A Dasa registrou lucro líquido de R$ 173 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre de 2026, alta de 78,7% ante o mesmo período do ano anterior. O grupo de medicina diagnóstica e hospitais divulgou os resultados nesta quinta-feira, 5 de novembro; a receita bruta consolidada caiu, mas cresceu quando considerada a estrutura atual da companhia.
Receita reflete mudanças no grupo
A receita bruta consolidada somou R$ 2,6 bilhões, recuo de 9% na comparação anual. A Dasa atribuiu a queda à desconsolidação da Ímpar, relacionada à formação da Rede Américas, e aos desinvestimentos concluídos ao longo de 2025. Desconsolidação é a retirada dos resultados de uma empresa das contas consolidadas do grupo.
Ao considerar o escopo atual — isto é, a estrutura de negócios usada pela companhia na comparação —, o faturamento avançou 8%. A diferença entre o resultado consolidado e o desempenho nesse escopo mostra o efeito das mudanças na composição do grupo sobre a comparação com o ano anterior.
A divisão de Diagnósticos Nacional registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões, crescimento de 8%. Segundo a Dasa, o resultado foi impulsionado pelo aumento no volume de exames e pela expansão dos segmentos premium, de serviços Lab-to-Lab e de atendimento domiciliar. Lab-to-Lab é o serviço prestado entre laboratórios, em que exames ou etapas de processamento são encaminhados a outra unidade.
Já a receita de Hospitais e Oncologia Nordeste atingiu R$ 231 milhões, alta de 7% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Os dois segmentos tiveram crescimento na comparação anual, embora o balanço consolidado tenha sido afetado pelas alterações no perímetro de negócios da companhia.
Margens e Ebitda
A margem bruta consolidada ficou em 31,9%, queda de 1,9 ponto percentual. A empresa afirmou que a redução ocorreu principalmente por realocações contábeis entre custos e despesas, feitas em linha com a nova estrutura organizacional. O indicador representa a parcela da receita que resta após os custos considerados nessa apuração.
O Ebitda consolidado — medida de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — foi de R$ 640 milhões, com margem de 26,6%. O valor caiu 7,4% na comparação anual e 1,7% quando observado o escopo atual. A margem corresponde à relação entre o Ebitda e a receita.
A Dasa informou que o desempenho foi afetado pela menor contribuição da equivalência patrimonial da Rede Américas. Esse método contábil reconhece nos resultados da companhia sua participação no desempenho de outra empresa. Excluído esse efeito, o Ebitda foi de R$ 617 milhões, aumento de 4,7% no escopo atual.
O resultado ficou acima da expectativa média de analistas consultados pela LSEG, que projetavam Ebitda consolidado de R$ 585 milhões. A comparação considera o indicador divulgado pela companhia, sem o ajuste que exclui a contribuição da equivalência patrimonial da Rede Américas.
Caixa e endividamento
O presidente-executivo da Dasa, Rafael Lucchesi, ressaltou o avanço da área de diagnósticos e disse que a empresa manteve uma trajetória de crescimento mesmo diante de uma base de comparação mais elevada. “Seguimos concentrados em crescer com rentabilidade, elevar a produtividade e fortalecer a geração de caixa, construindo uma operação cada vez mais eficiente e competitiva”, afirmou.
A geração de caixa livre foi de R$ 369 milhões no trimestre, ante R$ 415 milhões um ano antes, queda de 11,1%. O indicador mede o caixa que resta após os desembolsos considerados pela empresa em sua apuração. A redução ocorreu no mesmo período em que o lucro das operações continuadas aumentou e o Ebitda consolidado recuou na comparação anual.
A dívida líquida financeira encerrou setembro em R$ 5,4 bilhões, após a inclusão de aquisições a pagar e da antecipação de recebíveis. O montante caiu 18%. A alavancagem ficou em 2,76 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda calculado no escopo atual. Esse múltiplo relaciona o endividamento líquido ao resultado operacional usado como referência pela companhia.

