O dólar à vista recuava ante o real nesta terça-feira (27), em movimento de correção depois de subir 8,36% na sessão anterior. A disparada de segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi a maior alta da moeda americana em 23 anos. No início do pregão, investidores acompanhavam as cotações e buscavam sinais sobre a política econômica do próximo governo.
Cotações no início do pregão
Às 9h52, o dólar à vista caía 1,29%, negociado a R$ 5,333 na venda. Na cotação comercial, o valor de compra era de R$ 5,332, enquanto o de venda estava em R$ 5,333. Os números correspondem ao momento indicado e podem mudar ao longo da sessão.
O contrato futuro de dólar para novembro, o mais negociado no Brasil, recuava 0,66% na B3 e era cotado a R$ 5,342. O dólar à vista e o futuro são referências distintas de negociação: a primeira acompanha a moeda no mercado à vista, enquanto o contrato futuro é negociado para liquidação em uma data posterior. Naquele horário, ambos operavam em queda, mas em magnitudes diferentes.
A baixa desta terça-feira ocorre depois de um avanço expressivo na véspera. A correção reduz parte da alta anterior, mas a movimentação observada no início do pregão não altera, por si só, os fatores que passaram a orientar a avaliação dos investidores: entre eles, a composição da equipe econômica e os sinais sobre as contas públicas.
Expectativas sobre política fiscal
O mercado aguarda informações sobre quem integrará a equipe econômica e como o governo pretende conduzir a política fiscal. O foco inclui medidas que possam colocar a dívida pública em uma trajetória considerada mais sustentável. A fonte não detalha quais ações seriam adotadas nem apresenta prazos para a definição da equipe.
A discussão fiscal aparece também nas avaliações de instituições financeiras sobre os ativos brasileiros. Na manhã desta terça-feira, o Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação para esses ativos após a vitória eleitoral de Lula. As instituições argumentaram que a relação entre risco e retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou.
Segundo a justificativa apresentada, os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e de reformas estruturais sob o novo governo. A mudança de recomendação sinaliza uma revisão da avaliação desses mercados pelas duas instituições, mas a notícia não informa os novos níveis de recomendação nem detalha projeções de preço para os ativos.
Articulação no Congresso e agenda do BC
Com atenção também voltada para 2027, Lula busca apoio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para articular sua agenda. O Congresso deverá impor desafios à governabilidade, segundo o relato. A articulação política é, assim, outro elemento acompanhado pelos investidores junto com as definições econômicas e fiscais.
A agenda desta terça-feira inclui compromissos do Banco Central (BC). Às 11h, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concede entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira. Às 11h30, o BC realiza um leilão para rolar até US$ 4 bilhões em swaps cambiais. A rolagem é a renovação de contratos que estão vencendo; a notícia informa o limite previsto para a operação, sem antecipar o resultado do leilão.
Ao meio-dia, a autoridade monetária também promove uma operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos. Essas operações integram a agenda do BC para o dia, mas o material não informa seus resultados. Para o mercado cambial, o pregão começou com o dólar à vista e o contrato futuro em baixa, enquanto investidores aguardavam os eventos e as sinalizações políticas e econômicas previstas.

