de 50 a 60 lojas em 2026. O banco apontou como fatores positivos a margem bruta de 55,5%, o controle de despesas e a geração de caixa de R$ 392 milhões no trimestre, com grande parte destinada à remuneração dos acionistas.
O Goldman Sachs informou que a receita do varejo caiu 2%, pressionada pelo ambiente de consumo, pela concorrência de plataformas internacionais e pela Copa do Mundo da Fifa no início do trimestre. Para o banco, a margem bruta do varejo avançou 0,4 ponto percentual em um ano, para 55,5%, com ganhos de eficiência e câmbio favorável mais do que compensando a maior intensidade promocional. As avaliações de margem divulgadas pelas instituições variam: a XP destacou 56,5% para vestuário, enquanto BBI e Goldman citaram 55,5% para a margem bruta.
Assaí tem lucro abaixo das projeções
No Assaí, as vendas mesmas lojas caíram 0,2%, incluindo efeitos de calendário. Segundo a XP, o ritmo desacelerou ao longo do trimestre, especialmente em setembro, com consumidores de baixa renda ainda pressionados. A receita ficou ligeiramente abaixo da estimativa da corretora.
O Ebitda ajustado ficou 0,7% aquém da projeção da XP, mas a margem permaneceu estável em 5,7% na comparação anual. Os ganhos de margem bruta compensaram a perda de eficiência operacional associada à queda das vendas. Um resultado financeiro mais pesado do que o esperado contribuiu para que o lucro líquido reportado somasse R$ 427 milhões, 8% abaixo da estimativa da XP. Excluídos créditos de PIS/Cofins, o lucro líquido ajustado ficou em aproximadamente R$ 170 milhões, cerca de 12% abaixo da projeção.
As avaliações do BBI e do Goldman Sachs foram mais próximas das expectativas: ambos consideraram o desempenho alinhado às estimativas, com vendas mesmas lojas próximas da estabilidade e margens consistentes. O BBI apontou a aceleração das vendas em outubro e a melhora na geração de caixa como fatores positivos. O Goldman informou que as vendas mesmas lojas avançaram 3,9% naquele mês, impulsionadas pela campanha de aniversário, pela melhora do tíquete médio e pelo aumento do fluxo de clientes.
Vivara enfrenta pressão em margens e despesas
A XP avaliou que a Vivara teve resultados fracos no terceiro trimestre de 2026, com Ebitda ajustado 12% abaixo de sua estimativa. As vendas brutas cresceram 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as projeções, mas houve desaceleração na divisão de joias: o crescimento passou de 12% no segundo trimestre para 2% no terceiro. A XP associou a pressão à moderação no repasse de preços em meio à queda do ouro.
A marca Life acelerou o crescimento para 10%, alta de 5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelos canais digitais e pela expansão da rede. Nas lojas físicas, as vendas mesmas lojas cresceram 4%, ante 4,3% no segundo trimestre. Ainda assim, a margem bruta ficou abaixo das estimativas, mesmo sem efeitos não recorrentes, e as despesas com vendas superaram as projeções. O Ebitda ajustado caiu 24% em um ano.
O Bradesco BBI considerou o balanço negativo e apontou frustração com crescimento e rentabilidade. A reaceleração da Life e a eficiência de estoques foram citadas como pontos positivos, enquanto a dinâmica do ouro e a canibalização da marca Vivara geraram preocupação. O Goldman Sachs atribuiu parte da pressão a uma base de comparação mais difícil, mas também citou a redução dos mark-ups em joias e na Life, marca de produtos de prata. A margem bruta recuou 3,5 pontos percentuais em um ano, e o aumento das despesas com pessoal e marketing pesou sobre os custos operacionais.
Grendene registra queda no lucro
A Grendene teve lucro líquido ajustado de R$ 150,984 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 18,2% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 742,131 milhões, recuo anual de 2,4%. O Ebitda ajustado foi de R$ 133,692 mil, baixa de 6,2% na comparação anual.

