FAO eleva previsão da produção global de cereais para 2,999 bilhões de toneladas


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) elevou, nesta sexta-feira (6), sua estimativa para a produção mundial de cereais em 2026. A entidade prevê 2,999 bilhões de toneladas métricas, volume ligeiramente superior ao cálculo anterior e o segundo maior já registrado. Ao mesmo tempo, projeta queda no comércio internacional de cereais na safra 2026/27, enquanto os estoques globais devem crescer.

Produção se aproxima de 3 bilhões de toneladas

A nova previsão da FAO para a produção em 2026 ficou acima da estimativa divulgada no mês anterior, de 2,979 bilhões de toneladas. A revisão foi, portanto, para cima, embora a organização tenha descrito o aumento como ligeiro. O volume projetado aproxima a produção mundial da marca de 3 bilhões de toneladas e representa o segundo maior resultado já registrado, segundo a entidade.

A estimativa diz respeito à produção global de cereais no ano de 2026. A informação divulgada não detalha quais produtos ou países responderam pela revisão nem apresenta mudanças específicas nas projeções por cultura. Assim, o dado central é o aumento do total esperado em relação ao cálculo anterior, sem que a previsão, por si só, indique como a produção ficará distribuída entre os diferentes cereais.

Para acompanhar o mercado, a projeção de produção precisa ser lida junto com as previsões de comércio e de estoques. O volume produzido globalmente não corresponde necessariamente ao que será negociado entre países, e os números divulgados pela FAO apontam justamente para movimentos diferentes nesses dois indicadores: enquanto a produção prevista subiu, o comércio internacional deve encolher e os estoques devem aumentar.

Comércio deve recuar na safra 2026/27

A FAO prevê que o comércio global de cereais na safra 2026/27 caia 3,3%, para 507,7 milhões de toneladas. A redução deve ocorrer principalmente por causa de embarques menores de trigo por parte de todos os principais países exportadores. A organização relaciona esse recuo a restrições de abastecimento ou a dificuldades logísticas.

O comércio internacional mede os cereais que cruzam fronteiras, enquanto a produção considera o volume produzido no conjunto dos países. Por isso, a previsão de menor circulação comercial não contradiz a expectativa de uma safra global elevada. Os dados indicam que a oferta total prevista pode crescer sem que o volume negociado internacionalmente acompanhe esse movimento.

Para os mercados, a projeção coloca em evidência a disponibilidade de trigo para exportação. Segundo a FAO, os embarques devem diminuir entre os principais exportadores, embora a previsão apresentada não especifique quanto cada país enviará ao exterior. Também não há, no material divulgado, uma estimativa de preços ou uma avaliação sobre os efeitos da queda do comércio para compradores específicos.

Estoques aumentam com trigo retido

Os estoques globais de cereais devem crescer 17,2 milhões de toneladas, avanço de 1,8%. A FAO atribui grande parte desse aumento aos volumes mais elevados de trigo na Rússia e na Ucrânia. Interrupções nas exportações desses países estão contribuindo para que os produtos se acumulem em estoque, em vez de seguirem para os mercados externos.

Esse acúmulo ajuda a explicar por que a previsão de estoques sobe ao mesmo tempo que a de comércio cai. O cereal continua contabilizado na disponibilidade global, mas as restrições ao abastecimento ou à logística podem limitar seu envio a outros países. A projeção, portanto, reúne três tendências distintas: produção mundial ligeiramente maior em 2026, menor comércio de cereais na safra seguinte e crescimento dos estoques, sobretudo de trigo na Rússia e na Ucrânia.

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