Ataques com drones deixam sudaneses sem energia e combustível e afetam doentes


A intensificação dos ataques com drones no Sudão tem atingido fontes de energia e combustível e agravado a crise humanitária no país nas últimas semanas. Denise Brown, coordenadora humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) no Sudão, afirmou que os ataques prejudicam hospitais, trabalhadores que dependem de combustível e operações de entrega de ajuda.

Em entrevista à ONU News, Brown disse que “fontes de energia e combustível parecem ser sistematicamente atacadas e destruídas”. Falando de Cartum, a capital sudanesa, ela classificou os ataques a infraestruturas civis como uma violação do direito humanitário internacional.

Energia cortada em hospital

Um hospital nos arredores de Cartum ficou sem eletricidade após ataques com drones. A unidade não dispõe de gerador nem de painéis solares, e a interrupção da energia paralisou o tratamento de 25 pessoas que precisavam de máquinas de diálise.

Os cuidados oferecidos a grávidas e crianças também foram gravemente afetados. O caso mostra como danos à infraestrutura energética podem interromper serviços de saúde que dependem de eletricidade, além de comprometer o atendimento de diferentes grupos de pacientes.

A falta de combustível também afeta o cotidiano da população. Brown relatou a formação de filas quilométricas em Cartum para a compra de gasolina. Entre os mais prejudicados estão os motoristas de tuk-tuk, que transportam pessoas para o trabalho e para os mercados. Alguns precisam esperar vários dias para conseguir combustível e, nesse período, deixam de obter sua renda.

Deslocados e falta de alimentos

Brown apontou a assistência a milhões de pessoas deslocadas pela guerra como um dos principais desafios da operação humanitária. Nos Estados de Darfur e Cordofão, pessoas estão se deslocando em busca de comida, num cenário que a coordenadora descreveu como uma “tragédia anunciada”.

A situação é agravada pelo déficit de chuvas registrado nos últimos meses, que afeta agricultores e colheitas. A ONU trabalha com organizações locais e internacionais para apoiar a população e salvar vidas. Segundo Brown, a organização tem grandes quantidades de suprimentos, como alimentos, produtos nutritivos, abrigos e itens não alimentícios.

O problema é fazer esses produtos chegarem a quem precisa. Centenas de caminhões com ajuda estão parados por falta de combustível. Embora muitos entraves burocráticos à movimentação de cargas humanitárias já tenham sido superados, Brown afirmou que, sem combustível, não é possível transportar comida para a população.

Riscos para os comboios humanitários

A disponibilidade de combustível não elimina todos os obstáculos. Muitas regiões do Sudão permanecem em zonas de guerra ativa, onde os comboios de ajuda podem se tornar alvos. Nos últimos dois anos, mais de 20 ataques atingiram caminhões do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), agência que movimenta milhares de comboios de comida.

Os ataques provocaram mortes entre profissionais do WFP e destruíram itens de ajuda que poderiam salvar vidas. Brown disse que a equipe precisa lidar diariamente com esses riscos e buscar formas de alcançar pessoas em locais de acesso extremamente difícil.

A legenda de uma imagem que acompanha o relato registra um soldado de manutenção da paz da ONU protegendo o local de um ataque com drone em Abyei, área disputada entre o Sudão e o Sudão do Sul. O episódio ilustra que os ataques também são registrados em regiões fora da capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Recentes

Paes aciona o TRE-RJ e pede a cassação da chapa de Douglas Ruas

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) pediu à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Douglas...

Quem leu, também se interessou