Dólar recua 1,6% após disparada ligada à reeleição de Lula


O dólar recuava frente ao real na manhã desta terça-feira (27), devolvendo parte da forte alta registrada na sessão anterior. Por volta das 10h25, a moeda norte-americana caía 1,62%, cotada a R$ 5,315 na compra e R$ 5,316 na venda. O movimento ocorreu após a reação dos investidores à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que contrariou as expectativas que vinham sendo incorporadas pelo mercado.

Dólar corrige alta da véspera

Na segunda-feira (26), o dólar comercial avançou 8,21% e fechou a R$ 5,403. A valorização ficou entre as maiores altas diárias da moeda desde a implantação do Plano Real. O salto refletiu a procura por proteção cambial após a definição do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e um forte ajuste nas posições dos investidores.

A queda desta terça-feira representa uma correção depois desse movimento intenso. A cotação observada pela manhã, porém, ainda estava acima do valor de fechamento registrado na segunda-feira anterior à eleição. Os números indicam que o câmbio seguia reagindo à mudança de cenário político, com oscilações expressivas em pregões consecutivos.

O resultado das urnas foi diferente do que parte do mercado esperava. Nas semanas anteriores, investidores vinham se posicionando para uma mudança de governo. A vitória de Lula também foi descrita como inédita: desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar havia vencido a etapa final da disputa.

Bolsa registra queda e aciona mecanismo de interrupção

A reação dos ativos não ficou restrita ao mercado de câmbio. Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88% e encerrou o pregão aos 176.608,23 pontos, depois de perder 28.474,33 pontos em uma única sessão. A intensidade da baixa levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo de interrupção das negociações. A medida não era acionada desde março de 2020.

Os juros futuros também subiram ao longo de toda a curva, movimento que refletiu uma percepção maior de risco fiscal entre os agentes do mercado. Esses contratos indicam as taxas negociadas para períodos futuros e ajudam a mostrar como investidores avaliam as condições econômicas adiante.

Os fundos imobiliários também registraram perdas. O IFIX, índice que acompanha o desempenho desses fundos, recuou 5,68% e fechou aos 3.763,90 pontos. O resultado representou uma queda de 226,67 pontos em relação ao fechamento anterior, de 3.990,57.

Investidores ajustam posições após eleição

João Daronco, analista CNPI da Suno, afirmou que o resultado eleitoral contrariou o cenário que vinha sendo precificado pelos investidores. Segundo ele, a avaliação da Suno apontava leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e parte do mercado passou a apostar em uma troca no comando do país acompanhada por uma agenda econômica mais liberal.

“Quando um cenário é tratado como o mais provável e o oposto acontece, o ajuste costuma se concentrar nos primeiros pregões. É isso que começamos a ver agora”, disse Daronco.

A fala do analista relaciona a reação dos preços à diferença entre as expectativas anteriores e o resultado confirmado nas urnas. A alta do dólar e a queda dos ativos brasileiros na segunda-feira ocorreram nesse contexto de revisão de posições. Na manhã seguinte, a moeda recuava, enquanto os demais indicadores citados haviam registrado perdas ou alta dos juros no pregão anterior.

Para quem acompanha investimentos, os números mostram que a reação inicial foi ampla: atingiu o câmbio, as ações, os fundos imobiliários e os juros futuros. A cotação do dólar às 10h25 desta terça-feira indicava uma redução parcial da disparada da véspera, sem apagar a forte oscilação registrada após a eleição.

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