A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos derrubou os preços do petróleo, em meio à expectativa de que a nova composição do Congresso aumente a pressão por uma negociação entre Washington e Teerã. A consultoria StoneX avalia, porém, que o resultado não significa uma pacificação do Oriente Médio e que a commodity deve continuar sujeita a fortes oscilações nos próximos meses.
Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado, em uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump. O desgaste provocado pela guerra com o Irã pesou no resultado: pesquisas de boca de urna indicaram que 62% dos eleitores consideravam o conflito um erro e que 74% levaram o tema em conta na hora de votar.
O custo da energia também influenciou o humor do eleitorado. A gasolina ultrapassou US$ 4 por galão nos Estados Unidos, enquanto o petróleo acumulava alta de cerca de 70% no ano. Na quarta-feira, após o resultado eleitoral, o Brent recuou 8,7%, para US$ 94,62 por barril, e o WTI caiu 8,3%, para US$ 88,12. Os dois contratos atingiram os menores níveis desde o fim de agosto. Brent e WTI são referências internacionais para a cotação do petróleo.
Congresso e pressão por negociação
Segundo a StoneX, a queda refletiu a avaliação de que um Congresso controlado pelos democratas pode limitar o financiamento das operações militares dos Estados Unidos e ampliar os incentivos para uma negociação com o Irã. Embora os parlamentares eleitos só assumam em janeiro, a derrota aumenta a pressão política sobre Trump para buscar uma saída que reduza os preços da energia e o desgaste associado à guerra.
O presidente, contudo, mantém ampla liberdade para conduzir a política externa e ordenar ações militares até o fim do mandato. A consultoria considera que os próximos dois meses serão decisivos para avaliar os rumos do conflito. Trump também declarou que os Estados Unidos não têm planos imediatos de atacar o Irã, fator que contribuiu para o recuo das cotações.
Outro elemento de alívio foi a recuperação parcial dos embarques de petróleo pelo Golfo Pérsico. Dados da Vortexa mostram que as exportações de petróleo, condensados e derivados da região chegaram a 17,1 milhões de barris por dia em outubro. O volume ficou abaixo do registrado em setembro, mas se manteve próximo de três quartos do nível anterior à guerra.
A possibilidade de um acordo, no entanto, está longe de ser consensual. Autoridades iranianas afirmam que as posições dos dois países continuam distantes. Além disso, analistas da região alertam que um entendimento visto como excessivamente favorável a Teerã poderia provocar novas tensões em Washington e entre aliados norte-americanos no Oriente Médio.
Três caminhos para o conflito
A StoneX considera três cenários para os próximos meses. O primeiro é um acordo rápido entre Washington e Teerã, hipótese que ganhou força no início da semana diante de rumores sobre avanços diplomáticos. Se o entendimento levar à reabertura plena do Estreito de Ormuz, a cotação do petróleo poderá cair de forma expressiva no curto prazo. A consultoria pondera, porém, que um pacto superficial poderia deixar questões centrais sem solução e abrir espaço para novos confrontos.
O segundo cenário é a intensificação das operações militares. Os Estados Unidos já deslocaram para a região um grande contingente de forças, incluindo múltiplos grupos de porta-aviões em operação ou a caminho do Golfo. Uma ofensiva mais ampla poderia aumentar a pressão sobre o Irã, mas também elevaria os riscos para a infraestrutura energética regional. Nesse caso, o chamado prêmio geopolítico — o valor adicional incorporado às cotações diante do risco de interrupções — poderia voltar a pressionar o petróleo para cima.
A terceira hipótese é a continuidade do impasse, com Washington mantendo o bloqueio econômico e militar na expectativa de que Teerã faça concessões. Na avaliação da StoneX, o tempo tende a dificultar essa estratégia: Trump dificilmente desejaria terminar o mandato com a guerra sem solução e os preços de energia elevados.
Estreito de Ormuz mantém risco sobre preços
Os três cenários têm como pano de fundo o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo antes da guerra. Apesar da recuperação parcial dos embarques, feita sob escolta militar norte-americana, os preços da commodity permanecem cerca de 40% acima dos níveis anteriores ao conflito. A diferença reflete os custos maiores de transporte e os riscos à navegação.
Para a StoneX, a forte correção registrada nesta semana representa uma aposta do mercado em uma saída negociada, não o desaparecimento das ameaças geopolíticas. A região deve continuar entre as principais fontes de volatilidade para o petróleo até o início de 2027, período em que Washington e Teerã poderão ter mais incentivos para retomar conversas estruturadas.

