A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou neste sábado (24.out.2026) que “ninguém imaginou” que o petróleo chegaria ao preço atual, com o Brent cotado a US$ 116,93. Diante da alta, a estatal começou a discutir possíveis respostas, mas ainda não definiu medidas. A executiva atribuiu a surpresa ao fato de que nem os analistas que assessoram a companhia haviam previsto esse cenário.
Petrobras avalia possíveis respostas
Chambriard disse que a empresa começou a tratar do assunto e que “temos que fazer alguma coisa em relação a isso”, mas não antecipou quais decisões poderá tomar nem quando. Segundo ela, o nível alcançado pelo Brent, referência internacional para o preço do petróleo, configura uma situação que não estava nas projeções dos analistas que apoiam a Petrobras.
A alta pode afetar custos de produção, logística e insumos derivados do petróleo, com reflexos em atividades como transporte, agronegócio e indústria de transformação. No noroeste paulista, empresários podem sentir os efeitos no frete de mercadorias e nos preços de embalagens e fertilizantes. A região tem presença de pequenas e médias empresas (PMEs) e agroindústrias, que também dependem desses insumos e serviços.
A presidente não informou se a companhia pretende alterar os preços praticados no mercado interno. A Petrobras ainda avalia o cenário, sem detalhar prazos ou formatos para uma eventual resposta.
Experiência anterior pesa na discussão
Chambriard afirmou que a estatal deve aproveitar aprendizados de períodos anteriores de alta dos preços internacionais. Ela citou 2018 e 2019, quando, segundo a executiva, a Petrobras tentou acompanhar os valores externos “pari passu”, expressão que significa no mesmo ritmo.
“Um aprendizado importante de 2018 e 2019 é que fomos perseguir pari passu os preços internacionais e, no final, buscando ganhar muito dinheiro, acabamos perdendo dinheiro e market share, que foi difícil recuperar depois”, disse. Market share é a participação de uma empresa em determinado mercado.
A lembrança desses anos indica que a experiência passada faz parte da avaliação atual da companhia. Na ocasião mencionada por Chambriard, a busca por acompanhar os preços internacionais terminou, segundo ela, com perda de dinheiro e de participação de mercado. A presidente não confirmou, porém, qual política a Petrobras poderá adotar agora.
Conflitos afetam refino e transporte
Questionada sobre o papel da América do Sul no mercado de petróleo diante dos conflitos no Irã e em outros países do Oriente Médio, Chambriard falou dos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre a infraestrutura de refino e logística. “O que a gente viu com a guerra entre Estados Unidos e Irã foi uma destruição de refino no mundo, com um salto no spread do diesel”, afirmou.
Spread é a diferença entre preços ou valores de produtos relacionados. A presidente também disse que o frete subiu e que rotas de navegação foram impedidas, levando embarcações a percorrer caminhos mais longos e aumentando a necessidade de navios. “O preço do frete foi para a estratosfera, com rotas de navegação impedidas e a realocação para rotas mais longas estressando a necessidade de navios”, declarou.
Na avaliação de Chambriard, o Brasil precisa “continuar produzindo mais óleo e buscar mais parcerias com quem quer ampliar seus fornecedores”. A oferta de diesel e gás é relevante para frotas, máquinas agrícolas e indústrias, que dependem desses combustíveis para operar.
Petrobras cita venda ao Japão
Como exemplo da busca por novos mercados, Chambriard mencionou a primeira venda de petróleo cru da Petrobras para o Japão. “Este ano, vendemos pela 1ª vez petróleo cru para o Japão, país que era um cliente que a gente sempre olhou, mas nunca concretizou negócio, e agora a demanda veio pela nossa embaixada”, disse.
A negociação amplia a lista de destinos para o petróleo brasileiro, mas a presidente não associou a venda a uma mudança imediata nos preços domésticos. Até o momento, a Petrobras não anunciou medidas diante da cotação do Brent. A companhia ainda precisa avaliar o cenário internacional e os efeitos dos conflitos sobre o refino, o transporte e a oferta de petróleo antes de definir sua resposta.

