O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Gerdau de desempenho em linha com o mercado para desempenho acima da média e aumentou o preço-alvo para o fim de 2027, de R$ 29 para R$ 31. A nova estimativa representa potencial de valorização de cerca de 29% em relação às cotações atuais, segundo o banco. Na quinta-feira (29), os papéis subiram 5,69%, para R$ 25,46.
A revisão reflete a combinação de fundamentos considerados mais fortes e da queda recente das ações, que, na avaliação dos analistas, voltou a tornar atrativa a relação entre risco e retorno. Desde que o banco rebaixou a recomendação em agosto, os papéis tiveram desempenho inferior ao do Ibovespa, enquanto as condições operacionais da companhia evoluíram de forma favorável, sobretudo nos Estados Unidos.
“O pano de fundo passou a jogar a favor da Gerdau”, afirmam os analistas. Entre os fatores citados estão a desvalorização do real frente ao dólar, para cerca de R$ 5,40, e os reajustes de preços promovidos pela empresa nos Estados Unidos ao longo do terceiro trimestre e no início do quarto trimestre.
Estados Unidos sustentam a revisão
A operação norte-americana é o principal destaque da nova avaliação. Ela representa aproximadamente três quartos do EBITDA consolidado da Gerdau. EBITDA é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, uma medida usada para acompanhar o resultado operacional da empresa.
No terceiro trimestre, a margem EBITDA da divisão nos Estados Unidos chegou a 27,7%, o maior nível desde 2022. O resultado foi impulsionado por aumentos de preços em produtos longos, vigas e vergalhões. A empresa também tinha uma carteira de pedidos superior a 100 dias.
Com esse desempenho, o Itaú BBA elevou de 21,3% para 24,6% a projeção para a margem EBITDA da operação norte-americana em 2027. A estimativa de EBITDA da região passou a R$ 10,3 bilhões. O banco também observa que cerca de 73% do EBITDA da Gerdau vem da América do Norte, o que torna a companhia uma das empresas mais expostas ao dólar entre as cobertas pela instituição.
Essa exposição tende a favorecer a empresa quando o real perde valor frente à moeda norte-americana, segundo o banco. Na avaliação dos analistas, a presença internacional também funciona como proteção contra a volatilidade doméstica.
Mercado brasileiro continua pressionado
Apesar da perspectiva mais favorável para os negócios internacionais, o Itaú BBA considera a operação brasileira o ponto mais fraco da tese de investimento. O banco reduziu de 14,4% para 11,7% sua estimativa para a margem EBITDA no Brasil em 2027.
A revisão reflete a expectativa de recuperação mais lenta da demanda interna, em um cenário de juros elevados e inflação. Os analistas também adotaram uma perspectiva mais conservadora para os benefícios do projeto Miguel Burnier. Além disso, avaliam que o consumo aparente de aço segue enfraquecido e que a Gerdau deve enfrentar pressão adicional sobre preços e maior participação das exportações em seu mix de vendas.
Projeções e retorno ao acionista
Mesmo com a redução das estimativas para o Brasil, a melhora esperada na América do Norte levou o banco a revisar para cima as projeções consolidadas da siderúrgica. O Itaú BBA agora prevê EBITDA de R$ 13,7 bilhões em 2026 e R$ 14,2 bilhões em 2027, altas de 4,7% e 2,4%, respectivamente, em relação às estimativas anteriores.
O relatório também aponta geração de caixa robusta. Para 2027, o banco estima rendimento de fluxo de caixa livre, indicador conhecido como FCF yield, de cerca de 12%. A projeção de dividend yield, que relaciona os dividendos ao preço da ação, é próxima de 9%. A dívida líquida deve equivaler a 0,3 vez o EBITDA, nível que o relatório descreve como bastante baixo.
Em 2026, dividendos e recompras de ações já superaram R$ 1,8 bilhão, segundo o banco. O Itaú BBA avalia que a política de alocação de capital da companhia favorece os acionistas. Também considera que a ação, negociada a cerca de 3,6 vezes o EV/EBITDA projetado para 2027, não incorpora adequadamente a melhora operacional, em especial nos Estados Unidos. EV/EBITDA compara o valor da empresa, incluindo sua dívida, com o resultado operacional. Essa avaliação sustenta o retorno da recomendação de compra.

