Dólar sobe mais de 10% e supera R$ 5,50 após reeleição de Lula


O dólar à vista subia frente ao real nesta segunda-feira (26), depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência. A alta refletia a aversão ao risco de investidores, que esperavam um resultado diferente e atribuíam maior probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro.

Cotações avançam durante o pregão

Às 14h47, o dólar à vista era negociado a R$ 5,451, com alta de 9,18%. Na cotação comercial, a moeda estava em R$ 5,451 na compra e R$ 5,452 na venda. Já o dólar futuro para novembro, contrato mais negociado no Brasil, avançava 12,58% na B3, a R$ 5,600.

O dólar à vista corresponde à cotação acompanhada no mercado para a moeda, enquanto o contrato futuro para novembro indica um preço negociado para esse vencimento. Os percentuais de alta mostram a dimensão da reação observada nas duas referências naquele momento do pregão. Os valores citados são parciais, registrados às 14h47, e não correspondem necessariamente ao fechamento do dia.

A reação ocorreu após Lula vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno. O presidente reeleito recebeu 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário. Lula obteve 64 milhões de votos, quase 8 milhões a mais do que no primeiro turno.

Resultado eleitoral muda percepção de risco

Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, afirmou que os investidores não estavam posicionados para esse desfecho. Segundo ele, o mercado trabalhava com cenários de vitória de Bolsonaro e esperava uma reação mais favorável dos ativos quanto maior fosse a vantagem do candidato. A mudança no resultado, disse, tende a provocar um ajuste expressivo nos preços.

Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, avaliou que a eleição alterou de forma importante a percepção de risco sobre o Brasil. A mudança de expectativa ajuda a explicar a reação simultânea observada no câmbio e nos contratos futuros, embora as cotações registradas no texto se refiram a um momento específico do dia.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou que os preços vinham incorporando a possibilidade de uma mudança na condução da política fiscal, com maior controle dos gastos públicos. Com a vitória de Lula, investidores devem reavaliar essa expectativa. Lima também apontou que o presidente não conta com maioria própria no Congresso, aspecto que, segundo ele, compõe o cenário considerado pelo mercado.

Disputa sobre o resultado amplia cautela

Flávio Bolsonaro disse que não reconhece a derrota e que pedirá a anulação da eleição. O senador alegou que o adiamento de duas horas no fechamento das urnas, determinado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria atropelado as regras com a votação em andamento.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto que as coisas aconteceram. Vamos pedir a anulação”, afirmou Flávio após a divulgação do resultado. Ao decidir prorrogar a votação, Zanin declarou que as duas campanhas haviam feito pedidos nesse sentido.

Para Lima, a expectativa é de uma semana de maior cautela nos mercados, com pressão sobre o Ibovespa, alta do dólar e avanço dos juros futuros. O analista apontou como principal preocupação dos agentes financeiros a continuidade do crescimento da dívida pública sem medidas que considerem suficientes para estabilizá-la.

As avaliações dos profissionais indicam que a reação não se limita à diferença entre as previsões eleitorais e o resultado. As expectativas sobre gastos públicos, dívida e capacidade de articulação política também aparecem entre os fatores que os investidores devem reavaliar. No pregão, essa revisão se refletia na valorização do dólar à vista e do contrato futuro para novembro.

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