A construtora Tenda registrou lucro líquido de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre, queda de 48,7% na comparação usada pela companhia para o período. O resultado foi afetado por efeitos contábeis de contratos de swaps vinculados às ações da empresa e veio abaixo das projeções de analistas, em um trimestre de crescimento mais moderado, que a companhia associou, entre outros fatores, à inadimplência das famílias.
A empresa, concentrada no segmento de moradias econômicas e com atuação no programa Minha Casa Minha Vida, informou que, sem o efeito contábil dos contratos, o lucro líquido consolidado teria sido de R$ 106,4 milhões. A cifra reportada ficou abaixo dos R$ 179 milhões registrados no segundo trimestre e da expectativa média de R$ 136 milhões compilada pela LSEG.
Lucro e efeitos contábeis
Os contratos de swaps referenciados em ações da Tenda influenciaram o lucro apresentado no balanço. A companhia não informou, no material divulgado, um detalhamento adicional sobre a composição desse impacto. Ao apresentar também o resultado sem esse efeito, a empresa indicou que a diferença entre as duas medidas foi de R$ 49,1 milhões.
O lucro líquido é o resultado final da empresa depois de contabilizadas receitas, despesas e outros efeitos do período. Por isso, a cifra consolidada e a medida ajustada apresentada pela Tenda oferecem leituras diferentes do desempenho: a primeira inclui os efeitos contábeis dos contratos, enquanto a segunda os exclui. O resultado ajustado, porém, também ficou abaixo da média das projeções citadas para o lucro reportado, de R$ 136 milhões.
A companhia descreveu o trimestre como um momento de moderação após um primeiro semestre de “recordes consecutivos”. A avaliação consta no documento de resultados divulgado pela empresa. A Tenda também mencionou a inadimplência das famílias entre os fatores que ajudam a explicar o ritmo mais moderado.
Receita cresce, mas fica abaixo da projeção
A receita líquida somou R$ 1,25 bilhão, alta de 10,5% em relação a um ano antes. O valor ficou praticamente em linha com a estimativa média dos analistas, de R$ 1,27 bilhão, segundo a LSEG. A receita representa os valores obtidos com as atividades da companhia após deduções aplicáveis, enquanto o lucro líquido considera também despesas e demais efeitos contábeis.
O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado foi de R$ 207,8 milhões, avanço de 11,1% ante o mesmo período do ano anterior. Ebitda é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; o indicador é usado para observar o desempenho operacional sem esses itens. A média das projeções de mercado para o indicador era de R$ 224,3 milhões, também de acordo com a LSEG.
Além de ficar abaixo da estimativa, o Ebitda ajustado teve evolução positiva na comparação anual. Os números, portanto, mostram diferenças entre os indicadores do trimestre: a receita aumentou, o resultado operacional cresceu em relação a um ano antes, mas ambos ficaram aquém das expectativas médias dos analistas. Já o lucro líquido foi afetado pelos efeitos contábeis dos swaps e pela desaceleração mencionada pela empresa.
Caixa e composição dos lançamentos
A geração de caixa operacional atingiu R$ 82,4 milhões, recuo de 28,5% no período. Esse indicador mostra o caixa gerado pelas operações da companhia, enquanto o lucro líquido é apurado pelo regime contábil e pode incluir itens que não correspondem a entradas ou saídas de dinheiro no mesmo momento. A queda na geração de caixa ocorreu junto à moderação no crescimento dos resultados descrita pela Tenda.
A empresa também citou a redução do TCD, sigla usada para o valor residual de um imóvel que o comprador continua pagando à construtora depois de receber as chaves. A companhia apontou ainda a composição dos lançamentos recentes: segundo a Tenda, eles estão concentrados em produtos de maior rentabilidade.
Ao comentar as margens, a construtora afirmou que o indicador do terceiro trimestre ficou mais perto do limite inferior da faixa em que vinha operando do que de um novo patamar. A empresa disse esperar uma recomposição gradual, acompanhando o mix de lançamentos e vendas. A declaração relaciona a evolução da margem à combinação dos produtos lançados e vendidos, sem apresentar uma nova faixa ou um prazo específico para essa recuperação.

