Clima limita plantio de soja no RS a 3% da área na safra 2026/27


O plantio de soja no Rio Grande do Sul alcançou 3% da área projetada para a safra 2026/27 até esta quinta-feira, informou a Emater. Chuvas frequentes, solo úmido, temperaturas baixas e pouca radiação solar reduziram as condições para semear e atrasaram o desenvolvimento das primeiras lavouras.

Soja começa abaixo da média histórica

O avanço da semeadura está abaixo da média histórica para esta época, que é de 5% da área prevista. O ritmo, porém, é igual ao registrado no mesmo período do ano passado. A Emater, órgão de assistência técnica ligado ao governo gaúcho, atribuiu a lentidão às condições do clima e do solo.

“A elevada umidade do solo e a ocorrência de chuvas frequentes restringiram as janelas de plantabilidade, e as baixas temperaturas e a limitada radiação solar retardaram o desenvolvimento das primeiras lavouras implantadas”, afirmou a entidade em boletim divulgado nesta quinta-feira.

O Rio Grande do Sul tem potencial para ser o quarto maior produtor estadual de soja do país na temporada, atrás de Mato Grosso, Paraná e Goiás. A posição consta da primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27, divulgada na semana passada.

A Conab projeta uma produção gaúcha de 20,2 milhões de toneladas, alta de 8,3% em relação ao ciclo anterior. O avanço previsto ocorre apesar do início lento do plantio. A estimativa indica o volume esperado para a safra, enquanto os dados da Emater mostram que a semeadura ainda está em fase inicial.

Chuvas também afetam lavouras no Paraná

No Paraná, o excesso de chuva associado ao fenômeno climático El Niño também reduziu o ritmo do plantio de soja. A Emater informou que, em áreas semeadas mais cedo, o volume de precipitação prejudicou a emergência das plantas. Mesmo assim, avaliou que os estandes — conjuntos de plantas estabelecidos na lavoura — seguem, em geral, satisfatórios.

A entidade também chamou a atenção para o aparecimento da ferrugem asiática, doença causada por um fungo. O boletim não detalhou a extensão das áreas afetadas. As informações sobre as chuvas, a emergência das plantas e a doença apontam fatores que acompanham o desenvolvimento das lavouras neste começo de ciclo.

Milho tem plantio desigual

O plantio de milho no Rio Grande do Sul atingiu 78% da área prevista, mas avançou em ritmo desigual entre as regiões. Segundo a Emater, temperaturas amenas retardaram o crescimento das plantas em algumas áreas.

O Estado costuma ser o principal produtor brasileiro de milho na primeira safra. Para o ciclo atual, a Conab estima uma colheita de 6,6 milhões de toneladas, aumento de 10,2% ante a safra passada. Assim como na soja, a projeção de produção convive com diferenças no andamento dos trabalhos e no desenvolvimento das lavouras.

Emater eleva produtividade do trigo

Para o trigo, cuja colheita está em andamento, a Emater elevou a estimativa de produtividade, apesar de registrar perdas provocadas pelo excesso de chuva. No início do plantio, a projeção era de 2.701 quilos por hectare. Agora, a entidade calcula 2.833 quilos por hectare.

A revisão não elimina a expectativa de queda em relação ao ano anterior: a produtividade projetada ainda representa retração de 5,55%. A estimativa atual para a produção total é de 2,16 milhões de toneladas, recuo de 37,48% na comparação com o ciclo passado. Na temporada anterior, a área plantada superou 1 milhão de hectares.

O Rio Grande do Sul está entre os principais produtores de trigo do Brasil, ao lado do Paraná. Neimar Peroni, um dos organizadores do Informativo Conjuntural da Emater, disse que a entidade poderá reduzir a projeção se os resultados esperados no campo não se confirmarem. A possibilidade de revisão mantém a estimativa sujeita ao desempenho observado durante a colheita.

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