Goldman Sachs diz que real pode subir após eleição, mas riscos aumentam


A proximidade do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), aumentou a percepção de risco no mercado de câmbio brasileiro. Em relatório divulgado nesta semana, o Goldman Sachs afirma que o real ainda pode se valorizar se o resultado confirmar o cenário esperado pelo mercado, mas alerta que a disputa mais equilibrada e as dúvidas sobre as contas públicas ampliam a possibilidade de oscilações após a votação.

Real avançou após o primeiro turno

O real teve forte valorização depois do primeiro turno. Em 5 de outubro, a moeda brasileira subiu cerca de 4% frente ao dólar, movimento que o banco considera excepcional em perspectiva histórica e superior ao observado em eleições anteriores.

Segundo o Goldman Sachs, as oscilações dos juros futuros — taxas negociadas no mercado para períodos à frente — e do risco-país foram ainda mais intensas do que as registradas no câmbio. O risco-país é uma medida usada para expressar a percepção dos investidores sobre o risco de investir em determinado país.

Na avaliação inicial do mercado, o senador Flávio Bolsonaro, então favorito, tinha uma vantagem confortável na disputa. Pesquisas mais recentes, porém, passaram a indicar uma corrida mais apertada contra o presidente Lula, com diferença entre os candidatos de zero a 2,5 pontos percentuais.

“O aperto das pesquisas entre os dois turnos sugere uma reação mais significativa do mercado cambial ao resultado da eleição”, afirmam os analistas liderados por Teresa Alves.

Eleição pode aumentar a volatilidade

O banco avalia que o real ainda tem espaço para ganhar valor caso o resultado seja visto pelos investidores como favorável ao cenário que já está refletido nos preços dos ativos. Por outro lado, uma vitória inesperada de Lula poderia provocar uma reação mais intensa nos mercados, segundo o relatório.

Após o primeiro turno, a volatilidade implícita caiu. Esse indicador, calculado a partir dos preços de opções, representa a expectativa do mercado para as oscilações futuras de um ativo. Para o Goldman, a redução deixou de parecer justificada diante da diminuição da vantagem do candidato considerado favorito.

Com isso, os contratos de opções passaram a refletir a possibilidade de movimentos mais expressivos do real nos próximos dias. A mudança indica que os investidores estão considerando maior incerteza para a moeda durante a definição eleitoral.

Contas públicas seguem no radar

Além da eleição, o relatório chama atenção para a piora do cenário fiscal nas últimas semanas. A ampliação de benefícios sociais, a extensão de subsídios ao diesel e a oferta de crédito subsidiado, segundo os analistas, tornam mais difícil um esforço futuro para equilibrar as contas públicas, qualquer que seja o vencedor.

Por isso, a escolha do próximo presidente não deve encerrar as dúvidas dos investidores. O foco tende a se deslocar para a composição da equipe econômica, os anúncios sobre política fiscal e eventuais propostas legislativas antes da posse, em 2027.

O banco compara o momento com o período posterior à eleição de 2022, quando as discussões sobre uma PEC de transição tiveram papel relevante no comportamento dos ativos brasileiros. PEC é a sigla para proposta de emenda à Constituição. Desta vez, porém, o Goldman avalia que iniciativas semelhantes podem enfrentar mais obstáculos, sobretudo se incluírem metas de ajuste fiscal.

Fluxos de fim de ano podem pesar

O Goldman também aponta a possibilidade de pressão sazonal sobre o real no fim do ano, quando tradicionalmente há saída de recursos do país. Embora o histórico citado pelo banco indique impacto limitado desses fluxos sobre a moeda, frustrações com anúncios de política econômica podem ampliar movimentos de desvalorização.

Na avaliação da instituição, o segundo turno marca o início de um período potencialmente turbulento para os ativos brasileiros, e não o fim das incertezas. A combinação de uma disputa apertada, preocupações fiscais e expectativa por decisões do próximo governo pode manter o real sensível às notícias políticas e econômicas nas semanas seguintes.

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