Exportações marítimas de grãos da Rússia caem 62% em setembro por gargalos no Mar Negro


As exportações marítimas de grãos da Rússia caíram 61,9% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para quase 2 milhões de toneladas. A retração ocorreu principalmente nos embarques pelos portos do Mar de Azov e do Mar Negro, em meio à guerra com a Ucrânia, segundo dados de transporte marítimo fornecidos por fontes do setor.

Desde o início da safra, as exportações marítimas russas somaram 6 milhões de toneladas, volume 61,5% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Os dados apontam uma mudança na distribuição dos embarques entre as rotas usadas pelos exportadores: enquanto os terminais do Mar Negro e do Mar de Azov perderam participação, portos do noroeste, do Báltico, do Cáspio e do Extremo Oriente registraram movimentação.

Queda acentuada no Mar Negro e no Mar de Azov

As exportações pelos terminais do Mar Negro e do Mar de Azov recuaram 93,7% em setembro, para 300 mil toneladas. A queda nessas duas áreas foi muito superior à redução de 61,9% observada no total dos embarques marítimos russos no mês.

Os portos dessa bacia enfrentam dificuldades em meio à guerra com a Ucrânia. Ataques de drones ucranianos no Mar Negro levaram exportadores russos a redirecionar cargas para rotas alternativas, de acordo com as informações disponíveis. O resultado aparece na forte redução do volume que saiu pelos terminais do Mar Negro e do Mar de Azov.

O recuo nessa região também ajuda a explicar por que o volume total de setembro ficou abaixo do registrado um ano antes. Os dados não indicam que as rotas alternativas tenham compensado integralmente a queda: embora os terminais do noroeste tenham absorvido uma parcela expressiva dos embarques, ainda não substituíram os volumes perdidos nos portos da bacia do Mar de Azov e do Mar Negro.

Báltico ganha espaço nas rotas

Mais de 60% dos grãos exportados por via marítima em setembro foram carregados em terminais do noroeste russo. Esses portos se tornaram uma alternativa à rota do Mar de Azov e do Mar Negro, mas a transferência dos embarques não foi suficiente para repor toda a movimentação que deixou de ocorrer na região afetada pela guerra.

Nos portos do Mar Báltico, as exportações chegaram a 1,2 milhão de toneladas em setembro. No mesmo mês do ano anterior, haviam sido apenas 47,4 mil toneladas, segundo os dados. A diferença mostra a ampliação do uso dessa rota pelos exportadores russos.

O redirecionamento inclui portos nos países bálticos. A mudança ocorre depois dos ataques de drones ucranianos no Mar Negro, que levaram os exportadores a buscar caminhos alternativos para transportar os grãos. As informações fornecidas pelas fontes do setor não detalham a participação de cada porto ou o destino de todos os embarques.

Movimentação cresce no Cáspio e no Extremo Oriente

Outras rotas também registraram aumento em setembro. Pelo Mar Cáspio, corredor que atende principalmente ao Irã, as exportações subiram 45,7%, para 400 mil toneladas. Já os embarques pelos terminais do Extremo Oriente avançaram 43,1%, mas permaneceram em 50 mil toneladas no mês.

Os volumes mostram que o crescimento percentual nessas duas rotas ocorreu sobre bases menores do que a movimentação dos portos do Báltico. Ainda assim, junto com o avanço dos terminais do noroeste, os aumentos indicam que os exportadores estão utilizando diferentes regiões para escoar os grãos. No conjunto, porém, a expansão dessas alternativas não evitou a queda das exportações marítimas russas em setembro nem a redução acumulada na safra.

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