CSN avança na desalavancagem com venda de braço de cimentos


A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta sexta-feira (30) um acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin para negociar a venda da CSN Cimentos, avaliada em R$ 12,7 bilhões. A expectativa é que os contratos definitivos sejam assinados nos próximos dias, em uma operação que pode reduzir o endividamento do grupo e avançar seu plano de venda de ativos.

Proposta e múltiplos da operação

O valor de R$ 12,7 bilhões corresponde ao valor de empresa (EV, na sigla em inglês), que considera o negócio como um todo. Pelas estimativas divulgadas, o preço representa um múltiplo EV/Ebitda de 7,0 a 7,5 vezes. Ebitda é a sigla em inglês para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para avaliar a geração operacional de caixa de uma companhia.

O múltiplo atribuído à unidade de cimentos é superior ao da própria CSN, estimado entre 4,5 e 5,0 vezes. A comparação ajuda a dimensionar o valor da proposta em relação ao resultado operacional das empresas, mas as avaliações dos bancos variam conforme o período usado nas projeções.

O JPMorgan calcula que o preço corresponda a cerca de 7,7 vezes o Ebitda estimado para 2026 e a 6,8 vezes nas projeções do banco para 2028. A instituição afirma que o valor está amplamente em linha com informações divulgadas pela imprensa e compara o múltiplo de 2028 com o valor justo de 8 vezes usado em seu modelo.

Redução de dívida e alavancagem

A XP Investimentos considera o anúncio positivo para a CSN. Segundo estimativas dos analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, a venda reduziria a dívida líquida do grupo de R$ 42,1 bilhões para R$ 29,4 bilhões. A dívida líquida é o endividamento descontado dos recursos disponíveis em caixa.

A XP também estima que a alavancagem consolidada — relação entre a dívida e a geração de caixa operacional — cairia de aproximadamente 3,5 vezes para 2,8 vezes. O cálculo exclui do Ebitda dos últimos 12 meses a contribuição de R$ 1,6 bilhão da CSN Cimentos. A redução seria de cerca de 0,7 na relação entre dívida e resultado operacional.

Para a XP, a operação diminuiria as preocupações de curto prazo com a estrutura de capital da companhia e enfrentaria um dos principais pontos de pressão sobre a tese de investimento. O avanço também reforçaria a execução da estratégia de venda de ativos do grupo.

Os analistas da XP destacam que os desinvestimentos são parte central do plano de desalavancagem, diante das elevadas necessidades de caixa da CSN. A venda da unidade de cimentos, afirmam, reduz riscos associados à tese, especialmente em um cenário mais desafiador para o minério de ferro e para o mercado brasileiro.

Bancos veem alívio, mas apontam desafios

O Bradesco BBI também avalia a operação de forma positiva. Para o banco, a conclusão da venda daria alívio ao balanço e deixaria a companhia em posição mais favorável para entrar em 2027. O BBI estima que a transação possa reduzir as despesas anuais com juros em quase R$ 1,5 bilhão.

O banco ressalta, porém, que a CSN ainda precisará vender outros ativos para levar a alavancagem a níveis mais saudáveis. A negociação da CSN Cimentos daria mais tempo para a empresa executar o plano mais amplo de desinvestimentos, mas não eliminaria a necessidade de seguir reduzindo o endividamento.

Na avaliação do JPMorgan, a divisão de cimento é o pilar central do plano de desalavancagem. O avanço para a etapa de assinatura dos contratos retira um fator de pressão sobre as ações e abre um caminho para a CSN quitar um empréstimo-ponte de cerca de R$ 6 bilhões. Esse tipo de financiamento costuma ser temporário, enquanto a empresa busca uma solução de prazo mais longo.

O JPMorgan pondera que a operação ainda não foi concluída e que outras etapas estão pendentes. Além disso, a alavancagem permanece elevada, e a redução da dívida dependerá também de novos desinvestimentos e de melhora no desempenho operacional.

O Citi também considera o anúncio positivo por contribuir para a desalavancagem. Ainda assim, o banco avalia que a CSN deverá continuar buscando reduzir o endividamento, diante dos juros mais elevados no Brasil e das revisões para baixo nas estimativas para a CSN Mineração.

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